‘Coletes amarelos’ seguem com os protestos na França

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Dezenas de milhares de pessoas marcharam pelas ruas da França no 12º protesto contra o governo Macron e suas medidas econômicas antipovo, no que ficou conhecido como protesto dos “coletes amarelos”, no dia 2 de fevereiro. Os protestos ocorreram por todo o país pelo décimo segundo final de semana seguido, englobando a cidade de Paris, estendendo-se a Toulouse, Montpellier, Bordeaux, Marselha, Dijon, Lyon, Valence e Nantes, dentre outras.

Christian Hartmann, Reuters
Maoistas atuam nas jornadas dos ‘coletes amarelos’ (foto: Christian Hartmann, Reuters)
Maoistas atuam nas jornadas dos ‘coletes amarelos’

A massa de manifestantes, mais uma vez, pediu a renúncia de Emmanuel Macron – exigência que prossegue desde novembro de 2018, quando iniciaram-se os protestos. Algumas consignas erguidas e entoadas pelos manifestantes foram Demissão a Macron, O povo é que manda e Terroristas são os policiais.

A repressão foi violentíssima, buscando intimidar o protesto e esvaziá-lo. Em Paris, ao término da marcha na Praça da República, tropas da repressão atiraram com balas de chumbo revestidas com borracha, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral. Em Bordeaux o conflito iniciado pela polícia foi ainda maior, resultando em vários carros incendiados.

No dia 26 de janeiro já havia ocorrido o 11º protesto. Segundo o Ministério do Interior, o número de manifestantes foi superior a 60 mil pessoas. Apesar do alto número reconhecido pelo governo reacionário, há uma grande suspeita de que estes sejam números subestimados. Há hoje, em toda a Europa, um fenômeno que os manifestantes chamam de “bloqueio midiático”, porque a cobertura do monopólio de imprensa e os números divulgados pelas “autoridades” buscam reduzir a vitalidade dos protestos, visando esvaziá-los.

A repressão, já neste dia, impôs-se violentamente contra os protestos. Na ocasião, pelo menos 223 jovens e trabalhadores foram detidos, alguns deles por responderem com justa violência à repressão iniciada pela polícia, que queria acabar com os protestos, a mando do governo. Em Paris, próximo da Praça da Bastilha, Jerôme Rodrigues – um ativista pacifista –, foi gravemente ferido no olho após ser atacado por policiais.

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Além da repressão oficial, um grupo fascista autodenominado Zouaves – formado por ex-militantes do movimento estudantil de extrema-direita Grupo de Unidades de Defesa (GUD) – atacou violentamente um bloco de ativistas do autodenominado Novo Partido Anticapitalista, uma organização trotskista francesa. Duas pessoas foram feridas pelos fascistas.

Em Montpellier, sul da França, também durante o 11º protesto do dia 26, um policial foi ferido pelos manifestantes com um bomba incendiária caseira, em resposta à violenta repressão iniciada pelos agentes. Já em Bordeaux, sudoeste do país, grupos de jovens combatentes prosseguiram com os protestos durante a madrugada, resistindo à repressão policial com fogos de artifício e bombas incendiárias.

Atuação dos maoistas irrita reação

O prefeito de Montpellier acusou o Partido Comunista Maoista da França (PCmF) de estar por trás dos episódios de revolta popular generalizada na região. A acusação veio após o 11º protestos dos “coletes amarelos”, ocorrido na cidade no dia 26 de janeiro reunindo mais de 2 mil pessoas.

Os protestos, iniciados em novembro de 2018 contra a alta dos combustíveis e outras medidas antipovo adotadas pelo governo reacionário de Emmanuel Macron, enquanto mantinha isenções fiscais e incentivos para a burguesia imperialista francesa e à oligarquia financeira.

As medidas de Macron, afetando diretamente o salário das massas populares, foram confrontadas pelos protestos. Desde então, tradicionalmente aos sábados, ocorrem as jornadas de lutas dos “coletes amarelos” (acessório obrigatório na França para condutores de veículos).

Greve geral

Enquanto prosseguem os protestos dos “coletes amarelos”, a CGT, maior central sindical francesa, impulsionada pelas bases, convocou uma grande greve geral para o dia 5 de fevereiro. A greve, contra Macron e suas medidas antipovo e anti-operárias, deve atingir serviços públicos (escolas, transporte e hospitais) e de produção. A reivindicação principal da greve geral é aumento geral dos salários.

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