Advogados e democratas são presos na Índia

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Governo persegue também Varavara Rao, importante intelectual revolucionário

Quatro democratas indianos foram presos pela polícia acusados de terem envolvimento com os protestos violentos das massas pobres, no distrito de Pune, estado de Maharashtra, no dia 6 de junho. Dentre eles estão o secretário de Relações Públicas do Comitê pela Libertação dos Presos Políticos (CLPP), Rona Wilson, e o advogado popular Surendra Gadling, membro executivo do CLPP. Os ativistas já tinham sido alvo de perseguição no dia 17 de abril, tendo suas casas invadidas e pertences tomados por unidades policiais. Além dos membros do CLPP, o professor da Universidade de Nagpur, Soma Sen; e o ativista dalit Sudhir Dhavale também foram presos.

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Rona Wilson, do Comitê pela Libertação dos Presos Políticos
Rona Wilson, do Comitê pela Libertação dos Presos Políticos

Todos os ativistas e intelectuais democráticos foram enquadrados na Lei de Prevenção de Atividades Ilegais (LPAI), totalmente arbitrária e que remete a legislações fascistas. Rona Wilson, considerado pelos ativistas democráticos indianos como um importante líder da luta pela libertação dos presos políticos do velho Estado, foi preso no início da manhã do dia 6 e seu processo encontra-se no Tribunal Patiala House, que sancionou sua prisão preventiva a pedido da polícia.

O CLPP se pronunciou em nota de repúdio à prisão dos intelectuais, na qual chama a atenção para o caráter político das operações. O Comitê destaca o papel de Rona Wilson, que “está na vanguarda de numerosas mobilizações contra a aplicação de draconianas leis, como a LPAI, e contra o uso arbitrário da pena de morte contra muçulmanos e dalits”. “Ele é uma voz ativa na campanha pela libertação dos presos políticos que condenam as ações antipopulares do Estado para perseguir os setores marginalizados”, pontua sobre Wilson.

Sobre o advogado popular Surendra Gadling, o CLPP pontua que ele “está defendendo muitas pessoas inocentes enquadradas no âmbito da LPAI e foi fundamental para a libertação de muitos presos políticos”. O Comitê recorda ainda que Gadling é o atual advogado do importante intelectual democrata GN Saibaba, preso desde o início de 2017 e alvo da repressão há anos por denunciar os crimes cometidos pelo velho Estado contra o povo.

A perseguição aos democratas se insere num contexto importante do país, onde se desenvolve uma poderosa Guerra Popular dirigida pelo Partido Comunista da Índia (Maoista), que têm sua base de sustentação e de apoio sobre as massas camponesas dalits e de outros povos tribais oprimidos.

Perseguição contra Varavara Rao

O presidente da Frente Democrática Revolucionária (FDR) da Índia, o escritor e poeta revolucionário Varavara Rao, está sendo alvo de uma maquinação movida pelo governo semicolonial do velho Estado. O líder democrático é acusado de conspirar para o assassinato do primeiro-ministro reacionário Narendra Modi.

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A acusação sustenta-se numa suposta carta que teria sido encontrada em um computador de Rona Wilson. Segundo a polícia de Pune, a carta seria assinada por “camarada M”, que seria um membro do Comitê Central do PCI (Maoista). Nessa suposta carta, o nome de Varavara Rao teria sido citado junto a um tal plano para executar o primeiro-ministro.

O ativista revolucionário afirmou que as cartas são falsas e que há uma tentativa de iniciar uma ofensiva contra as forças populares. “Vocês da imprensa conhecem o estilo de comunicação dos maoistas. Até eu conheço, porque participei de conversas de paz. Alguém com bom senso acreditará que aquilo foi escrito pelo partido maoista?”, dispara ele, em entrevista à imprensa.

Varavara Rao também afirma que o governo do “Partido do Povo Indiano” (BJP, sigla original do partido populista arquirreacionário) está tentando mudar o foco do país para salvar alguns acusados de organizações de extrema direita que atacam as massas dalits e de outras castas inferiores.

Impunidade para agir contra o povo

Enquanto o governo antipovo move maquinações para prender e calar democratas e revolucionários, grupos paramilitares seguem atuando contra as massas, impunemente. Em Purnadih Chatra, no estado de Jharkhand, o conhecido ativista contra as explorações das mineradoras chamado Suresh Oraon, de 27 anos, foi covardemente executado por pistoleiros. Ninguém foi detido ou acusado até agora.

Oraon era camponês proprietário de uma pequena porção de terra afetada pela mina de carvão da companhia monopolista Central Coalfields Limited e, junto com outros camponeses pobres, lutava contra o açambarcamento das terras. O ativista era conhecido e reconhecido como líder comunitário.

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