A extrema miséria que bate a porta

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Mais de 15 mil pessoas vivem nas ruas da capital Rio de Janeiro, segundo estudo da prefeitura de 2016. As praias, à noite, transformam-se em albergues não oficiais. Indivíduos sozinhos, mulheres, crianças e até famílias inteiras sem teto para morar são sufocados pelo desemprego (cuja simples ideia basta para assombrar a consciência de todos os brasileiros), pelo alto custo de vida - especialmente do aluguel - e, consequentemente, pela miséria.

“O abrigo é um depósito de gente, que eles acham que vão resolver alguma coisa, mas não resolve nada. Prioriza documento, mas pressiona para ir embora logo. Não tem curso, não existe reintegração social. O que eles falam, lá no cartaz, é tudo mentira. Tem um prazo de nove meses, entendeu? Tem um prazo. Vou morar na rua de novo. Eles mesmo falam, da boca deles, que vão mandar nós para rua de novo. Queria trabalhar, ter um emprego, não sei. Alguma coisa para ocupar a mente, mas não tem nada. Você fica parado o dia inteiro”, contou  Lúcio Pessanha, morador de um abrigo no município do Rio em entrevista concedida ao monopólio de imprensa em 2017.

A imensa maioria dos moradores de rua são membros de famílias oriundas da zona rural, expulsos de lá pela concentração de terras na mão de um punhado de latifundiários. Enquanto na cidade, foram submetidos à exclusão por um capitalismo tardio, débil e enfermo que, por natureza, não é e nunca será capaz de oferecer emprego a todos. Pagar aluguel, para esse setor profundo do proletariado que cai na indigência, é luxo. A resolução de tão grave problema passa então pela compreensão e construção de resistência às causas da sua origem.

Nessas condições, aumenta o número de usuários de crack – pessoas jogadas à desesperança e ao completo vazio material e de espírito –, fazendo crescer todos os problemas da metrópole. Esses problemas, queiram ou não aqueles que deles se beneficiam, só poderão e certamente serão resolvidos por uma grande e profunda transformação social.

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