Mudança imposta

Você está com sua vida tranquila, tem um emprego para o qual você se capacitou, tem casa para sua família, se alimenta bem diariamente, se diverte nos fins de semana e, depois de um tempo, tudo que você acreditava ser seguro desaba devido a questões políticas envolvendo disputas entre frações das classes dominantes de seu país e ditames imperialistas que lançam o povo na miséria. Você perde seu poder de compra, o capitalismo que você tanto aplaudia é agora o causador da sua desgraça. Você não vê saída, pois falta dinheiro, falta comida, acabou o poder de compra, acabou o que comprar. Sua família passa necessidade, você perde o emprego, então reúne sua família e decidem tentar a vida em outro lugar, outro país, outra cultura.

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A rota dos venezuelanos é de Paracaima até Boa Vista ou Manaus, onde buscam maior estabilidade (Foto: Ellan Lustosa/AND)
A rota dos venezuelanos é de Paracaima até Boa Vista ou Manaus, onde buscam maior estabilidade

Esse é basicamente o relato que ouvi ao conversar com vários venezuelanos que encontrei por Boa Vista e Pacaraima (pequeno município fronteiriço com a Venezuela, no estado de Roraima). A grande maioria deles nos sinais de trânsito, tentando  vender algo ou pedindo emprego. Quase todos possuíam emprego no seu país de origem, tinham profissão. Encontrei professores, técnicos, mecânicos, petroleiros, operários, artistas, militares, entre muitos outros. Os que não trouxeram a família tentavam sozinhos arranjar trabalho para enviar dinheiro aos seus parentes na Venezuela.

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Abandonados pelos governos, venezuelanos vivem na miséria em Roraima (Foto: Ellan Lustosa/AND)
Abandonados pelos governos, venezuelanos vivem na miséria em Roraima

Divididos entre as ameaças imperialistas ianques, as pugnas entre frações das classes dominantes no país e um governo que aprofundou a crise do capitalismo burocrático na Venezuela, muitos imigrantes chegam ao Brasil e pedem refúgio ao governo ou entram mesmo ilegalmente. Muitos, que tinham bons empregos lá, se submetem a qualquer emprego para poder comer. Morando em barracas de plástico nas ruas dessas cidades, são vítimas de xenofobia por parte da população brasileira que vê, por seu lado, deteriorar ainda mais a já miserável condição dos municípios, graças ao abandono dos governos. Ante isso, um pequeno setor mais reacionário insiste em culpar venezuelanos por tudo que acontece na cidade, jogar povo contra povo, aliviando os verdadeiros culpados, aqueles engravatados, em Brasília e nos palácios de Roraima, que viraram as costas para os brasileiros e para os venezuelanos.

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Velho em busca de trabalho expõe suas profissões em painel (Foto: Ellan Lustosa/AND)
Velho em busca de trabalho expõe suas profissões em painel

A quantidade de venezuelanos que passa pelas mãos da ONU é menor que o verdadeiro fluxo da imigração. Mais uma vez é falso o discurso do governo federal, serviçal do imperialismo, de que está cuidando desses irmãos de fronteira. Seus objetivos são de responder aos interesses dos monopólios ianques. E novamente quem paga são os povos: o brasileiro e o venezuelano.

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Família de imigrantes vivem na rua, Pacaraima, 2018 (Foto: Ellan Lustosa/AND)
Família de imigrantes vivem na rua, Pacaraima, 2018

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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