Maranhense no cenário do samba carioca

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Natural de São Luís do Maranhão, a cantora e compositora Fernanda Garcia aprendeu desde cedo a gostar de samba e música popular brasileira em geral, através dos saraus que seu pai fazia com os amigos no quintal de sua casa. Atualmente morando no Rio de Janeiro, Fernanda se apresenta pelos bares da cidade, em duo com o violonista carioca Pablo Falcão ou com o grupo Cuíca de Goela, fazendo um samba artesanal e divulgando seu EP, “Fiz um samba pra você”.

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Fernanda chegou do Maranhão em busca de novos horizontes
Fernanda chegou do Maranhão em busca de novos horizontes

— Sou a terceira de quatro filhas e era bem pequena quando meu pai fazia saraus em casa. Gostava de ficar pertinho ouvindo, mas eram só homens e existia ali um machismo muito grande, então meu pai não queria que nos aproximássemos daquele ambiente. Eram amigos que ele chamava para o nosso quintal, vinha violão, cavaco, percussão, e algumas pessoas para cantar, inclusive o meu pai era um dos cantores dessas reuniões — conta Fernanda.

— Eram só canções da música popular brasileira, incluindo samba de autores como Cartola, Adoniran Barbosa, Ataulfo Alves, e músicas do Nelson Gonçalves, que foi um grande intérprete. Cantavam também as músicas que faziam nas rádios nacionais do Brasil, músicas daquele momento — recorda.

 — Por não poder ficar perto, porque meu pai não admitia que as suas meninas ficassem, eu me mantinha escondidinha. Havia muitas árvores no meu quintal, então as vezes me escondia atrás de uma árvore e ficava curtindo, já gostando muito daquele tipo de música, que eram melódicas, com letras muito poéticas, geralmente as músicas antigas tocavam muito os nossos corações — continua.

Fernanda admirava as vozes das pessoas que cantavam no evento, inclusive a de seu pai.

— Modéstia à parte, ele tinha a voz muito parecida com a do Nelson Gonçalves, era uma voz muito bonita, porém, ele não cantava profissionalmente. Às vezes até escondia da minha mãe que cantava fora dali, em saraus, serenatas com os amigos, cantava em aniversários, fazia tudo escondido, e eu não sei porque ele não falava — conta.

— Sem dúvida meu pai foi responsável pela minha primeira forte ligação com a música, mas ele faleceu quando eu tinha 16 anos de idade, não teve a oportunidade de me ouvir cantando, porque só fui começar a cantar profissionalmente com 28 anos, bem tarde para quem sempre gostou de música. Minha família não incentivava, queria que estudássemos como pessoas normais — continua.

— Entrei na faculdade e comecei a trabalhar em outra atividade, mas acabei voltando para a música quando comecei a participar do coral da escola de inglês. Passei a saber muito mais sobre música, praticar educação vocal, além de conhecer muita gente da área, colegas que me incentivaram a cantar em bares, e me ajudaram a procurar músicos que pudessem me acompanhar na jornada, e assim acabei me profissionalizando — relata.

Fernanda passou a se apresentar em bares e restaurantes de São Luís, e também em festas, eventos diversos, e festivais, dentro e fora do estado, sendo vencedora em vários.

— Gravei um CD para divulgar meu trabalho, e isso foi muito bem feito no Centro Histórico, tanto que acabei indo parar na Itália: muitos turistas que visitaram o Maranhão levaram o CD, e acabou sendo ouvido pelas pessoas que fizeram o convite. Mas não tinha patrocínio, então tivemos que procurar por ele, juntar dinheiro, e conseguimos ir, eu, um violão, uma percussão e a nossa produtora Joana Bittencourt — conta.

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