Konstantin Tsiolkovski: Pai da Cosmonáutica

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No dia 17 de setembro de 1857 na aldeia de Izhevskoe, província de Ryazan, nasceu Konstantin Tsiolkovsky. Seu pai era um guarda florestal de origem polonesa e sua mãe era uma tártara-russa. Aos 10 anos contraiu escarlatina, doença que o deixou parcialmente surdo para o resto da vida.

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Tsiolkovsky, o primeiro a calcular o valor da velocidade de escape da Terra
Tsiolkovsky, o primeiro a calcular o valor da velocidade de escape da Terra

A surdez o privou da vida social típica de uma criança. Não frequentou a escola regular e se tornou um autodidata. Costumava dizer que os livros foram seus professores. Entre os 16 e 19 anos viveu em Moscou, onde aos trancos e barrancos estudou Astronomia e Matemática.

Economizava dinheiro comendo o chamado pão preto para comprar livros e materiais para seus experimentos. Voltou à sua aldeia natal, onde se tornou professor alfabetizando crianças. Em 1878, mesmo sem um diploma universitário, foi nomeado professor de Aritmética e Geometria no liceu de Borovsk. No ano de 1881 apresentou à Sociedade de Física e Química de São Petersburgo sua “descoberta” da Teoria Cinética dos Gases (que já havia sido desenvolvida por Clausius, Maxwell e Boltzmann).

Foi considerado um louco trapaceiro e acusado de representar teorias formuladas há muito tempo. Mas Dimitri Mendeleiev, o mais notável químico russo e autor da Tabela Periódica dos Elementos Químicos, viu que diante de si havia um homem simples de província, autodidata, que vivia longe dos centros de pesquisa e laboratórios e que sem recursos, além de sua capacidade intelectual, conseguiu realizar em pouco tempo uma descoberta que envolveu o trabalho de vários cientistas durante muito anos. Com o apoio de Mendeleiev, foi admitido como membro da Sociedade de Física e Química de São Petersburgo no ano seguinte.

Em 1883, Tsiolkovsky escreveu seu primeiro livro de Astronáutica intitulado “O Espaço Livre” em que concebeu um veículo para viajar até a Lua. A seguir, escreveu “Teoria e Prática do Aeróstato”, mas sofreu uma mudez temporária, em 1887, que o impediu de concretizar esse projeto. Além disso, um incêndio destruiu completamente sua casa, biblioteca e laboratório.

Em 1891 um outro infortúnio: a Sociedade Técnica Imperial Russa negou-lhe o apoio para a construção do Aeróstato (dirigível de estrutura metálica), alegando que o mesmo não tinha uma importância prática considerável. Oito anos mais tarde, o mundo assistiu ao invento do alemão Ferdinand von Zeppelin e a  Sociedade Técnica Imperial Russa deve ter se arrependido de não financiar o projeto de Tsiolkovsky. Em 1892 passou a viver em Kaluga, cidade localizada às margens do rio Oka.

Foi o primeiro cientista a calcular o valor da velocidade de escape da Terra. Realizou testes utilizando como propulsores de foguetes o oxigênio líquido e o hidrogênio líquido. Elaborou a chamada Equação de Foguetes de Tsiolkovsky, que considera a conservação do momento linear como princípio para a propulsão. No ano de 1893 escreveu “Na Lua”, trabalho em que descrevia as condições para exploração lunar que foram comprovadas nas missões espaciais ao satélite natural da Terra ocorridas mais de 70 anos depois. Dizia que “a Terra é o berço da humanidade. Mas não se pode viver no berço para sempre” defendendo que o futuro do ser humano estava na colonização de outros planetas. Em 1895 na sua obra “Sonhos da Terra e do Céu”, Tsiolkovsky projetou um ecossistema que poderia garantir a sustentabilidade da tripulação durante as missões espaciais.

