Pioneira na palhaçaria feminina

Com 27 anos de palhaçaria, a atriz cômica e militante da causa da comicidade feminina, Karla Concá, trabalha firme para avançar ainda mais em um espaço antes totalmente masculino. Enfrentando preconceitos e dificuldades diversas, Karla  e suas companheiras de cena fundaram em 1991 o grupo As Marias da Graça, pioneiro na palhaçaria feminina, e mais tarde o Festival Internacional de Comicidade Feminina – “Esse Monte de Mulher Palhaça”, já na 6ª edição.

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Karla Concá em companhia de seu grupo As Marias da Graça

— Sou a primeira geração circense da minha família. Cursava uma escola de teatro, a CAL, aqui no Rio de Janeiro, e todos diziam que eu era muito engraçada, que deveria ser clown, mas isso era muito distante para mim, eu queria ser atriz dramática. Até que um dia lá na CAL, a Ana Luisa Cardoso disse que teria um curso de palhaçaria, todo mundo da turma me incentivou a fazer e lá fui eu fazer o tal curso — conta Karla.

— Foi um curso transformador na minha vida, porque vi que era exatamente aquilo que queria fazer. Eu estava me formando na escola de teatro nessa época, e descobri que podia rir de mim mesma e fazer os outros rirem, rir do meu ridículo e ainda fazer os outros rirem eu falei: “é isso, é essa liberdade que eu quero ter” — expõe.

— Era uma turma de 14 pessoas, sendo somente um homem, que logo desistiu, ficando só as mulheres. Eu e todas as meninas que estavam no curso começamos a desejar trabalhar com palhaçaria. Quando o curso terminou, perguntamos para o professor o que faríamos a partir dali. Ele era argentino e estava indo embora, então respondeu: “Ah, vão para a rua”, e assim nós fizemos — recorda.

No início foi bastante complicado essa empreitada. Segundo Karla, elas ouviam piadinhas desagradáveis e ofensas.

— A princípio, em 1991, éramos sete mulheres palhaças na rua, e então já se pode imaginar que não foi fácil, porque se hoje em dia muitas pessoas ainda ficam meio abismadas, e ainda perguntam “existe mulher palhaça?” imagina há 27 anos. Foi um escândalo, as pessoas achavam que éramos travestis, falavam: “olha o palhaço”, e nós dizíamos: “palhaça” — conta.

— Desde que resolvemos ser palhaças, nós ouvimos dos homens palhaços: “mulher não pode ser palhaça”, e não entendíamos o motivo pelo qual uma mulher não poderia. Nós  só queríamos ser palhaças, fazer aquilo que gostamos, não tínhamos ideia que estávamos mexendo em um sistema patriarcal fortíssimo. O circo é muito patriarcal, estávamos entrando em uma profissão que aparentemente era para homens — continua.

— Então nos fizemos esta pergunta: “por que mulher não pode ser palhaça?” e fomos atrás da resposta. Estudamos e lidamos muito com isso, e entre outras coisas, observamos que palhaço é aquele que ri dele mesmo, que se ridiculariza, é aquele que erra, que não tem a obrigatoriedade do acerto, enquanto que a mulher dentro da sociedade é aquela que não pode errar, que está ligada a perfeição: a mulher mãe, a dona de casa, enfim, mulher não pode errar, logo, não pode ser palhaça — continua.

Questionando o papel feminino

— O palhaço é ligado ao riso extravagante, enquanto que a mulher tem que ser moderada, basta ver os desenhos de princesas rindo com aquela mãozinha na boca, nada de gargalhadas. Quantas vezes mulheres acompanhadas dos namorados, maridos, são censuradas por darem uma gargalhada:  “Nossa, ri um pouco mais baixo, você está sendo muito escandalosa” eles dizem. “Você está parecendo aquelas mulheres”, continuam, referindo-se as prostitutas, às mulheres do cabaré — fala Karla.

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