O inimigo real

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Comentários acerca do livro Amazônia Brasileira de autoria do Cel. Cláudio Moreira Bento

A obra que passarei a comentar é da vastíssima lavra literária do Cel. Cláudio Moreira Bento, Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, uma das figuras mais proeminentes entre os historiadores militares da atualidade.

Nela, o renomado autor dá prosseguimento à tarefa que de há muito se impôs, de difundir a história militar terrestre do Brasil e o patriotismo, sempre enaltecendo o glorioso e invicto Exército de Caxias.

O livro expõe, de forma cronológica, em dimensões modernas e em caráter pioneiro e abrangente, fatos e feitos veneráveis, que englobam, sob o prisma militar, a conquista, a consolidação e a manutenção da Amazônia Brasileira, de 1616 aos dias hodiernos, num profundo resgate da História Militar Terrestre daquela ambicionada região. E tal exposição, decorrente dos amplos e aprofundados conhecimentos, leituras e pesquisas do autor, é feita em brilhante e agradável estilo, o que torna o trabalho acessível ao entendimento geral, em especial da mocidade, ora tão carente de brasilidade, de lídimo patriotismo.

Na magistral abordagem acerca da implantação de uma estrutura militar do Exército, desde a Colônia, para a defesa e guarda da imensa região, o Cel.Bento nos adverte quanto à atuação maligna do que ele bem caracteriza como "o inimigo azul", o qual "precisa ser combatido com tolerância zero". Trata-se do mau brasileiro, daquele nacional que não se importa com a preservação dos incomensuráveis recursos hídricos, mineralógicos e da biodiversidade amazônica, com vistas ao desenvolvimento sustentável da região; trata-se, ainda, do "vendilhão da pátria", do "entreguista" pusilânime que vem dobrando a cerviz aos mais poderosos que, desde sempre, cobiçam, sofregamente, a mais rica área de nosso País. Não é à toa que na aba do livro, o Dr. Flávio Camargo nos alerta para o fato de que "a Amazônia é, sem sombra de dúvida, um grande negócio", com um "valor estimado em quatro trilhões de doláres pela sua riqueza potencial e recursos naturais". E a cobiça natural sobre ela se faz efetiva, hoje em dia, mormente na Amazônia Ocidental e na Base Aérea de Alcântara, no Maranhão (base, aliás, localizada na "Amazônia Legal Brasileira"...), sendo certo que existem 20 (!) bases aéreas ou de radar, do EUA, em países vizinhos, no "arco oeste amazônico", as quais, juntamente com o Campo de Lançamento de Alcântra, caso ele fosse entregue aos estrangeiros (como era o propósito do recente e lesivo acordo firmado com aquele mencionado País, felizmente rejeitado pelo Congresso), fechariam um grande cerco à região.

Assim, julgo que a obra em comento, por sua historicidade, pelos relatos de experiências militares vividas por nossos avoengos luso-brasileiros, bem como pelos atuais amazônidas, é imprescindível para os estudos militares com vistas à proteção de uma importantíssima parcela do território brasileiro. Ela não pode estar ausente no aperfeiçoamento da "estratégia da resistência" que vem sendo estudada, já faz dez anos, a fim de nos precavermos contra uma invasão de nação ou coalizão de poderosas nações na área. Esta estratégia baseia-se no uso de técnicas e táticas já anterior e minudentemente detalhada pelo Cel. Bento, em seus competentes trabalhos a respeito da "guerra brasílica" (ocorrida quando da Insurreição Pernambucana) e da "guerra gaúcha" (inventada e utilizada pelos gaúchos contra os castelhanos, na "fronteira sul do vai e vem"). E agora, para rematar tudo isso, o consagrado historiador traz a lume a específica maneira de combater, de antanho aos nossos dias, do amazônida indômito, cuja figura maior foi a do General Pedro Teixeira, por ele tão bem retratado. Destarte, podemos afirmar com toda a convicção, que os ensinamentos que o livro contém são propedêuticos para o aprimoramento da "estratégia da resistência", inclusive por apresentar, bibliograficamente, a relação de todas as monografias sobre a Amazônia disponíveis na Internet, e a nominata e obras dos principais polígrafos que estudaram e estudam a Amazônia brasileira, que abarca 60% de toda a Amazônia e cuja soberania deve permanecer imarcescível.

Que o lavor desta magnífica obra, de robusto conteúdo cívico-militar da produção do mais fecundo escritor e historiador militar brasileiro de nossos dias, sirva de Juzeiro àqueles que amam, de fato, a terra em que nasceram e que ao brado de "pátria em perigo!" não trepidarão em empunhar armas na defesa da soberania nacional, hoje assaz ameaçada, maxime na Amazônia.

Parabéns, portanto, bravo Mestre Cel.Bento! O senhor bem merece repetir, alto e em bom som, como vem fazendo, o grito de guerra dos atuais combatentes amazônidas: "Selva!"


*Manoel Soriano Neto é Cel.Inf.QEM. Texto transcrito de O Farol, com autorização do autor.
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