Música para inclusão social

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Um sexteto de música formado por jovens de uma só família passa o seu saber gratuitamente, proporcionando inclusão social e melhora de vida para crianças, jovens e adultos da periferia de Fortaleza, no Ceará. Atendendo a 356 pessoas, o projeto Acordes Mágicos pretende atingir novos horizontes, com planos para implantação de um núcleo no Rio de Janeiro, onde mora atualmente a flautista Maíra Cruz, integrante do sexteto. 

Maíra deseja continuar no Rio o trabalho que teve início em Fortaleza
Maíra deseja continuar no Rio o trabalho que teve início em Fortaleza

— O sexteto é um grupo formado por mim e meus cinco irmãos, e nos apresentamos com música erudita, mas tocamos também popular. Somos bem ecléticos. Fazemos parte de uma família de tradição de músicos: meus tios são músicos, minha tia é cantora, ex-cantora do forró Cavalo de Pau, meu pai é guitarrista, meu avô era violonista e gostava de cantar – conta Maíra.

O sexteto é formado por Axel Brendo, 18 anos, que toca violão; Maíra Cruz, 17 anos, flauta transversal; Cecília Cruz, 16 anos, clarinete; Miriam Cruz, 15 anos, violoncelo; Vitória Cruz, 14 anos, violino; e Alisson Bruno, 12 anos, piano.

— Somos os fundadores do projeto Acordes Mágicos, que ganhou esse nome por acreditarmos que a música transforma as pessoas, e essa transformação é como uma mágica para nós, porque acontece sem que a pessoa perceba. Dentro do projeto temos aulas de teoria musical, prática de conjunto, e de todos os instrumentos que compõem uma orquestra e uma camerata – relata.

— Tudo começou quando eu e meus irmãos passamos a ver nossos amigos, colegas próximos, entrando no mundo da criminalidade. De uma hora para outra recebíamos a notícia que crianças, adolescentes e jovens, que viviam ali conosco haviam morrido; que outros estavam roubando; as meninas engravidando cedo etc. Então decidimos fazer alguma coisa para mudar essa realidade do nosso bairro, o nosso ambiente – explica.

— Esse foi o carro-chefe para o início do projeto. O outro motivo foi o fato de meus irmãos e eu sempre termos sido bolsistas nas escolas de música que estudamos lá em Fortaleza. É um sinal de agradecimento, uma maneira de retribuir o que os nosso professores fizeram por nós. É o que chamamos de “dar de graça o que recebemos de graça”, isso faz parte da nossa filosofia de vida – declara.

Os meninos - moradores do bairro Novo Mondubim, em Fortaleza - com apoio do pai (o pedagogo e músico Bento Cruz) começaram as atividades do projeto em fevereiro de 2014, usando sua residência como sede.

— No começo éramos ainda muito amadores e só queríamos saber de colocar os alunos para fazer alguma coisa que não fosse estragar suas vidas. Mas, com o tempo passamos a receber críticas e essas nos serviram de incentivo para nos organizarmos mais, estudarmos mais e darmos o nosso melhor para a comunidade – conta.

— E não é fácil colocar na cabeça de pessoas de comunidade que música erudita é boa, porque a mídia diz ser bom aquilo que é para o consumo. Mas isso fez com que a didática do projeto amadurecesse, o plano pedagógico se organizasse, sem perder a essência de troca de experiências, uns aprendendo com os outros, porque também aprendemos muitas coisas com os nossos alunos – afirma.

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