O que chamam de ‘tragédia’ nós chamamos de crime impune

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“Um trecho de cerca de 20 metros da Tim Maia, na Avenida Niemeyer, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, desabou na manhã desta quinta-feira (21), pouco mais de três meses após sua inauguração. Segundo os Bombeiros, duas pessoas morreram no local após cair no mar. Uma terceira vítima ainda é procurada...”.

Ellan Lustosa/AND
Deslizamento na encosta do morro Cerro Corá, no Cosme Velho, 2018 (foto: Ellan Lustosa/AND)
Deslizamento na encosta do morro Cerro Corá, no Cosme Velho, 2018

“O caso de Mariana ocorreu em 5 de novembro de 2015 e foi a maior tragédia ambiental da história do Brasil. O acidente foi provocado pelo rompimento da Barragem do Fundão, usada para guardar os rejeitos de minério de ferro explorados pela empresa Samarco. O evento causou a destruição do meio-ambiente, contaminação do rio, do solo e um saldo de 19 mortos...”.

“O momento é de luto. Após temporal de 6 de fevereiro que deixou um rastro de destruição pela cidade, chamas consumiram alojamento dos atletas da categoria de base do Flamengo, com a morte de dez jovens e outros três internados em estado grave...”.

“A Defesa Civil de Minas Gerais informou, no dia 14/3, que o número de mortos pelo rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, ocorrido há quase dois meses, subiu para 203. Ainda segundo a corporação, 105 pessoas ainda estão desaparecidas e 398 foram localizadas. As causas da tragédia ainda não foram esclarecidas...”.

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Duas pessoas morreram com o desabamento da ciclovia Tim Maia, 2016 (foto: Ellan Lustosa/AND)
Duas pessoas morreram com o desabamento da ciclovia Tim Maia, 2016

Esses são alguns trechos de matérias do monopólio de imprensa sobre as últimas “tragédias” ocorridas no país. Essas “tragédias” são frutos de descasos com a população, de corrupção escancarada numa sociedade na qual o lucro é o que mais interessa, na qual o bem-estar da população vem em último lugar, quando vem. Incêndios, barragens destruídas, desabamentos e outros crimes ganham o nome de tragédias para mascarar o mar de impunidade e de descaso, cujo protagonista é o velho Estado, seus agentes e instituições, controladas de cima a baixo pelas grandes empresas monopolistas que deles usam e abusam. E quem sustenta essa farra da exploração é a população pobre, que paga com a vida para que uma minoria enriqueça.

A última parte dessa história de exploração e sofrimento tem como palco a linha férrea administrada pela conhecida SuperVia, no Rio de Janeiro, estação de São Cristóvão,  empresa já protagonista de várias situações calamitosas.

Dessa vez, a vítima foi o maquinista Rodrigo da Silva Ribeiro Assumpção, de 40 anos, que, antes de morrer, sofreu por sete horas preso nas ferragens. O trem que ele conduzia bateu frontalmente com outro carro, provavelmente por falta de sinalização.

Ellan Lustosa/AND
Maquinista provavelmente foi vítima de falha dos freios no mesmo trimestre que SuperVia aumentou tarifa
Maquinista provavelmente foi vítima de falha dos freios no mesmo trimestre que SuperVia aumentou tarifa

Em 2016, na época das Olimpíadas, a rede ferroviária do Rio de Janeiro teve um investimento de cerca de R$ 3 bilhões aplicados não só em novas composições, mas na melhoria da via permanente, da rede elétrica e do sistema de sinalização. Essa colisão, que vitimou o trabalhador, ocorreu na semana em que a SuperVia impôs mais um aumento abusivo no valor das passagens, ilustrando bem o cenário da realidade brasileira: lucro acima de tudo. Enquanto isso, o funcionamento dos trens na cidade é repleto de atrasos diários e problemas nas linhas, mesmo tendo recebido verba bilionária em 2016.

A questão é: todas essas “tragédias” teriam acontecido se os altos responsáveis dos casos anteriores tivessem sido punidos? Essa sandice de pôr o lucro desenfreado acima de qualquer valor humano é característica desse capitalismo, no qual tudo acontece por vontade e ordem de um punhado de grandes burgueses. Essa ganância que alimenta e é alimentada pela corrupção enraizada no coração do velho Estado, corrupção inerente a ele, só existe para encher o bolso de políticos e empresários inescrupulosos e, por isso, tem que acabar. Do contrário, continuaremos sendo explorados, nos matando de trabalhar para sustentar porcos capitalistas famintos por altos lucros.

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