O blues da Região Serrana

Natural de Nova Friburgo, cidade da Região Serrana do estado do Rio de Janeiro, a cantora e compositora Caru de Souza interpreta com sinceridade um pouco da história do blues. Com uma carreira consolidada, Caru atuou durante mais de uma década na banda de Gnose, e hoje segue o caminho da carreira solo acompanhada da banda The Blues Stolens, se apresentando em espaço e festivais da Região Serrana e também no circuito de rock e blues da capital.

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A cantora Caru interpreta clássicos do blues em carreira solo
A cantora Caru interpreta clássicos do blues em carreira solo

— Há cerca de seis anos subi no palco pela primeira vez para cantar. Sempre tive um certo interesse por esse ofício, mas nunca levei muito a sério, até me achava desafinada. Somente quando todo mundo da minha casa saía para fazer alguma coisa é que eu brincava de cantar. Cantei em público pela primeira vez na adolescência, quando fiz prova de habilidade específica no vestibular de teatro, nesse momento percebi que poderia seguir esse talento, vi que ele existia — conta Caru.

— Acabei entrando para a faculdade de moda, no Rio, e durante o curso descobri que lá existia um coral, que inclusive dava desconto na mensalidade, e foi através desse coral que comecei a aprender as primeiras técnicas de canto. Me formei em moda, voltei para Friburgo e me juntei com um amigo para começar o meu primeiro trabalho musical, na época de voz e violão — continua.

— Em 2003 eu entrei para a banda Gnose, uma banda de rock, e fiquei por 14 anos. Quando a banda acabou, comecei a construir esse projeto de blues, que já sonhava há cerca de 7 anos, e foi a partir do convite de uma casa, onde estreei com a banda The Blues Stolens — diz.

Caru não vê o rock e o blues como gêneros estrangeiros, coisa importada; ela enxerga a música em geral como propriedade de todos.

— Acredito que a música seja uma linguagem universal, e existem muito teóricos que falam sobre isso. A minha escola musical foi o rock, comecei desde muito nova escutando Pink Floyd, Janis Joplin, Led Zeppelin; é claro que também ouvia outros gêneros musicais, mas acabei gostando mais e enveredando pelo caminho do rock que, por sua vez, é filho do blues e do jazz — explica.

— E, sem dúvida, os ritmos estrangeiros acabam se adaptando ao nosso jeito brasileiro, temos no país músicos muito competentes e criativos, em todas as vertentes. O que pode gerar uma dificuldade é a questão da sonoridade da língua, porque a nossa língua é mais percussiva, ela é muito “tac tic tac”, e por isso funciona muito mais com ritmos percussivos — continua.

Caru lembra que o blues é descendente da mesma matriz que o samba e outros gêneros brasileiros.

— O blues é uma música de origem negra, assim como o samba, o jongo, são gêneros de raiz africana, que têm um embasamento inicial africano. Não podemos negligenciar essa matriz, essa raiz negra em meio a todos esses ritmos que temos pelo mundo, e entre eles, o blues, o samba e as músicas brasileiras — fala.

Batalhando espaço e vivendo da sua arte

— Sem dúvida nenhuma eu penso na possibilidade de cantar em português no futuro. Tenho a ideia de pegar alguns blues em português, contudo, tem a questão da sonoridade, da métrica da língua, que precisa ser bem pensada. Isso é uma arte, é um conhecimento chamado prosódia, algumas músicas são mais complexas de serem encaixadas na língua portuguesa — explica Caru.

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