USA lança ‘guerra de baixa intensidade’ contra Venezuela

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Apagão foi ação dos ianques para desestabilizar o governo, afirmam maoistas

AFP
Apagão foi produto de ação de baixa intensidade do USA, denuncia Maduro (foto: AFP)
Apagão foi produto de ação de baixa intensidade do USA, denuncia Maduro

Um grande blecaute paralisou a vida econômica venezuelana entre os dias 7 a 12 de março. Os estados de Mérida, Lara e Zulia ficaram sem energia elétrica por dezenas de horas. Segundo o presidente do país, Nicolás Maduro, a origem do blecaute foi um ataque direto do imperialismo ianque.

Apenas em algumas regiões perto e na própria capital Caracas, ocorreu restabelecimento de energia antes do dia 12, porém, mesmo assim, ainda de maneira bastante instável.

O ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, afirmou que o serviço só não foi restabelecido em pequenas regiões do país, nas quais ocorreram sabotagens em subestações depois do corte elétrico. Segundo o governo, as perdas econômicas pelo ataque ultrapassam 875 milhões de dólares. A indústria, além disso, está paralisada.

“Recebemos um novo ataque cibernético internacional contra o cérebro automatizado do sistema elétrico que derrubou todo o processo de reconexão e descobrimos nesta oportunidade que estavam sendo realizados ataques de alta geração científica, de alta tecnologia, ataques eletromagnéticos contra as linhas de transmissão elétrica”, denunciou o presidente Maduro, que afirmou: “esta tecnologia de alto nível só o governo do USA possui”.

O centro do ataque ianque foi a hidrelétrica de El Guri, responsável por 80% da geração de energia elétrica da Venezuela.

Guerra de baixa intensidade

A Associação de Nova Democracia Nuevo Peru (Hamburgo, Alemanha), numa análise marxista da situação, afirmou que o apagão é parte da guerra de baixa intensidade que o USA está aplicando para desestabilizar o país, criar caos e tornar a situação insustentável. O objetivo, com isso, é a capitulação do governo de Maduro por meio de “eleições” controladas pelos ianques, das quais sairia vencedor o lacaio ianque Guaidó.

A guerra de baixa intensidade, analisa a Associação, são ações efetivas de vários tipos, militares e não militares, além de ameaças que buscam claramente desestabilizar o país. A vantagem é que, com as ações de baixa intensidade, o campo de resistência nacional não se alarga tanto porque as ações são encobertas, enquanto que nas guerras de média ou de alta intensidade há confrontos militares de tropas que escancaram a agressão estrangeira.

A Associação afirma ainda que a escolha por ações de baixa intensidade foi devido a que o USA quer ganhar opinião pública, tornando seu discurso mais “diplomático”, enquanto promove ações que semeiam o caos e a anarquia que façam parecer que o culpado é o próprio governo. Segundo os maoistas, se o objetivo não for alcançado através da guerra de baixa intensidade, os ianques vão impulsioná-la até convertê-la em guerra de média ou de alta intensidade.

Ianques avançam nova etapa da agressão

Essa nova etapa da agressão ianque veio após o “Plano A” do imperialismo ianque fracassar.

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O plano consistia em fazer adentrar às fronteiras da Venezuela o arremedo de “ajuda humanitária” por meio de caminhões, no dia 23 de fevereiro, para atiçar a população local e gerar fato político que criasse uma grande mobilização nacional de massas, que transbordasse à violência generalizada.

A violência generalizada por “ajuda humanitária”, segundo os revolucionários peruanos, teria o objetivo de desestabilizar e quebrar o apoio de parcela das Forças Armadas ao governo Maduro, colocando-a a favor de Guaidó. Assim, a intervenção imperialista se faria por intermédio de um setor das Forças Armadas que, capitulando, fariam parte da agressão ianque.

Maduro vacila e mantém livre Guaidó

Enquanto o USA promove a escalada de sua guerra por meio de ações de baixa intensidade, o fantoche Juan Guaidó pediu para que a Assembleia Nacional suspensa decrete “estado de emergência” em todo o país, no dia 11 de março.

Guaidó, a propósito, está sob o risco de ser preso desde que voltou para Caracas, no dia 4 de março, por ter violado a decisão do Tribunal Supremo de Justiça, na qual ficou proibido de sair do país após ter se declarado presidente interino, infringindo as leis venezuelanas.

Um dia antes do fantoche ianque voltar, o Conselheiro de Segurança do USA, John Bolton, fez ameaças ao governo da Venezuela afirmando que o país iria receber “uma resposta forte e significativa” caso “alguma coisa aconteça com Guaidó”. No dia do retorno de Guaidó, o atual vice-presidente do USA, Mike Pence, corroborou com as falas de Bolton e complementou: “Qualquer ação contra Guaidó não será tolerada”.

Maduro, antes do retorno de Guaidó, havia feito afirmações condenando-o e dizendo que ele devia responder à justiça do país. “Ele não pode ir e vir. A Justiça o proibiu de deixar o país.”.

O presidente do país, Maduro ainda não comentou sobre o caso nem puniu o criminoso fantoche ianque após seu retorno ao país.

A posição vacilante de Maduro, mantendo o infrator Guaidó livre para seguir cometendo seus crimes, foi analisada em um artigo da Associação de Nova Democracia Nuevo Peru intitulado Nós rejeitamos a disseminação de todas as ideias tolas e capituladoras que não servem para preparar o povo para a resistência à agressão imperialista ianque.

A Associação critica duramente Maduro por manter uma postura vacilante e não enxergar que o país já está sendo agredido pela guerra de baixa intensidade desatada pelo USA. Ao contrário de responder firmemente, Maduro diz que “não haverá guerra” e ilude as massas venezuelanas com a possibilidade de um possível “acordo que assegure a paz” com o imperialismo.

Segundo os maoistas peruanos, o governo da nação agredida, ao contrário de buscar acordos infecundos, deveria estar preparando toda a nação para a resistência armada e desafiando frontalmente o maior inimigo dos povos do mundo, o imperialismo ianque.

“Parte dessa crença de paz vem da supervalorização que faz Maduro sobre o apoio dos imperialistas russos e social-imperialistas chineses. Ele acredita que esses países vão empenhar-se para salvar a Venezuela”, analisam os revolucionários peruanos. E prosseguem, criticando a ilusão de Maduro de que os russos possam garantir e proteger a Venezuela: “Maduro deveria saber que uma coisa é a Síria e a conjuntura específica que ocorreu lá, e outra coisa muito diferente é um país da América Latina, localizado no quintal do imperialismo ianque, que faz parte da principal base da sua hegemonia global”.

A Associação menciona que toda a pressão que fazem a Rússia e a China, supostas “defensoras  da Venezuela”, serve para valorizar seu poder de negociação frente ao imperialismo ianque para, no momento oportuno, arrancar vantagens em negociações que melhor lhes sirva. Como, por exemplo, deixar de apoiar diplomaticamente Maduro em troca de concessões no Oriente Médio ou em troca de alívio em sanções. “Assim é: o imperialismo utiliza a luta do povo como peça de xadrez no tabuleiro, moeda de troca.”, afirmou a Associação.

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