Ele é brasileiro, ele é nordestino: O forró é nosso!

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Dentro de uma das caixas de aço que trafegam vagarosamente sobre o asfalto, somando o peso da rotina, das idas e vindas de dezenas de trabalhadores e estudantes soteropolitanos, é possível ouvir uma harmonia que contagia e deixa leve esse ambiente aparentemente hostil. Todos se conectam com Preta Ester, artista, pesquisadora, organizadora de eventos e uma vida dedicada ao forró e à cultura nordestina.

Ellan Lustosa/AND
A artista, pesquisadora e organizadora Preta Ester quer resgatar o forró como o ritmo brasileiro (foto: Ellan Lustosa/AND)
A artista, pesquisadora e organizadora Preta Ester quer resgatar o forró como o ritmo brasileiro

Encontramos Preta no Circo Picolino, onde ela realiza outro projeto seu, o Particulino a Beira Mar. Forró tradicional no circo? Era como se estivéssemos nos anos 1950, quando as atrações circenses eram o grande entretenimento dos brasileiros e palco de grandes nomes como Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Marinês, entre outros.

Genuinamente brasileiro

— Algumas pessoas dizem que o samba é um ritmo genuinamente brasileiro. Mas isso tem muito mais a ver com uma questão de luta de um grupo de pessoas que se organizou para que o mesmo se tornasse patrimônio e tivesse essa visibilidade que tem hoje — aponta Preta, e caracteriza:

— O samba, na célula rítmica, surgiu na África. Não se trata de um ritmo genuinamente brasileiro, por já ser executado em outros países. Genuinamente brasileiro é o forró. Não existe forró sendo tocado nas suas células rítmicas da mesma forma como surgiu no Brasil no fim do século XIX e início do século XX. Essa é a principal razão pela qual eu me motivo a estudar, pesquisar, fazer e propagá-lo.

Levando o forró para os ônibus

Nos ônibus, Preta contagia todos com seu carisma, mas, principalmente, com seu esplendor artístico. Há muitos outros artistas que sobem nos ônibus de Salvador, porém os que mais empolgam as pessoas são aqueles que tocam forró. O povo de Salvador tem forte ligação com suas raízes interioranas e, quando não viajam para o campo e vão até o forró, trazem o forró para a capital.

— Em cada ônibus tem um pequeno teatro. Muitas vezes são pessoas que não têm tempo nem dinheiro para ir até um evento cultural, então eu construo uma cena baseada no forró — explica Preta.

— Hoje há peças desenvolvidas a partir do repertório de Luiz Gonzaga, Marinês – que foi a primeira grande mulher do forró – e de Jackson do Pandeiro. No momento estou escrevendo sobre Trio Nordestino. Então, quando entro [em cena], o que mais posso observar são as pessoas cantando junto, observando e elogiando. Há quem considere a Bahia alheia à cultura nordestina, por ser o estado mais próximo do Sudeste e sua capital, Salvador, ser uma cidade litorânea distante do sertão, tão mencionado nas letras de forró. Desta forma, os baianos teriam supostamente perdido em seu imaginário essa identificação com o Nordeste. Mas, quando eu chego no ônibus, vejo justamente o oposto: as pessoas se identificando com o forró e cantando junto. Mesmo fora da época de São João — expõe.

— Comercialmente, o forró só é trabalhado depois do carnaval até o São João. Mas temos projetos como o Particulino Beira-Mar, a minha iniciativa pessoal de trabalhar nos ônibus, e também o Forró 4º Andar, com preços populares. Temos várias iniciativas pontuais para não deixar o forró perder esse viés de resgatar o que é nosso. Em todo evento que lançamos, a gente faz questão de dizer: O forró é nosso! — vibra Preta.

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