Da Mesopotâmia ao Terceiro Milênio - Iraque , a ressurreição de um povo

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Este é o título do livro lançado pela Editora Fissus, de autoria da Professora Yasmin Anukit. Não há dúvida quanto a oportunidade do surgimento desta obra, porquanto, como bem destacou o AND em sua edição de no 21, a paz na região só acontecerá com a retirada total do invasor. Enfraquecido moralmente — pelo desmentido das acusações sobre as quais montaram a invasão — e militarmente — pelo desgaste sofrido pelos seus soldados —, o USA lança mão do único elemento que lhe dá superioridade: a posse de aviões e bombas de alto poder destrutivo.

Os ataques aéreos e borbardeios no Iraque se intensificam quanto mais nos distanciamos da data em que Bush decretou o fim da guerra. Mais recentemente, a destruição de Falluja, feita com as mesmas características dos bombardeios sobre Pyong Yang, na República Popular da Coréia, e Hanói, na República Democrática Popular do Vietnã, sem deixar pedra sobre pedra, e, executando prisioneiros indefesos, mostra em todas as suas dimensões a barbárie fundamentalista do império ianque. Em sintonia e sob proteção do USA, o Estado sionista de Israel promove a destruição de casas, quadras, bairros, enfim, de cidades palestinas numa demonstração de que Sharon assimilou com perfeição os métodos hitleristas de destruição em massa, como os praticados contra Stalingrado e na retirada da Polônia.

Se nos casos aqui citados encontramos semelhanças por parte dos agressores, por outro lado, vamos encontrar uma perfeita identidade por parte dos agredidos. A resistência iraquiana, como que saída de formigueiros, combate por entre os escombros e não dá descanso ao inimigo que há três semanas declarou que Falluja era fato consumado. Também os palestinos não se intimidam com bombardeios seletivos e em massa de suas casas. Enterram seus mártires enquanto novas listas de voluntários surgem para servir à causa palestina até a vitória final.

Tanto desprendimento e tanta abnegação em defesa de seu território, de sua gente, de sua cultura e de sua história é difícil de ser compreendida pelos ocidentais, principalmente os que vivem alienados por um padrão individualista cada vez mais exacerbado pelo consumismo imposto pelo mercado.

O livro de Yasmin Anukit, como está escrito em sua apresentação, “descortina ao leitor, de modo poético, o incógnito horizonte do Iraque e oferece mais do que uma mera denúncia política, em meio a tantas outras: leva-nos a um mergulho profundo na direção da redescoberta de nossas próprias origens, desvendando o misterioso panorama da antiga cultura mesopotâmica — o berço da civilização — onde, uma vez, se ergueu a Torre de Babel. Traz à tona, também, o esplendor da Bagdá medieval e dos califas das Mil e uma noites, enfocando, a partir do século XIX, a luta dos povos árabes pela emancipação colonial, enquanto conduz esta trajetória até os dias presentes. Numa narrativa original, dotada de sutil olhar feminino, a sucessão dos fatos se soma à reinterpretação histórica, ao mesmo tempo rica em detalhes e abrangente de visão.

Ao retraçar os caminhos do Oriente Médio e ao ressaltar o valor de suas contribuições para a humanidade, Yasmin Anukit mostra como o Iraque e o Islã têm sido estigmatizados por clichês e preconceitos redutivos. Da Babilônia de Nabucodonosor à Bagdá de Saddam Hussein, o país se viu relegado ao domínio das “sombras do mal”. Tal distorção se deve tanto ao discurso imperialista do capitalismo neoliberal, quanto à ótica superior etnocêntrica de base judaico-protestante. A obra descreve, em termos fascinantes e, em certos casos, proféticos, como o passado lançou ecos nos eventos contemporâneos. Demonstra, ainda, o quanto os últimos episódios foram manipulados e convertidos em justificativa ilegal para um embargo criminoso e uma invasão planejada há mais de uma década. Expressa, por fim, a certeza de que a destruição do país do Golfo será sucedida — uma vez mais — pelo seu renascimento material e espiritual, isto é, pela “ressurreição de um povo,” pois a partir de uma nova consciência e da herança de seus ancestrais, este poderá reencontrar seu verdadeiro lugar na história do planeta.”

Lançado em 27 de novembro, no Clube Monte Líbano do Rio de Janeiro, com uma presença massiva de apoiadores da causa árabe e palestina, contou ainda com a apresentação de Dança Oriental com Jeana Kamil, Amel, Laila Rachid e Jade Sharid.

Pelo grande interesse que despertou em seu lançamento, certamente o Livro de Yasmin Anukit, vendido nas melhores livrarias, será leitura obrigtória para quem desejar conhecer em profundidade a história e a cultura árabe de Nabucodonosor a Saddan Hussein.

 

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