Arte da palhaçaria por gerações

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Com forte veia cômica e muita vontade de compartilhar sua arte, a carioca Hislany Midon desenvolve um trabalho de palhaçaria no seu lugar: o bairro de Padre Miguel, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Filha do ator cômico Armando Moraes, que ficou conhecido como o palhaço Praga da televisão, Midon tem uma enorme satisfação de conseguir sobreviver da sua arte com muita luta e resistência e, ao mesmo tempo, dar continuidade ao legado que seu pai deixou.

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Trupe do Armandão em um evento da Zona Norte, do Rio de Janeiro
Trupe do Armandão em um evento da Zona Norte, do Rio de Janeiro

— Durante muito tempo não queria que associassem meu trabalho ao do meu pai, depois percebi que existe a ancestralidade e que precisava administrar o seu legado juntamente com meu trabalho. Ele era anão e deficiente físico, e por isso enfrentou muitos preconceitos, agressões de várias formas e até físicas: quando criança estudou em um colégio interno e teve que fugir de lá várias vezes, porque apanhava dos colegas – conta Midon.

— Ele pulava o muro e fugia, até que finalmente decidiu que não voltaria para lá – meu avô e minha tia estão aí para contar essas histórias. Meu pai era uma pessoa muito livre, e isso é o instinto de sobrevivência. Por ser minoria, aprendeu a se virar, a lutar, e eu sempre o admirei muito. Eu tinha somente 11 anos de idade quando ele faleceu, mas foi uma pessoa muito presente na minha vida.

— Me lembro de estar com ele nos bastidores da televisão, mas esse não era o único trabalho que ele realizava. O meu pai fez muita coisa no teatro, e fazia muitos eventos em cidades pequenas. Tinha também o futebol dos anões que ele participava, voltado para a comicidade. Enfim, tenho muitas memórias de uma vida com ele, e era uma pessoa que eu admirava muito. Mas, àquela época, eu ainda não pensava em virar artista – continua.

Por volta dos 10 anos de idade, Midon começou a estudar dança na Vila Olímpica do seu bairro.

— Minha mãe era recepcionista da Vila nessa época. Fiz jazz, balé e dança de salão, além de outras atividades como capoeira, atletismo e basquete. Quando eu completei 14 anos, o meu tio (irmão da minha mãe) me levou para fazer teatro, e eu acabei migrando da dança para o teatro, mas ainda não ficou por aí, porque depois conheci o circo e descobri que era exatamente o que eu queria fazer – declara.

— Me apaixonei por tudo no circo: os malabares, acrobacias, canto, tudo para mim era maravilhoso. De uns seis anos para cá eu comecei a estudar palhaçaria, sempre mesclando cursos, prioritariamente os gratuitos ou a preços populares. E assim fui de curso em curso, professores diversos, metodologias distintas e maravilhosas que me acrescentaram muito, adquirindo conhecimento e me capacitando – recorda.

— Fui participando de muitas atividades e conhecendo pessoas que trabalharam com meu pai, inclusive algumas hoje trabalham comigo. E fui descobrindo que com o circo o artista tem a facilidade de ir para as ruas mesmo sem incentivo, sem verba, por causa do custo que é baixo e das condições de trabalho que foram conquistadas graças à luta dos artistas de rua – fala.

Compartilhando arte e sobrevivendo

— Desde 2015 faço o cortejo de palhaços que passa pela feira de Padre Miguel, bairro onde eu moro e que meu pai também morou, lugar onde ele era muito conhecido. É o cortejo da Trupe do Armandão – nome que dei em homenagem a ele – composta pela dupla Paragadom e Babão, eu e meu filho respectivamente. E assim a palhaçaria vai passando de pai para filho, do meu pai para o meu filho – expõe.

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