Novidade arqueológica: Pesquisas revelam que Guarani ocupavam território maior do que se pensa

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Livros e outros textos de História talvez tenham que ser  parcialmente reescritos. E grandes fazendeiros, latifundiários inimigos dos indígenas, perdem cada dia mais seus argumentos sobre seu pretenso direito à posse de vastíssimas áreas de terra.

Banco de dados AND
Guarani e Kaiowá em homenagem à liderança Clodiodi de Souza, assassinado pelo latifúndio. Caarapó, MS, 06/2016
Guarani e Kaiowá em homenagem à liderança Clodiodi de Souza, assassinado pelo latifúndio. Caarapó, MS, 06/2016

Até pouco tempo atrás, as informações eram de que existiam no Brasil cerca de 1100 sítios arqueológicos (principalmente vestígios de aldeias) da tradição Tupi-Guarani, georreferenciados, classificados como pertencentes aos ancestrais dos povos Guaranis. Hoje, porém, arqueólogos e historiadores (com o auxílio de pesquisadores indígenas) já descobriram que o número é muito maior. Passam de 4.500 os sítios Guaranis, comprovados por farto material bibliográfico, que foram inseridos nos bancos de dados de estudiosos e que estão servindo ao mais completo mapeamento sobre terras indígenas já feito no país e que está acessível na internet.

Trata-se do Mapa Guarani Digital Yvyrupa ou Yvy Rupa (que significa espaço de terra ou território, tanto na acepção geográfica quanto socio-cosmológica). É um portal colaborativo feito de parceria entre o CTI (Centro de Trabalho Indigenista) e membros da tribo que participam da CGY (Comissão Guarani Yvyrupa).

O objetivo do mapa é auxiliar o monitoramento das  demarcações das terras Guaranis, assunto que tem preocupado muito essa população originária devido aos crimes contra ela protagonizados pelo velho Estado e seus cúmplices das classes dominantes.

O mapa contém todas as aldeias Guaranis atuais (com informações variadas sobre elas, incluindo a situação fundiária de cada uma) e numerosos sítios arqueológicos, embora nem todos os 4.500 tenham sido incluídos ainda. Estes são considerados importantes para lembrar “que a cultura existia muito antes da chegada dos europeus”, afirma o portal. Há também registros de aldeias antigas, espaços que já foram ocupados e que com o tempo ficaram vazios de indígenas. “A maioria devido às expulsões, ataques ou despejos. Saídas forçadas, enfim. É muito forte a memória da ocupação das  aldeias antigas”, diz o coordenador do portal, o antropólogo Daniel Calazans. “Hoje os índios estão lutando para voltar a esses espaços e mostrá-los no mapa é a única forma de deixar claro que o território indígena encolheu em pouquíssimo tempo”, frisa ele.

O CTI e a CGY pretendem realizar em breve um mapeamento de aldeias antigas que não estejam na memória dos anciãos vivos, como é comum verificar-se atualmente, mas que figurem em documentos históricos.

O mapa contém ainda um conjunto de informações georreferenciadas sobre aldeias e espaços retomados pelo povo Guarani e Kaoiwá do Mato Grosso do Sul, levantados por pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e pelo Aty Guaçu (Grande Conselho ou Assembleia do Povo Guarani e Kaiowá). O mapa, desde que foi lançado, vem sendo atualizado constantemente. Por exemplo: o historiador Francisco Noelli, nome vinculado hoje ao Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e um dos dedicados pesquisadores responsáveis pela descoberta de que o povo Guarani possui mais de 4.500 sítios arqueológicos e não apenas 1.100, adiantou ao AND que em breve irá inserir no portal outra boa quantidade de sítios georreferenciados.

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