A relação do clã Bolsonaro com bandidos paramilitares

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Um dos grupos é suspeito de executar a vereadora Marielle Franco

No mês de janeiro foi veiculada por diversos meios de comunicação que o gabinete do ex-deputado estadual e atual senador Flávio Bolsonaro/PSL, filho do atual gerente de turno Jair Bolsonaro, teria empregado, até novembro de 2018, a esposa e a mãe de Adriano Magalhães da Nóbrega, o capitão da PM apontado pelo Ministério Público como um dos principais nomes do “Escritório do Crime”, organização suspeita de assassinar a vereadora Marielle Franco/Psol.

Divulgação da Polícia Civil
Adriano Magalhães, acusado de ser chefe de milícia, teve família empregada em gabinete de Flávio Bolsonaro (foto: Divulgação da Polícia Civil)
Adriano Magalhães, acusado de ser chefe de milícia, teve família empregada em gabinete de Flávio Bolsonaro

Junto a esta revelação, foi recordado que Flávio Bolsonaro já fez homenagens a Adriano Magalhães, como em 2003, quando, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em moção honrosa, o então deputado estadual escreveu que “o policial militar [Adriano] desenvolvia sua função com dedicação e brilhantismo”.

Já seu pai, Jair Bolsonaro, no ano de 2003, também parabenizou a prática dos grupos paramilitares (chamados coloquialmente de “milícias”) e disse que seriam “muito bem-vindos” ao Rio de Janeiro. “No que depender de mim, terão todo o meu apoio.”, instigou. Comentando a “CPI das Milícias”, disse ainda, amenizando: “Querem atacar o miliciano, que passou a ser o símbolo da maldade.”.

Dois anos depois, em 2005, Flávio Bolsonaro aprovou que Adriano recebesse a Medalha de Tiradentes, considerada a principal “honraria” do estado do Rio. Em 2007, como se não bastasse, contratou a esposa de Adriano, Daniele Mendonça da Costa da Nóbrega, como assessora parlamentar.

Foi ainda neste ano de 2007 que Flávio Bolsonaro (o mesmo que há anos esbraveja “contra a corrupção” e por “punições mais rigorosas” contra infratores da lei, assim como seu pai e irmãos) disse as seguintes palavras: “A milícia nada mais é do que um conjunto de policiais, militares ou não, regidos por uma certa hierarquia e disciplina, buscando, sem dúvida, expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos”. Nada disse sobre o controle e taxação que estas exercem sobre os comércios locais, extorsão, assassinatos de trabalhadores descontentes ou por aluguel e o tráfico de drogas que, por vezes, chegam a gerir em seus territórios.

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