38o ENEPe reafirma o caminho da luta

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Estudantes de pedagogia assumem a vanguarda do movimento estudantil

O dia 11 de julho é um marco para a pedagogia brasileira combativa e de luta. Realizou-se o 38° Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe) na Universidade Estadual de Alagoas (Uneal). O encontro teve como lema: Contra a intervenção militar: em defesa da gratuidade, democracia e autonomia das universidades.

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Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia ocorreu na Uneal, município de União dos Palmares (AL)
Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia ocorreu na Uneal, município de União dos Palmares (AL)

Estavam presentes mais de 400 estudantes representando 12 delegações, de Norte a Sul do país, elevando a importância de um plano de lutas para a pedagogia ao nível nacional. Um dos integrantes da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) aponta o 38° ENEPe como “o coroamento do novo salto político e organizativo do movimento de pedagogia”, rumo à expansão do novo movimento estudantil independente e combativo.

O Plano de Lutas, votado e discutido pelos 160 presentes na plenária final, conta com 17 pontos, entre eles: “defender a universidade pública, gratuita e democrática, lutando por transformá-la em trincheira da luta de classes”, “defender as escolas do campo vinculando-se à luta camponesa”, “defender as ocupações como forma de luta radicalizada”, “apoiar as campanhas de boicote às eleições e contra o golpe militar contrarrevolucionário em curso”, entre outros. Foram votadas também as novas sedes para o 23º Fórum Nacional dos Estudantes de Pedagogia (FoNEPe) e 39º ENEPe. As cidades-sedes serão Juazeiro (BA) e Guarulhos (SP), respectivamente.

No encontro foram denunciadas pelas delegações o oportunismo e imobilismo de suas universidades. Os estudantes foram boicotados por suas reitorias que, aliadas ao movimento estudantil burocrático e oportunista, tentaram de todas as formas impedir sua participação no evento. Práticas como cancelar o ônibus dos estudantes de última hora foi um dos casos. Frente às dificuldades, os estudantes se mobilizaram para vender brigadeiros, paçocas e outros, levantando fundos para pagar os ônibus e todos os seus gastos de forma independente.

A luta dos estudantes para ir ao Encontro confrontou-se por toda parte com as sabotagens do oportunismo em sua vã e desesperada tentativa de dividir o movimento de pedagogia. Isto após fracassarem com seu “38o ENEPe” fantasma, para o qual só conseguiram enganar um punhadinho de estudantes traficando com o nome da ExNEPe. Como a ExNEPe afirma em seu manifesto, “o que se coloca como dois caminhos para a pedagogia hoje é o do ponto de vista ideológico: classismo ou existencialismo; do ponto de vista político: combatividade ou imobilismo; do ponto de vista orgânico: independência ou a triste condição de satélite da UNE”.

Mesas de debate

Um dos convidados do evento, o professor Batista, da Escola Popular, participou de um debate sobre autonomia universitária, no qual expôs que nunca ocorreu nas universidades do Brasil uma profunda reforma democrática, sendo essa instituição ainda posta a serviço de três classes específicas: o latifúndio, a grande burguesia e o imperialismo. O professor foi enfático no que deve ser o papel das universidades: “Servir às classes populares. Uma universidade nacional, científica e de massas. Uma universidade de novo tipo”.

Batista ressaltou a importância de lutar pelo co-governo estudantil, ou seja, uma direção composta metade por estudantes e metade pelos trabalhadores em educação, defendendo os estudantes na linha de frente da gestão de suas universidades. “Devemos seguir o exemplo dos estudantes combatentes da Uerj com o Ocupa Bandejão, e transformar as universidades em verdadeiras trincheiras de combate!”, afirmou.

Também esteve presente no evento a professora, escritora e doutora em educação Marilsa Miranda de Souza. Ela expôs sobre o tema 200 anos de Karl Marx - Marxismo e Educação, bem como fez a divulgação de seu livro e tese de doutorado Imperialismo e educação no campo.

Em sua palestra, explicou sobre a perspectiva marxista sobre a educação, contrapondo às teorias subjetivistas e pós-modernistas que focam apenas no indivíduo e seu crescimento pessoal e negam a principalidade da educação política e a forja da prática social.

Com a palavra, apontou o que Marx pensava como essencial para uma educação com caráter de classe e a serviço do povo: “Um ensino que una a instrução intelectual, a educação física e a introdução tecnológica” e ressaltou a importância da “união do trabalho manual com o trabalho intelectual em nossas escolas”. Porém, sem ilusões com esse velho Estado burguês-latifundiário, Marilsa afirma: “Nenhuma proposta de educação verdadeiramente popular e democrática pode ser implementada sem, antes, a classe operária se apropriar dos meios de produção. A principal questão é a tomada do poder. Para construir a educação socialista é preciso primeiro alcançar o socialismo”.

Houve também uma mesa sobre a situação política nacional, no qual participaram os ativistas Igor Mendes e Raimundo, este último das Brigadas Populares do Pará. Eles ressaltaram a profunda crise geral que assola o país, a marcha de um golpe de Estado militar e a necessidade de uma profunda transformação social via revolução.

Protesto contra prática fascista

No dia 13 de julho, cerca de 200 estudantes dos 400 inscritos no 38° ENEPe realizaram uma manifestação em frente a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em Maceió. O objetivo foi rechaçar a atitude antidemocrática e autoritária da reitoria da universidade.

A universitária Tarsila Pereira, da ExNEPe, ingressou na Ufal para o primeiro semestre de 2018 no curso de pedagogia e passou a frequentar as aulas como ouvinte no fim de 2017, com a total permissão dos professores. A estudante, no entanto, foi expulsa pela reitoria em uma das aulas, sendo-lhe negado seu direito como aluna ouvinte. Ela também teve sua matrícula cancelada.

A combativa manifestação dos estudantes liderada pelos organizadores do 38o ENEPe também levantou pautas como Contra a falsa regulamentação da profissão de pedagogo e Pela gratuidade, democracia e autonomia nas universidades. Os estudantes fecharam uma via do campus da Ufal. Depois marcharam até a frente da reitoria.

Uma comissão de estudantes da Executiva Nacional, representando dez estados do país, reuniu-se com a reitoria da Ufal exigindo uma retratação sobre o processo de expulsão da estudante Tarsila. A reitoria se negou a fazer a retratação até o momento.

Movimento Feminino Popular

O último dia do 38° ENEPe foi marcado por uma apresentação do Movimento Feminino Popular (MFP), no qual participaram aproximadamente 100 estudantes mulheres. Muito participativas, as jovens destacaram que todo o seu engajamento político iniciou-se com a questão feminina.

“O primeiro texto que li sobre política comunista foi o Lenin e o Movimento Feminino.”, recorda uma estudante. Outra ativista também afirmou que as mulheres do povo devem “tomar como exemplo a camarada Norah, do Partido Comunista do Peru, responsável pelo mando militar e integrante do Comitê Central; e nos 60% dos combatentes do Exército Guerrilheiro Popular de Libertação do Partido Comunista da Índia (Maoista), que são mulheres”.

Uma das militantes do movimento declarou que o MFP é marxista-leninista-maoista, com o principal objetivo de “mobilizar, politizar e organizar as mulheres trabalhadoras à participação na luta de classes”. O MFP compreende que “a opressão feminina só será completamente eliminada no comunismo, mas em seu processo de construção temos que elevar cada vez mais a prática social da mulher proletária, formando dirigentes comunistas que lutem contra o latifúndio, o imperialismo e o capitalismo burocrático; pela revolução”.

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