Mais mortes no rastro da intervenção militar

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Guerra civil reacionária deixa oito mortos na favela da Rocinha

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Mulher chora a morte do filho Benjamin, Complexo do Alemão, 16/03
Mulher chora a morte do filho Benjamin, Complexo do Alemão, 16/03

Ao menos oito moradores da favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foram executados por policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar. A ação de guerra movida pela PM, dirigida agora pelas Forças Armadas, a que tudo indica, teve o único propósito de espalhar terror na região.

Os moradores foram feridos às 6 horas da manhã de 24/03, após o término de um baile em uma parte da favela conhecida como Roupa Suja. Segundo testemunhas das execuções, os policiais do Choque chegaram atirando contra uma multidão, que em nenhum momento ofereceu resistência. Os moradores foram levados ao Hospital Miguel Couto, mas, segundo informou a própria PM, já chegaram por lá mortos.

Há indícios de que tratou-se de uma operação de represália contra os moradores da Rocinha. No dia 21/03, um PM chamado Felipe Santos de Mesquita morreu durante operação na mesma favela.

Segundo moradores, os criminosos fardados entraram na comunidade gritando “Quem manda aqui é a polícia” e atiraram contra a multidão. Publicações na rede social de um major da PM, identificado como Elitusalem Freitas, faz referências ao número de mortos na operação de guerra como uma espécie de competição entre os batalhões.

Três moradores mortos no Alemão

Pelo menos três moradores do Complexo do Alemão foram assassinados durante operação de guerra da Polícia Militar e sua “Unidade de Polícia Pacificadora” (UPP), comandadas pelas Forças Armadas, 16 de março, no acesso da favela Nova Brasília. Entre os mortos, está um bebê de um ano e sete meses, alvejado com um tiro na cabeça. Ao todo foram dez moradores baleados, dentre eles um menino de 11 anos, que sobreviveu.

O menino Benjamim, de apenas um ano e sete meses, alvejado com um tiro na cabeça
Benjamin

Uma das moradoras assassinadas durante a operação, Maria Lúcia da Costa, 58 anos, chegou a ser socorrida, mas morreu no Hospital. Outro assassinado foi o eletricista José Roberto da Silva, de 54 anos, que já chegou na unidade sem vida depois de passar pela UPA do Complexo do Alemão.

O caso mais chocante foi o do menino Benjamin, de apenas um ano e sete meses. Ele passeava com a mãe em um carrinho de bebê quando foi atingido por um disparo fatal na cabeça. O menino foi enterrado no dia 18 de março, no Cemitério do Maruí, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. “Meu filho morreu na sexta-feira e até agora ninguém falou nada.  Hoje meu filho vai ser enterrado e depois acabou”, relatou o pai de Benjamin, o gesseiro Fábio Antônio da Silva, 38 anos.

“Eles não querem nem saber, vão largando o dedo em cima dos moradores, para cima dos caras.”, denunciou um homem, em frente à UPA do Complexo Alemão.

A avó de Benjamin também desabafou. “Eu vi a morte do meu neto! O outro [policial] rasgou a minha blusa, me deu um tapa na cara”, afirmou, ainda em estado de choque. Ela também denunciou que os policiais a ofenderam com termos racistas.

PMs que arrastaram Claudia seguem nas ruas

Em março de 2014, o Jornal A Nova Democracia noticiou com exclusividade o crime bárbaro cometido por PMs contra a auxiliar de serviços gerais Claudia Silva Ferreira. Depois de matá-la, policiais arrastaram o corpo de Cláudia por ao menos 300 metros e foram flagrados por um motorista que filmou a ação com seu celular. As imagens foram exibidas em vários noticiários do Brasil e do mundo e causaram grande comoção e revolta. Quatro anos depois, os dois policiais acusados pelo assassinato de Cláudia seguem nas ruas.

O PM Rodrigo Medeiros Boaventura, que na época era tenente, ainda foi promovido e hoje é capitão. Já o sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno está lotado no 41º BPM (Irajá) e, apenas quatro meses depois do assassinato da auxiliar de serviços gerais, envolveu-se em outro homicídio. Depois de sua promoção, o capitão Boaventura se envolveu em ao menos dois homicídios durante operações policiais. Já o sargento Bueno, esteve envolvido em, no mínimo, outros seis casos. Os dois foram acusados pela morte de Cláudia em julho de 2014. A denúncia por homicídio doloso só foi recebida pelo judiciário em março de 2015. Até agora, o processo corre na 3ª Vara Criminal e os PMs sequer foram pronunciados.

10 anos de luta por justiça para Andreu Luiz

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Ato em frente TJ expõe conivência do judiciário com a guerra reacionária
Ato em frente TJ expõe conivência do judiciário com a guerra reacionária

No dia 1° de janeiro de 2008, o jovem Andreu Luiz Carvalho, então com 16 anos, foi espancado e torturado por 6 agentes do Sistema Socioeducativo (Degase CTR). Desde então, a mãe de Andreu, Deize Carvalho, iniciou uma luta árdua contra o Estado, por justiça para os assassinos de seu filho. Andreu teve traumatismo craniano, hemorragia das meninges, perfurações pelo corpo, afundamento de crânio, descolamento da retina e inúmeras outras evidências claras da sessão de tortura a que foi submetido. A versão preliminar dada pelo Degase sobre o caso – pasmem – foi de que Andreu tentou fugir e caiu de um muro de 3 metros. 

No dia 19 de março deste ano aconteceria a audiência de instrução e julgamento dos torturadores e assassinos de Andreu. Novamente a audiência foi adiada, desta vez para junho. A reportagem de AND esteve no ato que aconteceu no acesso ao Fórum e conversou com Deize e outras mães de vítimas da violência do Estado que estiveram no local para prestar solidariedade.

— Essas correntes que eu estou usando representam a escravidão que não acabou. A chibata hoje é o fuzil do policial. Pelo fim das mortes silenciosas convido a todos para juntos dizermos: os nossos mortos têm voz!— diz Deize.

— A polícia faz o que quer porque esse velho Estado burguês dá carta branca para matar e essa sociedade burguesa hipócrita, aliada desse Estado criminoso, apoia o assassinato dos nossos filhos. Essa sociedade, no seu lugar de conforto, quando morre um jovem na favela, diz que ele era bandido, e quando uma mãe revoltada vai para a rua queimar ônibus eles dizem que somos vândalas — diz Gláucia dos Santos, mãe do jovem Fabrício, assassinado em 2013 no Complexo do Chapadão, na cidade do Rio de Janeiro.

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