Teatro com música e crítica social

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Grupo de atores independentes que busca engrandecer o povo e a cultura nacional ao apresentar e discutir questões sociais por meio do teatro, tornou-se conhecido do público carioca com o espetáculo Eles Não Usam Black Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, adaptado com música de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Depois de circular por teatros de diversos bairros do Rio de Janeiro, frequentados por público oriundo das classes trabalhadoras, o grupo planeja viajar com o espetáculo.

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Grupo de artistas populares resgata célebre obra de Gianfrancesco Guarnieri
Grupo de artistas populares resgata célebre obra de Gianfrancesco Guarnieri

— Não somos um coletivo, somos um grupo de atores independentes. O espetáculo foi idealizado e adaptado por mim e a partir daí fui montando uma equipe. O elenco passou por audições. Ele foi escolhido entre 500 inscritos e, além de interpretação, algumas pessoas do elenco são formadas em música e dança — fala Isabella Villalba, atriz e dançarina.

— Começamos como um projeto de pesquisa, mas o grupo deu tão certo que resolvemos profissionalizar. Somos um espetáculo independente, não contamos com nenhum tipo de patrocínio, e seguimos uma linha ligada à questão social.

— Nossa busca é de enaltecer o povo brasileiro e a cultura rica que temos e teimamos em esconder. Além disso, todas as temporadas feitas até agora foram gratuitas ou a preços populares. Sendo realizadas em diversos pontos da cidade, para que um público diferente da elite que está acostumada a frequentar teatros da zona sul, pudesse ver o espetáculo — continua.

A pesquisa de teatro iniciada por Isabella trabalha a música e a dança como forma de expressão.

— O projeto consiste em estudar o teatro musicado, a partir de uma dramaturgia brasileira, ou seja, adaptar textos nacionais e musicá-los com cancioneiro popular brasileiro. Inicialmente o objetivo do projeto era estudar e encontrar maneiras de se fazer um espetáculo musicado com baixo orçamento, e como deixar a adaptação fluida e homogênea — conta Isabella.

— Isso justamente para se contrapor às grandes produções milionárias que vemos nos palcos eixo Rio-São Paulo. A partir disso, optamos por fazer um espetáculo simples, que pudesse caber em diversos palcos e locais, para alcançar o maior tipo de público possível, tendo sempre ingressos gratuitos ou a preços populares para facilitar o acesso ao teatro — diz.

Eles Não Usam Black Tie, um texto de 1958, escrito por Gianfrancesco Guarnieri, que trata de greve, movimento operário, conflitos ideológicos e morais das pessoas, se encaixou no que Isabella queria.

— A peça não trata apenas de greve, trata de uma luta de classes, de um povo que é esquecido, ama os seus e busca o seu lugar no mundo. Aborda questões ideológicas entre pai e filho e as difíceis condições dos trabalhadores brasileiros — expõe Isabella.

— Ela não tem intenção de ser panfletária. O que discorre são relações de amor, solidariedade e esperança, a partir dos conflitos de uma família. Precisamos dar relevância a esses personagens que vivem à margem da sociedade. A greve pode ser vista como signo da união dessas pessoas, portanto, uma leitura legítima e necessária para o cenário atual do Brasil — fala.

Cultura e realidade do povo

— Buscamos uma linha mais voltada para o social desde o começo das nossas atividades. Procuramos levar o espetáculo a todas as camadas sociais, atingindo o maior número de pessoas possível, apostando assim na diversidade de público – explica Isabella.

— Pretendemos com a obra promover a reflexão sobre as relações humanas no cenário econômico e social, que assim como na época em que foi escrita, se encontram fragilizadas e inseridas em contextos onde a luta pelos direitos e o desejo de justiça ainda reverberam. Eles Não Usam Black Tie é a voz de um povo que clama por justiça e que em nossa versão canta a realidade da favela — continua.

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