RJ: Exército genocida é acusado em enterro de músico fuzilado

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Sob forte emoção de parentes e muitos amigos, foi enterrado na manhã de 10 de abril o corpo de Evaldo dos Santos Rosa, músico fuzilado pelo Exército genocida num carro com a família em Guadalupe, Zona Norte do Rio de Janeiro, em um domingo, 07/04.

Mauro Pimentel/AFP/CP
Com bandeiras manchadas de sangue, amigos e familiares do músico Evaldo protestam na Vila Militar (foto: Mauro Pimentel/AFP/CP)
Com bandeiras manchadas de sangue, amigos e familiares do músico Evaldo protestam na Vila Militar

O enterro ocorreu no cemitério de Ricardo de Albuquerque, também na Zona Norte do Rio, e contou com a presença de cerca de 200 pessoas. O clima era de intensa revolta e os presentes levaram bandeiras do Brasil manchadas de sangue.

Inicialmente, de forma mentirosa e cínica, o Comando Militar do Leste havia dito que os militares atiraram contra criminosos que praticaram assalto na região. Porém, a verdade apareceu rapidamente e o fato gerou gigante insatisfação na sociedade, obrigando o Exército reacionário a “mudar de opinião” e dizer que faria uma “apuração do caso”. Pouco tempo depois, os envolvidos foram presos.

Ainda no dia 10/04, a juíza Mariana Campos, da 1ª auditoria da Justiça Militar, decidiu pela conversão da prisão temporária em preventiva de nove dos dez militares presos por participação no crime hediondo.

No enterro, Elizabete de Oliveira, amiga de Evaldo desde jovem, em declaração à imprensa, disse não acreditar na punição para os militares, demonstrando uma visão lúcida sobre o caráter farsante da “democracia” brasileira.

Em entrevista ao jornal O Dia, um homem apresentado como Donato protestou contra o Exército. “Essa bandeira simboliza um tiro na democracia. Um tiro no nosso direito de ir e vir. Um tiro na nossa cidadania. Um tiro na nossa liberdade. Não sei se vamos poder continuar andando nas ruas onde estamos acostumados a andar”, disse, acrescentando: “Até agora, nem familiares e nem amigos foram procurados pelas autoridades, nem pelos militares. O governo do estado não se manifestou. O governo federal não se manifestou, e nós estamos esperando uma satisfação.”.

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Segundo informações relatadas por membros de organizações democráticas presentes no enterro, muitas pessoas corretamente associaram o assassinato de Evaldo ao governo Witzel e ao governo militar de Bolsonaro, tutelado pelo Alto Comando das Forças Armadas reacionárias. Ao mesmo tempo, o enterro foi marcado por alta consciência política dos presentes, seja com as bandeiras do país manchadas de sangue, seja com as críticas contundentes às “autoridades”.

Os 80 tiros disparados contra o carro em que Evaldo levava sua família para um chá de bebê despertou grande sentimento de revolta e escancarou, mais uma vez, o papel das Forças Armadas reacionárias: reprimir os pobres e proteger esta velha ordem a ferro e fogo, defender e sustentar o velho Estado burguês-latifundiário brasileiro.

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