Índia: Para manter Saibaba isolado, governo acusa médicos de ‘simpatia com o maoismo’ 

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Funcionários do governo acusam os médicos do professor GN Saibaba – importante intelectual e professor universitário preso por motivações políticas – de terem “simpatia” com o Partido Comunista da Índia (Maoista). Saibaba está preso na cadeia de Nagpur, condenado à prisão perpétua, por suposto vínculo, nunca comprovado, com os maoistas.

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Saibaba em marcha organizada pelos movimentos democráticos da Índia
Saibaba em marcha organizada pelos movimentos democráticos da Índia

Os médicos acusados são o geriatra Dr. Haji Bhatti, o neurologista Dr. Prasad e o cardiologista Dr. Gopinath. Segundo a agência TNN, eles visitaram Saibaba no dia 17 de dezembro e atestaram que o estado de saúde dele é grave e confirmaram que seu quadro agravou-se por conta da falta de atendimento médico e de espaço adequado, já que Saibaba tem 90% do corpo paralisado e depende de cadeiras de rodas.

Um professor em prisão perpétua

O Dr. Saibaba é um professor de inglês que lecionava no Ramlal Anand College, Universidade de Delhi, sendo preso em 2017 sob a acusação de apoiar os maoistas. Dada a repercussão da instabilidade de sua saúde e sua condição de professor universitário preso em regime perpétuo num regime político em tese democrático, até a própria ONU incitou as “autoridades” do velho Estado a soltá-lo.

“Nós estamos preocupados com relatos de que Dr. Saibaba sofre mais de 15 problemas de saúde diferentes, alguns dos quais têm consequências potencialmente fatais.”, afirmam em uma declaração conjunta emitida em Genebra, em julho de 2018. Os especialistas pediram à Índia que libertem Saibaba, pois ele estava em “necessidade urgente de tratamento médico adequado”. Até o momento o Estado indiano não deu retorno. Até o parlamento europeu apresentou questionamentos e resoluções em defesa da vida de Saibaba este ano.

“As autoridades em Maharashtra estão negando tratamento médico para GN Saibaba, colocando em sério risco a sua saúde”, denunciou também a Anistia Internacional em 24 de março de 2017, conforme noticiamos na ocasião.

O professor encontra-se agora trancafiado no campo de concentração de Nagpur Central. Pouco antes de ser detido, GN Saibaba foi diagnosticado com pancreatite aguda e necessita de uma operação para remover a vesícula biliar. No entanto, isto vem sendo negado pelo velho Estado indiano desde sua prisão, com o claro objetivo de assassiná-lo lentamente no cárcere.

Além disso, as condições nas masmorras não são adequadas para GN Saibaba, que necessita de cuidados especiais por conta da paralisia que toma 90% de seu corpo. Todas as situações agravam sua saúde. “Negar tratamento médico a um prisioneiro é injustificável, e pode ascender à tortura”, concluiu, à época, a Anistia Internacional.

O professor Saibaba foi preso em fevereiro de 2017 e condenado à prisão perpétua no dia 8 de março daquele ano, juntamente com mais quatro pessoas - dentre eles um estudante da União Democrática de Estudantes e um jornalista. A sentença foi do Tribunal de Sessões de Gadchiroli (Maharashtra). Esta é a terceira vez que Saibaba fica detido e encarcerado por longo período. A primeira vez foi entre maio de 2014 e junho de 2015, e a segunda entre dezembro de 2015 a abril de 2016.

Um democrata verdadeiro

GN Saibaba começou seu ativismo quando defendeu reservas tribais no início dos anos 1990, numa época em que muitos interesses estavam pressionando para acabar com as reservas para pessoas de castas inferiores na Índia. Naquela década, ele também fez campanha contra os chamados “assassinatos por encontros” (como os autos de resistência no Brasil) de pessoas inocentes e maoistas em Andhra Pradesh.

Graças a seu ativismo, Saibaba viajou por todo o cinturão tribal na Índia central. Ele estava ensinando inglês na Universidade de Delhi e era bem reconhecido por ser um intelectual democrático, sendo convidado para várias conferências em outras universidades.

Em setembro de 2009, o governo indiano lançou a Operação “Caçada Verde”, em nome da luta contra a “maior ameaça à segurança interna” – referência aos maoistas. Mas, na verdade, segundo denunciou Saibaba, o objetivo era facilitar os monopólios da mineração que estavam mostrando interesse na área.

“Reuni provas suficientes que sugeriam que a classe dominante queria ter acesso a seus recursos, não importa o que aconteça. Então, a Operação ‘Caçada Verde’ foi lançada para matar, mutilar e desalojar essas pessoas.”, denunciou contundentemente Saibaba.

No auge da operação, entre 2009 e 2012, Saibaba reuniu pessoas através de um grupo chamado Fórum Contra a Guerra ao Povo. Ele organizou uma campanha nacional contra a operação militar. Segundo Saibaba, “a melhor maneira de me impedir era me jogar na cadeia”.

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