Carta do leitor

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O artigo de análise da greve dos caminhoneiros* em várias pontos contradiz o Editorial. Não é verdade que “expressivos setores” dos caminhoneiros apoiaram a intervenção militar, isso é discurso do oportunismo. Uma coisa é dizer que a greve foi um locaute, como fez todo o oportunismo e o governo, outra é querer negar a existência do locaute. O que ao fim e ao cabo foi o principal é que os caminhoneiros souberam usar o interesse dos empresários em parar o transporte para potencializar a greve. Isto é tão evidente pois nenhuma reivindicação dos empregados das empresas foi levantada. Por que será? Outra: o movimento chegou ao fim não foi porque reivindicações dos autônomos foram atendidas (os autônomos reivindicavam o preço de R$ 2,50 para o diesel, muito longe do resultado final, e a não cobrança do pedágio para o eixo suspenso é algo quase insignificante dentro da massa de pedágio que pagam, pois os autônomos quase não rodam sem carga, ficam mofando aguardando as mesmas). O acordo atendeu essencialmente os empresários. A greve terminou pois, com o acordo, os empresários ordenaram a seus funcionários rodarem, dividindo as massas e, combinado com as ameaças repressivas, criou uma situação difícil para os autônomos. As verdadeiras lideranças dos autônomos nunca participaram de nenhuma negociação, eles apenas agitavam a rejeição do acordo feito por pelegos e entidades empresariais. A grande questão da greve e neste sentido sua vitória foi essencialmente política: grande aprendizado destas massas de como se organizarem e como coordenarem-se, sabem mais do que nunca que podem parar o país. Não só ganharam o apoio da população, mais que isto: a greve mobilizou e politizou as massas, principalmente as mais pobres e as das “classes médias” mais baixas, ademais da aceitação da imensa maioria da população, maior do que qualquer outro movimento nas últimas décadas. O povo viu na greve, ao paralisar o país e deixar o governo correndo feito baratas tontas, parte de sua indignação e revolta realizadas, ele não só concordou, mas apoiou em opinião, como se organizou no país inteiro em grupos para levar comida, água, abriram suas casas para os motoristas tomarem banho etc.

Márcio Silva, caminhoneiro aposentado.

*Aparentemente, o autor refere-se a dois textos: Energia para lutar, do Igor Mendes, e Greve dos caminhoneiros e o modal rodoviário do capitalismo burocrático, de D. Aroeira, publicados na edição nº 211.

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