O regime militar e a vala clandestina de Perus

Um exame realizado por laboratório da Bósnia revelou, em fevereiro deste ano, compatibilidade genética entre os ossos encontrados na vala clandestina de Perus, descoberta em 1990, no Cemitério Dom Bosco, com o militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), Dimas Antônio Casemiro. A compatibilidade foi comprovada por meio de análise com sangue de seus parentes. Essa é mais uma prova da violência brutal organizada contra o povo pelo regime militar fascista e as Forças Armadas que, com apoio direto do imperialismo ianque torturou, sequestrou, assassinou e cassou os direitos políticos de milhares de progressistas, democratas e revolucionários e revolucionárias brasileiros.

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Dimas Antonio Casemiro, militante da VAR-Palmares

Dimas Antônio Casemiro também foi dirigente do Movimento Revolucionário Tiradentes e foi preso, torturado e assassinado aos 25 anos, em abril de 1971, na cidade de São Paulo (SP). Antes de entrar para a resistência armada contra o regime militar-fascista, ele foi corretor de seguros, vendedor de carros e tipógrafo.

Na vala clandestina, mais de mil ossadas de pessoas enterradas como indigentes foram encontradas e, segundo denúncias feitas na época, eram de militantes políticos mortos pelo regime militar em chacinas ou por grupos de extermínio.

Na tentativa de identificar os corpos, peritos escolheram as ossadas que mais pareciam com 41 desaparecidos políticos, graças aos esforços da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos. Até agora só três pessoas foram identificadas: Dimas Casemiro, Denis Casemiro e Frederico Eduardo Mayr.

Denis e Frederico

Denis Casemiro era irmão de Dimas e foi sequestrado, torturado e assassinado quando integrava a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), aos 28 anos, em maio de 1971. Antes de integrar a luta armada contra o regime militar foi trabalhador rural, ora trabalhando como pedreiro, ora como lavrador. Ele foi localizado e preso pelo delegado Sérgio Fleury no Maranhão, já distante da sua cidade natal Votuporanga (SP), pois o militante almejava cuidar de um sítio com a perspectiva de desenvolver um trabalho político e militar no campo. Foi levado para o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo e lá permaneceu sendo torturado por quase um mês até desaparecer. Denis foi enterrado como indigente e teve seus dados pessoais alterados para dificultar sua identificação, em clara tentativa dos militares de esconder o crime bárbaro cometido por meio da ocultação de seu cadáver.

Frederico Eduardo Mayr foi baleado e preso pelos agentes do Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo, em fevereiro de 1972, na Avenida Paulista, em São Paulo, enquanto integrava o Movimento de Libertação Popular (Molipo). No documento encontrado nos arquivos do antigo DOPS/SP, intitulado “Aos Bispos do Brasil”, consta que ele foi submetido aos mais bárbaros tipos de tortura como choques elétricos, “cadeira do dragão”, “pau-de-arara” e violentos espancamentos. Estão entre os autores dos crimes os policiais: escrivão de polícia Gaeta, policial federal Aderbal Monteiro, um capitão do Exército de alcunha “Átila”, um policial de alcunha “Zé Bonitinho” ou “Oberdã”, um investigador loiro da equipe de identidade desconhecida; todos assistidos diretamente pelo major do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido por encabeçar os piores crimes contra o povo na época. Enterrado com nome falso, sua ossada foi identificada em 1992 pelo departamento de Medicina Legal da Unicamp. 

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