Editorial - Militarização das eleições reflete a profunda crise

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A crescente intervenção militar na vida nacional atropelando as decisões das instituições do velho Estado brasileiro – tais como o uso de tropas federais para reprimir os protestos populares em Brasília, logo a ameaça e coação sobre o Supremo Tribunal Federal exercida pelo comandante do Exército general Villas-Boas quando era votado o habeas corpus para Luiz Inácio; a decretação da Garantia da Lei e da Ordem para intimidar os caminhoneiros e as massas populares que apoiavam sua greve nacional, além da intervenção no Rio de Janeiro para massacrar os pobres das favelas sob o pretexto de combater o “crime organizado” – estendeu-se até mesmo ao farsante processo eleitoral. Isso ocorreu pelas mãos do mesmo comandante do Exército que “convidou” os candidatos a presidente para uma sabatina. São fatos que por si mesmos desmascaram os cacarejos sobre “Estado Democrático de Direito” dos defensores desta velha ordem, desnudam a natureza de classe latifundiária/burguesa e semicolonial/semifeudal do velho Estado brasileiro e deixa patente a completa falência de seu sistema político oligárquico e corrupto.

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E para deixar escancarada a escalada da intervenção militar, o mesmo general afirma, em entrevista a um órgão do monopólio de comunicação, que o resultado das eleições pode ser questionado em sua legitimidade. Há que ressaltar aqui que, nesse caso, o termo “legitimidade” assume nitidamente o caráter de classe acima referido. Mas não deixa de soar como pilhéria, pois desde o engodo do “Plano Cruzado” (quando mal retornava o país ao governo civil) o processo eleitoral vem sendo impactado por crescente abstenção, votos nulos e brancos da população decepcionada e desacreditada com os sucessivos governos, ocupados já por praticamente todas as principais siglas do Partido Único – os quais não passam de meros gerenciamentos de turno a serviço dos interesses do imperialismo, principalmente ianque e dos seus lacaios da grande burguesia e latifundiários. Na grave crise política e moral em que se afunda o país, mais do que nunca, a farsa eleitoral carece de qualquer legitimidade, menos ainda para expressar a vontade do povo brasileiro.

Esta falta de legitimidade provém diretamente do fato de as eleições serem tocadas na base da corrupção e do dinheiro grosso expendido por corporações estrangeiras, principalmente ianques, por bancos e empreiteiras locais. Soma-se a isso o fato de que as bases eleitorais da maior parte do país são dominadas por seculares oligarquias de origem escravocrata, semifeudal e semicolonial.

Claro está que numa eleição de Partido Único como essa, o fato de um alto mando das Forças Armadas levantar a hipótese de questionamento do seu resultado é a demonstração patente da crise de dominação das classes exploradoras, cujas frações e correspondentes grupos de poder se engalfinham numa luta à morte pelo posto de dirigente do velho e podre Estado brasileiro.

Não por outra razão o alto comando das Forças Armadas pôs em marcha ações para, sob a retórica da preservação das “instituições democráticas”, criar opinião pública para sua intervenção sob cobertura constitucional, uma vez que incumbiria às Forças Armadas a defesa da “ordem interna” – ou seja, a manutenção das corruptas e carcomidas instituições deste velho Estado, dos grandes burgueses e latifundiários, serviçais do imperialismo, principalmente ianque.

Como se verifica na realidade, a irrefutável situação explosiva de crescentes descontentamento e revolta das massas populares, no campo e na cidade, com toda esta situação apodrecida, impossibilita o restabelecimento pacífico da velha ordem. Isso é comprovado pelos levantes ocorridos a partir de 2013, nos quais as massas já mandaram o recado de que não aceitam mais viver a opressão e a espoliação vivida até então. Na verdade, a discurseira do general é a tergiversação do golpe de Estado militar contrarrevolucionário preventivo ao inevitável levantamento geral do povo brasileiro.

Usando como laboratório a intervenção militar no Rio de Janeiro, na qual intensificaram a guerra civil reacionária contra o povo pobre e preto, puderam medir o pulso das massas. Pelo que se vê, tiraram a conclusão que deveriam aumentar a letalidade da intervenção com o aumento dos assassinatos do povo nas favelas – população que, secularmente, viu-se suprimida de direitos elementares, de emprego e renda minimamente decentes, de serviços públicos minimamente dignos de ensino, de saúde, de segurança, quando extorquida que é pela ditadura sem fim de impostos.

Tal ação, como de fato aconteceu, só diminuiu o abstrato, virtual e tão publicitado prestígio das Forças Armadas entre a população, conforme demonstraram as pesquisas mais recentes sobre a crise no Rio de Janeiro. Elas indicaram ainda uma queda no índice de aceitação da intervenção militar.

Entre as leis da história da sociedade de classes há um axioma imperecível: onde há opressão, há resistência. Portanto, o aumento da violência contra o povo pobre só aumentará sua indignação e sua disposição de encontrar formas de se opor e pôr  um fim à opressão.

Não cabe, portanto, autoridade às Forças Armadas do apodrecido Estado brasileiro se posicionar sobre a legitimidade do carcomido processo eleitoral. Este direito é do povo que cada vez mais rechaça ambos e faz eco à consigna de Nem eleição, nem intervenção militar! Revolução, Já!

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