Justiça injusta

A- A A+
É imcompreensível a situação vivida por Roraima no que se refere ao caos político estabelecido, juntamente com a omissão do Poder Judiciário. O atual governador, Flamarion Portela, cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), continua à frente do Executivo, como se nada houvesse acontecido.

Depois do primeiro round, o TSE não tomou qualquer medida complementar que definisse a situação. O que fazer? Realizar novas eleições? Dar posse ao segundo colocado, Ottomar de Sousa Pinto, como seria de se esperar? Aresposta, depois de mais de 60 dias, é o mais profundo silêncio. O isolamento de Roraima, no extremo Norte do país, contribui para esse quadro bizarro onde um governador não o é mais de direito, mas continua de fato.

Dessa forma, Flamarion continua a despachar normalmente, cercado de escândalos e suspeitas, à revelia da maioria dos roraimenses, sem conseguir sair às ruas, pois é vaiado e ameaçado até de agressão física aonde quer que se disponha ir. Pior, aos velhos escândalos somam-se novos, em produção contínua, acumulando-se sem solução.

O irmão do governador, Audemar Carvalho de Souza, possui uma panificadora que se constitui na mais polivalente de que se tem notícia na história daquele estado: ela é capaz de prover a administração pública desde a mais simples porca ou parafuso que se destine aos mais diversos fins, passando pelo fornecimento normal de pães e massas alimentícias, até a distribuição de tijolos, merenda escolar, concreto e o que se possa crer e imaginar.

Impunidade, bandalheira, pouca-vergonha, tudo aquilo herdado da colonização portuguesa foi aprimorado e burilado no mais requintado estilo do mau comportamento adotado pelas altas esferas de insensíveis elites. O poder público no Brasil é semelhante a um imenso avestruz: a cabeça enfiada e o corpo apodrecido a exibir todas as causas de nossas mazelas sociais. Como é que se pode exigir bom procedimento com tais exemplos?

Num país em que a maioria dos mandatos eletivos é comprada a peso de ouro, na distribuição de bicicletas, cestas básicas, ou dinheiro grosso entregou nas mãos de cabos eleitorais eficientes, a demora em se fazer Justiça num caso clamoroso como o de Roraima, causa graves preocupações. Boa Vista, sem dúvida nenhuma uma das mais aprazíveis cidades da Região Amazônica, tem cerca de 60% de sua população situada na linha ou abaixo da linha de pobreza. É a quinta mais violenta do país, segundo dados da ONU. Na última campanha eleitoral, o candidato Júlio Martins (PSDB), mostrou com clareza a existência de duas  cidades dentro daquele município.

Na primeira delas, reside uma população com acesso mínimo a serviços prestados pelo poder público: hospitais (ainda que funcionando de forma precária, sem medicamento), pronto-socorro (entregue às baratas), um Hospital da Criança com a aparelhagem sucateada, além de ruas iluminadas e floridas, contrasta com a miséria absoluta que se verifica nos bairros afastados da periferia.

Na segunda cidade, encontram-se milhares de crianças com a boca apodrecida, a segunda dentição por cima da primeira, sem assistência médica, sem postos de saúde e sem escolas de ensino fundamental.

A própria prefeita, Teresa Jucá (PPS), reeleita com mais de 53 por cento dos votos, reconheceu, em entrevista à Folha de Boa Vista, que mais de 17 mil crianças não têm creche. Nada se resolve, nada!

Enquanto isso, no Brasil dos altos escalões, resta a surdez ao clamor dos roraimenses.


Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja