DF: Protestos reúnem milhares de indígenas por demarcação de terra

Mais de 3 mil indígenas ocuparam as principais ruas de Brasília no dia 26 de abril em protesto contra os ataques realizados pelo gerenciamento de turno de Michel Temer/PMDB e para exigir a demarcação das terras indígenas em todo o país.

Mobilização Nacional Indígena
Indígenas protestam em Brasília, 26/04 (foto: Mobilização Nacional Indígena)
Indígenas protestam em Brasília, 26/04

Os manifestantes deixaram um rastro de tinta vermelha nas ruas da capital do país para simbolizar o sangue derramado pelo histórico e continuado genocídio dos povos indígenas promovido pelo velho Estado e classes dominantes.

“Este rastro de ‘sangue’ é um marco que deixamos aqui na Esplanada e representa toda a violência imposta pelo Estado aos povos originários deste país na morosidade da demarcação das nossas terras, dentre outros ataques. Diversos assassinatos têm ocorrido país afora, além de um cruel processo de criminalização das lideranças. Mas apesar desta conjuntura tão emblemática, nós, povos indígenas, vamos sempre resistir e lutar pelos nossos direitos, como aprendemos com nossos ancestrais e nossos guerreiros”, afirmou o cacique Marcos Xukuru, de Pernambuco, em entrevista ao coletivo Mobilização Nacional Indígena (MNI).

Chega de genocídio indígena – Demarcação Já!, dizia uma grande faixa hasteada em frente ao Ministério da Justiça, um dos órgãos responsáveis pela falência da política de demarcação destas terras.

“Estamos aqui para dizer que não estamos lutando apenas pelos povos indígenas, mas por toda a nação. Sem as terras indígenas, não há sobrevivência!”, afirmou Angela Katxuyana ao mesmo grupo.

As seis faixas do Eixo Monumental foram fechadas pelos manifestantes.

“A rua é nossa e hoje estamos aqui para dizer para Michel Temer que não temos medo dele”, frisou Alessandra Munduruku.

Durante a  noite, a consigna Demarcação Já! foi projetada no Congresso Nacional.

No dia anterior, mais de 2 mil manifestantes realizaram um protesto em frente à sede da Advocacia-Geral da União (AGU), também em Brasília, onde cobraram a demarcação das terras indígenas.

Os manifestantes, em sua maioria indígenas, também exigiram a revogação do parecer 001/2017 da AGU, denominado pelos indígenas como “Parecer do Genocídio”, que adota a tese do “marco temporal” em toda as instituições e instâncias do Estado brasileiro.

“Temos lideranças indígenas de todo Brasil. Viemos aqui para dizer para a Advocacia-Geral da União (AGU) que não é possível que ela continue decidindo medidas que coloquem em risco o futuro das próximas gerações dos nosso povos. O parecer 001/2017 coloca em xeque as demarcações”, afirmou Weibe Tapeba, em frente à sede da AGU, em entrevista ao MNI.

O decreto da AGU praticamente enterra a possibilidade do processo de demarcação das terras indígenas pela via institucional ao estabelecer que os indígenas somente teriam direito à demarcação das terras que estavam sob sua posse em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. O “marco temporal”, uma artimanha jurídica criada pelos latifundiários, ignora intencionalmente a expropriação histórica das terras dos povos indígenas, que se perpetua até os dias de hoje, por exemplo, por meio dos latifundiários, dos monopólios (nativos e estrangeiros) e pelo velho Estado.

Os protestos fizeram parte do 15o Acampamento Terra Livre (ATL), que reuniu povos indígenas de todo o país, entre os dias 23 e 27 de abril, para debater a organização destes frente aos ataques do gerenciamento de Michel Temer/PMDB.

Munduruku reivindicam demarcação de terras

 Dezenas de munduruku realizaram um protesto em frente ao Palácio da Justiça, sede do ministério da Justiça, em Brasília, na manhã de 24 de abril. Os indígenas exigiam a demarcação da Terra Indígena (TI) Sawré Muybu, situada entre os municípios de Itaituba e Trairão, no Pará.

“Estamos na frente do Ministério da Justiça, pois desde 2016 está publicado o relatório [de identificação] da nossa terra, e até hoje não foi declarada. E nós lutamos, lutamos e lutamos, e nada. Então como eles não querem declarar a nossa terra, nós viemos cobrar o ministério”, afirmou o cacique da aldeia Sawré Muybu, Juarez Munduruku, em entrevista à agência Amazônia Real.

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