Policiais fazem ‘tiro ao alvo’ contra moradores de favela

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Ao menos três pessoas foram assassinadas na última semana de janeiro de 2019 na favela de Manguinhos, Zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo parentes das vítimas, Rômulo de Oliveira da Silva, de 37 anos; Carlos Eduardo dos Santos Lontra, de 27 anos, e um terceiro homem não identificado foram atingidos por disparos efetuados de uma torre de observação localizada dentro da Cidade da Polícia, que fica ao lado da favela. Os tiros foram disparados, respectivamente, nos dias 25 e 29 de janeiro.

Severino Silva/O Dia
Rômulo é velado por sua família e amigo (foto: Severino Silva/O Dia)
Rômulo é velado por sua família e amigo

Durante sua campanha eleitoral em 2018, o atual governador, Wilson Witzel, abusou dos discursos contra moradores de favelas e bairros pobres e chegou a afirmar que traficantes varejistas seriam atacados a tiros por franco-atiradores da polícia. Na época, as afirmações foram criticadas por juristas, organizações de defesa dos direitos do povo e até mesmo pelo então ministro da defesa do ex-gerente federal Michel Temer, Raul Jungmann.

Ainda no primeiro mês do gerenciamento Witzel, a favela de Manguinhos parece ter sido escolhida pelo gerente de turno e sua tropa anti-povo para servir de laboratório à prática de tiro ao alvo contra a população e, como era de se esperar, as vítimas não portavam fuzil. No início de fevereiro, a equipe de AND esteve em Manguinhos conversando com moradores, parentes das vítimas e líderes comunitários para saber mais sobre as ações criminosas do Estado.

O trabalhador Carlos Eduardo, um dos executados
O trabalhador Carlos Eduardo, um dos executados

— A polícia fez uns buracos nas paredes da torre e é ali que os policiais se posicionam, pois nós já vimos os bicos dos fuzis. Dali eles atiram sempre contra pessoas que estão no campo de futebol, um local que está sempre cheio de crianças brincando, ainda mais agora que colocaram um chuveirão por causa do verão. Podiam ter acertado uma criança. Se estivessem atirando em traficante já seria errado, porque não tem confronto, é tiro ao alvo. Nós somos a caça da polícia —  afirma uma líder comunitária que prefere não se identificar com medo de ser o próximo alvo dos atiradores.

— Eles atiraram em um inocente, trabalhador, pai de família. Ia completar um ano no emprego na Fiocruz no próximo sábado. Não havia troca de tiros na hora. As pessoas aqui socorreram meu irmão, mas infelizmente ele não resistiu. Virou estatística e ainda está sendo taxado de bandido na televisão, mesmo trabalhando de carteira assinada — diz uma prima de Rômulo de Oliveira da Silva, que preferiu não se identificar.

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— Meu irmão foi executado pela polícia quando estava voltando do trabalho na sexta-feira de moto. Foi baleado na barriga nesse trajeto. O tiro veio da torre da Cidade da Polícia. As pessoas que estavam no local disseram que pelo som e pela direção do disparo só pode ter vindo de lá. E nós sabemos que ele não é o primeiro — afirma Kelly dos Santos, de 35 anos, irmã de Carlos Eduardo.

No sábado, dia 2 de fevereiro, depois que mais um jovem foi baleado na barriga, moradores decidiram fazer um protesto e bloquearam a Avenida Dom Helder Câmara. Eles foram caminhando até a Cidade da Polícia onde cobraram explicações da Polícia Civil. A assessoria de comunicação da Cidade da Polícia não quis pronunciar-se e disse que não enviaria nenhum representante para dialogar com os moradores. Nem mesmo o monopólio dos meios de comunicação recebeu esclarecimentos da polícia ou da secretaria de segurança pública.

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