120 dias da execução política impune de Marielle Franco e o silêncio cúmplice

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O fechar de uma porta, o esboroar de um mito

No dia 12 de julho fez 120 dias dos assassinatos da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes. Um protesto ocorreu no dia 12 na Cinelândia, com o nome “Quantos mais terão que morrer para que essa guerra acabe?”, recordou a execução de Marielle e o assassinato do jovem Marcos Vinícius, da Maré.

Especialmente sobre Marielle e Anderson, ambos foram mortos a tiros na noite de 14 de março e o crime ainda não foi solucionado. As autoridades responsáveis alegam investigação em sigilo. A verdade é que estão fazendo silêncio cúmplice para o assunto perder força. Sobretudo o Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que outrora declarou que a investigação estava já caminhando para a fase final. Nada foi apresentado à parcela da população que tem em Marielle uma representação da luta de um povo explorado e covardemente assassinado diariamente.

A execução de uma defensora dos chamados “direitos humanos”, da esquerda pacífica e legalista que escolheu o caminho parlamentar é o fechar de uma porta, o esboroar de um mito. A política passa, a partir de sua morte, a ser operada pela via armada, pela violência. A ilusão de um “Estado Democrático de Direito”, de um espaço livre e acessível para todos defenderem suas convicções numa grande festa da liberdade: esfumaçou-se. A realidade nua e crua de que o Estado é um instrumento de opressão de uma classe sobre a outra, opressão de um punhado sobre as amplas massas, impôs-se estupidamente. De que adianta, ao bem intencionado, vencer as eleições? (Algo já extremamente difícil pelas próprias “regras do jogo”). Quem garantirá que ela ou ele vai manter-se no cargo; ou pior ainda: quem garantirá que ela ou ele poderá exercer suas ideias? O recado dado pelos reacionários com a execução de Marielle foi afirmativo, em alto e bom som: este Estado é nosso e nós mandamos nele. De fato, eles têm alguma razão: o Estado é deles. Por essa via, ninguém bem intencionado pode dar-lhes uma resposta, tampouco pode oferecê-la ao povo que clama por uma transformação.

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O comando das Forças Armadas sobre a segurança pública, resumiu-se a operações milionárias nas favelas cariocas sem nenhum resultado efetivo, além de mais mortes. Uma grande onda de assaltos e mortes continuam a aterrorizar moradores na cidade, sobretudo nas áreas mais pobres. Nenhuma providência às reais necessidades do povo são oferecidas. Com o suposto intuito de “diminuir a violência”, a intervenção, até agora, só entregou como resultado um punhado de fracassos e a morte de uma vereadora com atuação no movimento popular, tudo sob a sua tutela.

O discurso do investimento em segurança e a intervenção militar preparam o campo para o velho Estado entrar numa ofensiva de total repressão ao povo para sustentar a falência do imperialismo.

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