Varavara Rao e outros democratas indianos são presos!

A- A A+
 

Em um absurdo caso de perseguição política, o poeta e escritor revolucionário Varavara Rao foi preso na cidade de Hyderabad, no estado de Telangana, na Índia. A prisão política foi executada pela polícia do departamento de Pune no dia 28 de agosto. Esse é o desfecho de uma maquinação movida pelo governo no objetivo imediato de calar as vozes democráticas que se levantam em defesa dos direitos do povo.

Banco de dados AND
Varara Rao no exato momento em que foi levado à prisão, agosto de 2018
Varara Rao no exato momento em que foi levado à prisão, agosto de 2018

Equipes especiais da polícia de Pune, auxiliadas por suas contrapartes locais de Telangana, também invadiram o apartamento do genro de Varavara Rao, o jornalista K.V. Kurmanath, e do fotógrafo T. Kranthi. A operação para encarcerá-los iniciou-se às 7 horas da manhã, mobilizando duas equipes que revistaram os apartamentos. Os seus celulares também foram tomados.

Membros e ativistas democráticos vinculados a inúmeras entidades se concentraram próximos aos apartamentos onde estava sendo realizada a operação. Eles exibiam cartazes com consignas denunciando o caráter político da prisão. Um deles estampava: Estão tentando suprimir as vozes democráticas que questionam Modi!.

O escritor revolucionário foi levado ao hospital Gandhi para fazer um exame geral e será apresentado na corte criminal de Nampally.

Maquinação e prisão política

Além de importante intelectual progressista, Varavara Rao é também o atual presidente da Frente Democrática Revolucionária (FDR). Outro membro da FDR que está preso é o professor G.N. Saibaba, acusado de vínculos com o Partido Comunista da Índia (Maoista) sem, no entanto, qualquer indício razoável ou prova – o que expressa a sanha arquirreacionária do governo em encarcerar os democratas e revolucionários.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

A maquinação para prender Varavara Rao ganhou impulso com a prisão do advogado popular e Secretário de Relações Públicas do Comitê de Defesa dos Presos Políticos, Rona Wilson. Segundo a polícia de Pune, no computador de Wilson teria sido apreendida uma carta assinada por “camarada M”, que seria um membro do Comitê Central do PCI (Maoista). Na carta, o fictício dirigente cita Varavara Rao e vincula-o a um plano para executar Narendra Modi. A carta, no entanto, destoa em padrão e conteúdo de todos os documentos ou mensagens oriundas dos maoistas.

“Vocês da imprensa conhecem o estilo de comunicação dos maoistas. Até eu conheço, porque participei de conversas de paz. Alguém com bom senso acreditará que aquilo foi escrito pelo Partido?”, disparou Varavara Rao, em entrevista à imprensa em junho, quando do aparecimento da carta fabricada. Na ocasião, o presidente da FRD alertou ainda que se iniciava ali uma ofensiva contra as forças populares desencadeada pelo governo Modi no objetivo de mudar o foco da atenção do país para salvar alguns acusados de organizações de extrema direita que atacam pessoas de castas inferiores como os dalits – crimes de milícias e grupos fascistas contra as massas oprimidas.

Mais terrorismo de Estado

Além dessas operações contra Varavara Rao e outros democratas em Hyderabad, unidades policiais de outros estados lançaram também invasões às residências de vários ativistas engajados na denúncia democrática contra a repressão e os desmandos do governo Modi simultaneamente.

Nas cidades de Mumbai, Delhi, Ranchi e Goa ocorreram operações de busca e apreensão e até de condução coercitiva. A casa da advogada do povo, Sudha Bharadwaj, foi invadida e ela foi levada sob custódia, também no dia 28. Outros ativistas, advogados e intelectuais, como Susan Abraham, Vernon Gonzalves, Arun Farreira, Anand Teltumbde e Gautam Navlakha.

Em Maharasthra, no mesmo dia, às 6 horas da manhã, a polícia invadiu a casa do padre Stan Swamy, em Ranchi. O democrata foi obrigado a dar um depoimento à repressão e teve vários pertences confiscados, como computadores, laptops, livros e papéis.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja