Companheiro José Pimenta, presente na luta!

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Faleceu no dia 19 de outubro o companheiro José Sales Pimenta, presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo) e destacado defensor do direito do povo de lutar pelos seus direitos. O companheiro faleceu em sua cidade natal, Juiz de Fora, onde também foi velado no dia 20 de outubro.

Companheiro José Pimenta - Homenagem da LCP do Norte de Minas e Sul da Bahia
Homenagem da LCP do Norte de Minas e Sul da Bahia

Pimenta teve intensa atuação política na luta de resistência ao regime militar fascista desde o movimento estudantil. No fim da década de 1970, Pimenta foi eleito presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Juiz de Fora-MG na retomada da entidade das mãos dos agentes do regime fascista; participou da reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), sendo integrante das duas primeiras diretorias da entidade reconstruída. Atuou destacadamente na articulação da frente única contra o regime militar fascista serviçal do imperialismo ianque, participando das batalhas mais importantes, não só em Juiz de Fora e no estado de Minas Gerais, como também em todo o país. Desde então, sempre participou das lutas do povo pobre no campo e na cidade, tomando parte do movimento revolucionário de ruptura com as ilusões constitucionais e de afirmação do caminho da revolução.

Ainda nos tempos de movimento estudantil, José lutou junto com o seu irmão, Gabriel Pimenta. Gabriel foi advogado e militante revolucionário que, posteriormente, se deslocou ao sul do Pará para lutar com os camponeses pobres, sendo esta a razão pela qual foi assassinado pelos esbirros do regime fascista e a serviço dos grileiros latifundiários.

Sob a direção de José Pimenta, o Cebraspo ampliou a solidariedade aos movimentos revolucionários e de libertação nacional no exterior, denunciou ataques ao movimento camponês e ao povo pobre das favelas das grandes cidades do Brasil, organizou missões internacionais de solidariedade e investigação de massacres ao movimento camponês. Se empenhou especialmente na constituição da Associação Brasileira dos Advogados do Povo (Abrapo).

Nas jornadas de protesto popular de 2013 e 2014, Pimenta foi também uma referência de combatividade, se fundindo à juventude combatente nas batalhas nas ruas do Rio de Janeiro. Depois, vanguardeou o movimento de defesa dos 23 presos e perseguidos políticos arbitrariamente processados e condenados pelo podre judiciário do estado do Rio de Janeiro. Uma de suas últimas aparições públicas foi justamente sua participação no ato em defesa desses jovens, no dia 24 de julho.

Zé Pimenta foi também um entusiasta da imprensa popular e democrática e importante apoiador do jornal A Nova Democracia, divulgando o jornal, sugerindo pautas, indicando fontes, vendendo assinaturas, debatendo e criticando construtivamente nosso trabalho.

Combativa e emocionante homenagem

O funeral do companheiro foi uma emocionante e combativa cerimônia realizada por sua família, companheiros de luta, personalidades democráticas e amigos que lembravam sua alegria, disposição de trabalho e de luta em favor do povo; seu otimismo revolucionário e firmeza ideológica na decisão pela reconstituição do partido revolucionário da classe operária, o Partido Comunista, sob o mando e guia do marxismo-leninismo-maoismo, como condição única para se levar adiante e ao triunfo a revolução, ainda que por uma luta prolongada.

Dezenas de pessoas honraram a memória do Pimenta
Dezenas de pessoas honraram a memória do Pimenta

Na cerimônia, dezenas de representantes de organizações classistas do nosso povo falaram sobre o companheiro, sua militância abnegada, sua entrega para a causa do povo e sua alegria incessante por ser parte da luta revolucionária e por servir o povo de todo o coração. Um companheiro, membro do Núcleo de Estudos do Marxismo-Leninismo-Maoismo, narrou o último encontro, dias antes, com José Pimenta, no qual este último reafirmou sua decisão de dar a vida pela classe e pela revolução e fez um balanço da própria militância e da situação política do país. O membro do Núcleo fez ainda uma profunda análise da atual situação do país, que “passa por um golpe militar contrarrevolucionário preventivo em marcha, em meio a uma farsa eleitoral que opõe dois projetos ruinosos para o povo brasileiro”, apontando para a Revolução de Nova Democracia como único caminho para a verdadeira independência e progresso da nação.

Homenagens também do exterior

Desde o dia do falecimento de José Pimenta, mensagens de diversas partes do Brasil e do exterior têm sido recebidas pelo Cebraspo, todas manifestando os pêsames pela morte do companheiro e ressaltando sua importância no trabalho de solidariedade.

Dentre elas destaca-se a mensagem de um membro da redação do órgão alemão Dem Volke Dienen (Servir ao Povo):

“Acabo de saber, lendo o AND do Brasil, que meu companheiro morreu. Que Pimenta morreu. Eu sabia que ele estava mal, sabia que ele não podia durar muito, mas ainda assim estou golpeado, furioso e não posso me tranquilizar. Há uns anos tive a oportunidade de conhecer Pimenta em pessoa – conhecia seu personagem desde antes – mas nessa ocasião tivemos tempo de conversar, de intercambiar e, penso, de aprender, particularmente eu. Me explicou tantas coisas, a realidade brasileira, o que significa fazer trabalho anti-imperialista em seu país. Me explicou como, em meio a um processo de nova democracia em seu país se aplica concretamente o internacionalismo proletário. Me explicou porque nas manifestações do Brasil sempre ondeia a bandeira da Palestina. Me contou sobre as campanhas em defesa da vida do Presidente Gonzalo, em apoio às guerras populares, em defesa dos prisioneiros da ATIK (estando no Brasil, ele manejava a situação melhor que eu, que vivo no país onde estão os prisioneiros), da defesa de Saibaba e de todos os prisioneiros políticos da Índia. Me contou sobre como se faz para manejar essas campanhas no Brasil e como, ao mesmo tempo, saber unificá-las em nível internacional, e eu aprendi. Não sei se algum dia terei a capacidade que ele tinha; penso que não, porque Pimenta não tinha apenas talento, não tinha somente a máxima inteligência da classe, senão que – sendo intelectual – era um filho das massas mais profundas do Brasil. Estivemos no Rio, mas escutei a voz de Rondônia. Estivemos num apartamento da pequena burguesia, mas o que ouvi foi a voz da favela. Mas não somente isso, não era somente o grito da rebelião, mas da solução.”, afirmou.

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