O velho Estado, os ônibus e a máfia

Uma das maiores provas de que não adianta trocar nomes nos cargos do velho Estado, como numa dança de cadeiras, é o problema dos ônibus.

Ellan Lustosa/AND
Jovens criticam aumento da passagem, São Paulo, 16/01/19 (foto: Ellan Lustosa/AND)
Jovens criticam aumento da passagem, São Paulo, 16/01

Rio de Janeiro, 17 de janeiro. W. trabalha na casa de uma família no Leblon. Mora em Vila Kennedy, acorda às 4 horas e 30 minutos da manhã para deixar o café para as crianças e se prepara para pegar um ônibus até a Central do Brasil, no centro da cidade. Lá, pega outro ônibus para chegar às oito da manhã na casa da sua patroa. Sai de casa às 5 horas e 30 minutos e na avenida Brasil começa sua labuta. É claro que W. chega constantemente atrasada em seu trabalho, pois seu tempo de viagem até o trabalho é, em média, duas horas e meia, se tudo correr bem.

É claro que isso quase nunca acontece.

Primeiro, ela precisa conseguir ônibus, que passa raramente, sem regularidade. Segundo, depende da boa vontade do motorista parar ou não, pois nos pontos da avenida Brasil não têm fiscalização. Terceiro, W. disputa um espaço dentro do ônibus no qual não há lugar para sentar. Quarto, o calor é enlouquecedor, pois aquela linha de ônibus que W. pega só ouviu falar de ar-condicionado nas matérias dos jornais da televisão. Quinto, o único lugar que ela encontra é perto da saída e, ao se posicionar ali, ela percebe que a razão de estar vazio é que a porta está quebrada e não é difícil alguém ser jogado para fora do veículo. E assim segue o dia a dia da vida do proletariado brasileiro.

Protesto no Rio rechaça aumento na tarifa, 06/02/19 (foto: Ellan Lustosa/AND)
Protesto no Rio rechaça aumento na tarifa, 06/02

Eduardo Paes e Crivella, no Rio de Janeiro. João Dória e Bruno Covas, em São Paulo. Isso é só nos municípios, sem falar no estado. Qual desses, ou outros que os antecederam, deram solução ao problema dos ônibus?

Mas algo tem evoluído no quesito transporte de ônibus: a repressão contra o povo.

As mesmas mentiras não cabem mais. A população não aceita. Os tempos anunciam o fim deste sistema covarde e explorador. A única coisa que vem ocorrendo a respeito é o aumento de passagem para alimentar os empresários famintos e seus braços políticos. Melhorias nas linhas? Está aí algo que não se vê.

Policiais agridem manifestantes e jornalistas, São Paulo, 16/01/19 (foto: Ellan Lustosa/AND)
Policiais agridem manifestantes e jornalistas, São Paulo, 16/01

A história das mentiras do transporte público é prova cabal de que não é a troca de nomes dos gerentes de turno que são importantes para ocorrer alguma mudança, mas sim o sistema econômico e político. A quem interessa a precariedade do transporte público? Ela acontece porque o empresariado da máfia dos transportes, ligado à grande burguesia burocrática, necessita aumentar constantemente seus superlucros, aumentando  sempre o preço da passagem por meio de acordos com os governantes, muitas vezes ilegais, e não gastam um centavo com a manutenção e melhoria dos ônibus para o povo trabalhador. O sistema é o mesmo, o jogo é o mesmo, o sofrimento do povo é o mesmo.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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