Saúde faz greve por salário e saúde

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Sacrifícios humanos sangram,
Gritos de horror e desespero
cortam a noite ao meio"
Fausto - Goethe

A deterioração da saúde pública em Pernambuco chegou ao ponto máximo e está a exigir uma mobilização cada vez mais forte dos trabalhadores e do povo pobre que utiliza estes serviços. É o que demonstra, por exemplo, a situação verificada nos principais hospitais da rede.

Às 17 horas da segunda-feira, dia 15 de novembro, a emergência do Hospital da Restauração, principal hospital público do estado, fervilhava de pessoas feridas. A todo instante chegavam acidentados, queimados, vítimas de assaltos. Pessoas com dores, gritando e com expressão de pânico e sofrimento. Os médicos, estudantes, enfermeiros, auxiliares e vigilantes se desdobravam e faziam o possível para atender com a máxima presteza e urgência. Mas era impossível.

Não havia espaço, macas, camas, medicamentos, lençóis e profissionais da área, sobretudo cirurgiões e enfermeiros suficientes para sequer uma parcela mínima do povo que ali estava. Vários pacientes espremidos em cubículos, à guisa de enfermaria, aguardam horas por um medicamento, um cuidado, uma atenção que, muitas vezes, não chega a tempo. Há casos de pacientes com doenças contagiosas ou com pneumonia junto a outros que se submeteram a cirurgias.

— É um desrespeito com a gente, nunca tem remédio aqui. Meu filho veio um dia desses, depois de sofrer um acidente e não conseguiu ser atendido porque não havia médico especialista —, afirmou, indignada, a operária Ivaneide Apolônio da Silva.

Uma mãe chorava baixinho, sofrendo com a falta de informação sobre seu filho.

— Ele sofreu um acidente, está aí dentro, nesse inferno, e não tenho nenhuma notícia sobre ele. Ninguém diz nada e não me deixam entrar para procurá-lo e saber se ele ao menos já foi atendido. Além de fazerem experiências com a gente, tirarem o sangue do povo, eles ainda nos deixam jogados por aí?

Quem trabalha vai para o banco dos réus

Já no dia 18 de novembro, a justiça pernambucana, através do juiz da 3ª Vara da Fazenda Estadual, Alfredo Jambo, decretou a ilegalidade da greve dos 20 mil servidores da Saúde, iniciada no dia 17 desse mês.

— Queria ver esse juiz pagar escola, alimentação, aluguel, luz, passagem e medicamento com um salário de R$ 180. Tenho três filhos para criar e meu marido está desempregado —, declarou a auxiliar de enfermagem Roberta Regina da Silva.

Os trabalhadores lutam por motivos que os senhores juízes consideram banais: melhores condições no trabalho e elevação no seu salário-base, que se encontra abaixo de R$ 260, o salário mínimo em vigor na gerência do FMI-PT. Os profissionais de nível médio e elementar recebem respectivamente, R$ 157,09 e R$ 181,84 mensais. Os de nível superior, e que não são médicos, têm como salário-base R$ 488. A categoria exige reajuste superior a 100%, mas o Estado só propõe a pagar 11%, em média: os que recebem menos de um salário mínimo (R$ 157,09) reivindicam R$ 350. O de nível médio, que tem salário hoje de R$ 181, pretende receber R$ 600. O de nível superior, com salário-base de R$ 488, quer passar a R$ 1.250. No terceiro dia da greve, o Estado ofereceu R$ 25, R$ 40 e R$ 80 de acréscimo, para o nível elementar, nível médio, e superior, respectivamente, o que foi prontamente recusado pelos trabalhadores.

Os trabalhadores recusaram, também, obedecer à decisão dos juízes e, até o término desta matéria, continuavam na luta, pressionando o estado através da paralisação de hospitais na capital e no Interior, onde realizam apitaços, piquetes com até cem trabalhadores portando faixas, armando varais com cópias de contra-cheques, impedindo a entrada de diretores e fura-greve com bancos de madeira colocados na porta dos ambulatórios, paralisando o trânsito nas principais vias e esclarecendo o povo sobre seus direitos à saúde pública de qualidade, negligenciada pelo Estado burguês, além de exigir respeito às suas reivindicações.

São 13 categorias em greve, incluindo enfermeiros, farmacêuticos, auxiliares de enfermagem, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, técnicos de laboratório, técnicos de raios-X, maqueiros e funcionários administrativos.

Greve na ‘cidade modelo’ do PT

Camaragibe é uma das "cidades-modelo do PT" em Pernambuco. Motivo de orgulho, onde os petistas dizem que existe um tratamento exemplar nas áreas de saúde e educação. Chegaram até a receber prêmios da ONU por tal feito. Mas a realidade dos servidores e do povo desassistido é muito diferente do que é mostrado na propaganda do governo municipal petista.

No dia 16 de novembro, os trabalhadores municipais iniciaram uma paralisação que suspendeu o atendimento em ambulatórios da cidade e restringiu os serviços de urgência apenas para os casos mais graves, além de paralisar atividades em diversas escolas e na guarda municipal.

Os servidores protestam contra o atraso no pagamento do salário de outubro, o fechamento dos canais de negociação e precárias condições de funcionamento dos serviços. A categoria também denuncia o sucateamento no Centro de Especialidades Médicas, onde falta até aparelhos de raios-X e o mais elementar laboratório, muito embora seja um serviço de emergência.

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