RO: Rompimento de barragem deixa centenas de famílias no prejuízo

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No dia 29 de março mais uma barragem se rompeu, dessa vez na cidade de Oriente Novo, distrito de Machadinho d’Oeste, em Rondônia. A barragem estava sob administração da Metalmig, que utiliza a região para a exploração de cassiterita.

João do Bec
Isolados, moradores têm dificuldades de repor mantimentos (foto: João do Bec)
Isolados, moradores têm dificuldades de repor mantimentos

A empresa jogou a responsabilidade nas chuvas que atingiram a região no dia do rompimento; chuvas que são comuns nessa época do ano. A força da água só não causou uma tragédia como a de Brumadinho por conta da geografia plana de Machadinho d’Oeste.

No total, cerca de 350 pessoas ficaram isoladas devido a destruição causada pelo rompimento, que danificou sete pontes essenciais para o deslocamento da população que vive naquela região e escoamento da produção camponesa.

“Os principais problemas relatados pelas famílias é o isolamento, não sair da região, e também o escoamento da produção. É uma região que produz muito leite e eles não têm como levar pra vender. Famílias relatam que além das perdas ambientais que não foram ainda mensuradas, há animais morrendo e gados levados pela força da água.”, afirma Francisco Kelvim, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

O Ministério Público acionou a Agência Nacional de Mineração por meio de um ofício para que apresente laudos que, segundo a mineradora Metalmig, atestam a segurança da barragem, que se encontrava desativada há pelo menos três décadas.

A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) de Rondônia e Amazônia Ocidental, em nota, também condenou o crime da mineradora.

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“A mineradora Metalmig, que explora cassiterita na região há décadas, se eximindo de responsabilidade, joga a culpa do rompimento nas fortes chuvas, que todos sabemos serem volumosas na região amazônica, especialmente nessa época do ano. Os criminosos rompimentos de barragens são resultados da voracidade como são saqueadas as riquezas minerais do país. Como predadores, eles querem arrancar tudo no menor tempo e no mais baixo custo possíveis. E danem-se as populações e o  meio natural. Existem tecnologias para beneficiar minério a seco. Por que não se obriga todos a adotá-las? Porque as barragens assassinas são mais baratas e este velho Estado e seus governos de turno são cúmplices. As mineradoras só pensam em seus lucros bilionários e fica mais barato para esses exploradores comprar meia dúzia de políticos, emissoras de televisão e enterrar o povo sob toneladas de lama. Nos países imperialistas, a exploração mineral cumpre regras rígidas. Nos países dominados, como o nosso, para esses tubarões exploradores, o povo não vale nada!”, protesta a LCP.

Os camponeses criticam ainda a grave situação de várias barragens, cujas irregularidades e riscos têm a vista grossa do velho Estado. “Segundo informações oficiais da Agência Nacional de Águas, em Rondônia, cerca de 22 barragens de diferentes finalidades têm alto potencial de dano, podendo causar mortes e grande destruição em caso de rompimento. Estão incluídas aí as hidrelétricas Santo Antônio, Jirau e de Samuel. Ainda segundo a mesma agência, em Rondônia, há 15 barragens classificadas como de alto risco para rompimento. Diante de tão grave situação, o que têm feito os órgãos ambientais tão diligentes quando se trata de perseguir, punir e ameaçar pequenos camponeses, inclusive cometendo para isso toda sorte de ilegalidades?”, denunciam, para logo condenarem: “As barragens são bombas montadas e crimes premeditados. Seu rompimento é um verdadeiro atentado terrorista contra nosso povo e o meio natural. Os responsáveis pelas mineradoras são os principais criminosos e os governantes são seus cúmplices!”.

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