PA: Vazamento de rejeitos em Barcarena é crime premeditado

No último dia 22 de fevereiro, conforme noticiado por AND nº 205, um laudo publicado pelo Instituto Evandro Chagas (IEC) confirmou a denúncia das comunidades de que o monopólio minerador norueguês Hydro Alunorte contaminou com resíduos tóxicos os igarapés e rios próximos em Barcarena (PA), região metropolitana de Belém, causando, entre outros danos, problemas de pele, oftalmológicos e digestivos nos moradores vizinhos, além do desabastecimento de água.

Evandro Santos
Moradores protestam contra o crime ambiental ocorrido em Barcarena (foto: Evandro Santos)
Moradores protestam contra o crime ambiental ocorrido em Barcarena

Este não foi o primeiro caso de contaminação desta mineradora nos rios e igarapés da região. Além deste crime atual, do qual a própria empresa é réu confessa, foram relatados desde 2000 outros 8 vazamentos em rios da região, principalmente no rio Pará, sempre com total conivência dos órgão ambientais do Estado. Em 2009, em pesquisa do Laboratório de Química Analítica e Ambiental (Laquanan), da UFPA, foram encontrados 24 locais contaminados por chumbo e outros com mercúrio. Cabe ressaltar que a Hydro Alunorte é a maior mineradora de bauxita (alumínio) do mundo, sendo que 86% deste minério saqueado é para exportação.

Posterior ao embargo do monopólio minerador norueguês, no dia 12 de março, Paulo Sérgio Almeida Nascimento, 47 anos, que fazia parte da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama) e que denunciava crimes ambientais da Hydro Alunorte, foi morto. O seu assassinato ocorreu  após inúmeras denúncias feitas pela Associação, de que as lideranças estavam sofrendo ameaças da própria Polícia Militar, que teria escoltado o veículo dos assassinos de Paulo Sérgio.

Poucos dias depois deste crime lesa-pátria em Barcarena, ocorreu o crime da Anglo American no maior mineroduto do mundo, que se rompeu e atingiu o Ribeirão Santo Antônio na bacia do rio Doce, já tão afetada pelo crime da Vale-BHP-Samarco em 2015. O rompimento deixou milhares de pessoas do município de Santo Antônio do Grama sem abastecimento de água. O mineroduto desta empresa, maior do mundo, possui uma extensão de 525 km, corta 32 municípios e transporta o minério extraído em Conceição do Mato Dentro (MG) até o Porto Açu em São João da Barra (RJ). Acrescentam-se a estes crimes o “trabalho escravo”. Na última chamada “lista suja” de “trabalho escravo” no Brasil foram identificados 192 casos entre 2012 e 2017 da “Diedro” e “Construtora Modelo”, ambas empresas terceirizadas da Anglo American.

Velho Estado acoberta crimes

O velho Estado, como instrumento da grande burguesia e do latifúndio serviçal do imperialismo, principalmente ianque, favorece de todas as formas estes monopólios para manter seus lucros estratosféricos. Estas empresas se aproveitam não só da conivência, mas da participação efetiva do judiciário e de diferentes órgãos do velho Estado que utilizam-se de todas as artimanhas para evitar quaisquer prejuízos ou entraves aos escusos negócios dos monopólios da mineração no país e para não ressarcir o povo pelas perdas causadas e nem mitigar a destruição.

Basta uma análise dos financiamentos de campanha nas farsantes eleições burguesas para saber a quem servem os políticos do Partido Único. Dados públicos deste financiamento mostram que as mineradoras financiaram R$ 91,5 milhões em campanhas eleitorais no ano de 2014, principalmente campanhas de deputados federais. Somente a Vale realizou doações de R$ 88 milhões.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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