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Após o triunfo da Revolução Socialista de Outubro de 1917, Tsiolkovsky se tornou membro da Academia de Ciências de Moscou depois de mais de uma década de ostracismo científico. Na década de 1920, foram impressas e distribuídas nas escolas e universidades da União Soviética milhões de cópias de seus trabalhos. Tsiolkovsky escreveu sobre suas inclinações socialistas mesmo antes da Revolução Bolchevique e culpava o regime czarista pela não aceitação de seus trabalhos. De acordo com um de seus biógrafos, a filosofia pessoal de Tsiolkovsky era o socialismo soviético.

Em 1o de maio de 1935, milhares de cidadãos soviéticos se reuniram na Praça Vermelha para celebrar o Dia Internacional dos Trabalhadores. No final do evento uma voz fraca de um homem com 77 anos de idade ecoou nos alto-falantes sobre o Mausoléu de Lênin. Era Tsiolkovsky que dizia:

“Agora camaradas, eu estou finalmente convencido de que meu sonho das viagens espaciais, cujos fundamentos teóricos foram por mim elaborados, será realizado. Eu acredito que muitos de vocês serão testemunhas da primeira jornada humana para além da atmosfera. Na União Soviética temos muitos jovens pilotos e eu coloco minhas mais audazes esperanças neles. Eles ajudarão a concretizar minhas descobertas junto com os talentosos construtores do primeiro veículo espacial. Heróis e homens de coragem irão inaugurar as primeiras rotas espaciais: Terra à órbita da Lua, Terra à órbita de Marte, e ainda mais longe: Moscou à Lua, Kaluga à Marte!”. A Praça Vermelha explodiu em aplausos, puxados por ninguém menos que o camarada Stalin.

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Em testamento, Tsiolkovsky atribuiu seus êxitos ao socialismo
Em testamento, Tsiolkovsky atribuiu seus êxitos ao socialismo

No início de setembro de 1935 Tsiolkovsky foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor no intestino. Poucos dias depois ele ditou uma carta endereçada ao camarada Stalin e ao Comitê Central do Partido Comunista da URSS, na qual declarava:

“Antes da revolução, meu sonho não poderia ser materializado. Entretanto, Outubro trouxe o reconhecimento dos meus esforços como autodidata. Apenas o governo soviético e o partido político de Lenin e Stalin me prestaram assistência efetiva. Eu senti o amor de nosso povo e isso me deu forças para continuar o trabalho, embora eu já estivesse doente nesta época. Todos os meus esforços relacionados à aviação, à propulsão de foguetes e às viagens interplanetárias, deixo como testamento ao Partido Bolchevique e ao governo soviético, como orientação genuína no progresso da cultura da humanidade. Tenho certeza de que esse gesto concluirá com sucesso o trabalho que comecei.”

A resposta veio rapidamente nos seguintes termos: “Ao ilustre cientista, Camarada K. E. Tsiolkovsky: Aceite meus agradecimentos pela carta e a completa garantia do Partido Bolchevique e do governo soviético. Desejo-lhe saúde e trabalho produtivo em prol de todos os trabalhadores do nosso país. Com um firme aperto de mão, J. Stalin”.

Konstantin Tsiolkovsky morreu em Kaluga em 19 de setembro de 1935.

A história desse grande cientista comprova o poder da vontade humana para realizar grandes empreendimentos. Vale destacar como o sistema socialista é capaz de proporcionar o desenvolvimento científico e tecnológico sem abrir mão de atender às necessidades do povo. Foi a URSS que lançou ao espaço o primeiro satélite (Sputnik) e o primeiro ser humano (o cosmonauta Yuri Gagárin).

O primeiro homem na Lua não foi um cidadão soviético porque após a morte de Stalin, em 1953, o comando do país ficou nas mãos do renegado Kruchev e sua quadrilha revisionista, dedicados à restauração do capitalismo na URSS.

Atualmente a única maneira de se chegar a Estação Espacial Internacional (EEI) é por meio de uma cápsula Soyuz montada em um foguete R-7, tecnologias russas que, embora representem o atual imperialismo russo, têm em sua essência os desenhos desenvolvidos durante a primeira fase do Programa Espacial Soviético. Essas conquistas foram a materialização do sonho de Tsiolkovsky.

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