‘Lava Jato da Educação’: o fascismo nas escolas

Enquanto o carnaval corria solto nas cidades brasileiras, o gerente de turno Jair Bolsonaro, a figura mais lembrada na folia segundo os diversos vídeos espalhados pela internet, resolveu sair das sombras para ameaçar, via Twitter, os educadores do país com a “Lava Jato da Educação”. Isso demonstra que a política fascista destinada à educação, capitaneada por Bolsonaro e seus asseclas, e cuja face mais conhecida é o torpe projeto “Escola sem partido”, é uma verdadeira ameaça à liberdade democrática de ensino no país.

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Com o esdrúxulo argumento de que o país gasta muito em educação (???), Bolsonaro tirou a segunda-feira de carnaval para fazer uma série de postagens, nas quais afirma que pretende redefinir as diretrizes educacionais do país.

“Em 2003, o Ministério da Educação gastou cerca de R$ 30 bilhões nessa área, em 2016, os valores subiram e atingiram R$ 130 bilhões”, inicia ele, sem contextualizar que, nesse mesmo período, o preço de todos os produtos elevou-se radicalmente, o que torna o aumento real, na verdade, ridiculamente baixo. “Dados iniciais revelam indícios muito fortes que a máquina está sendo usada para manutenção de algo que não interessa ao Brasil”. E completou, em tom de ameaça: “Há algo de muito errado acontecendo: as prioridades a serem ensinadas e os recursos aplicados. Para investigar isso, o Ministério da Educação junto com o Ministério da Justiça, Polícia Federal, Advocacia e Controladoria-Geral da União, criaram a Lava Jato da Educação”.

O objetivo dessa “Lava Jato da Educação” é fazer uma assepsia em toda a estrutura acadêmica e educacional do país, expurgando todos os elementos que não confluem com a ideologia anticomunista propagada desde o governo, expurgos que serão feitos por meio de acusações por corrupção ou desmoralização pública.

Vindo de quem vem isso não é nenhuma novidade, pois, se existe uma coisa que a história nos mostra, é que todo movimento fascista, que o clã Bolsonaro e seus asseclas buscam ainda timidamente impulsionar, procura colocar a escola a seu serviço. Foi assim na Itália de Mussolini, na Espanha de Franco, e é o que se configurará no Brasil, a depender desse setor de extrema-direita que atua no governo.

Expressões disso são as falas do ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, que escreveu que o golpe militar de 1964 deveria ser comemorado, que as vagas no ensino universitários devem ser reservadas apenas para “elite intelectual”, e que a militarização das escolas públicas e a volta do ensino de moral e cívica surgem como as grandes soluções para resolver o problema educacional brasileiro.

‘Escola sem partido’ e a vigilância nas escolas

Essas propostas estão em sintonia com o principal projeto educacional elaborado pela extrema-direita, o “Escola sem partido”. Idealizado pelo advogado Miguel Nagib, com o argumento de que defenderia os estudantes da chamada “doutrinação ideológica”, o projeto, que foi arquivado na última legislatura e deve voltar à pauta do Congresso Nacional este ano, foi uma das principais bandeiras da campanha de Bolsonaro. Aliás, as chamadas “pautas comportamentais” ainda não foram enviadas ao Congresso porque poderiam atrapalhar as negociatas do criminoso projeto de contrarreforma da Previdência.

Ao contrário da propaganda enganosa típica dos novos tempos, o “Escola sem partido” representa uma verdadeira censura aos professores, desrespeitando a liberdade de cátedra assegurada pela Constituição Federal, impondo valores fascistas que desconsideram o processo pedagógico e a formação crítica dos estudantes, e criminaliza o debate e as discussões das mazelas sociais em sala de aula.

Em entrevista para a Agência Pública de Jornalismo Investigativo, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE), Heleno Araújo, disse que o projeto “Escola sem partido” abrirá caminho para uma contrarreforma profunda na educação, com a substituição dos conteúdos dos livros didáticos e a implantação de novas regras de acesso à cátedra, cujo objetivo seria pôr em curso uma revisão histórica da ditadura (1964-1985), que seria recontada com a inclusão de uma versão mais palatável aos militares.

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