Cantando e contando histórias

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Cantora e contadora de histórias, Scheyla Borges gosta de levar emoção até as pessoas através da música e sente que isso torna-se mais forte se juntar as canções com a contação, como é o caso do seu espetáculo atual chamado Carolina de Jesus – uma voz soberana, a história da catadora de papel que virou escritora. Natural de Angra dos Reis/RJ, Scheyla trilhou um longo caminho, ultrapassou muitas barreiras, se aperfeiçoou e hoje pode viver intensamente a sua arte.

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Scheyla no show Carolina de Jesus – uma voz soberana
Scheyla no show Carolina de Jesus – uma voz soberana

— Meu contato com a música começou por volta dos sete anos de idade de forma afetiva e lúdica, ouvindo músicas na rádio vitrola da minha casa, em um aparelho que tinha uma parte reservada para guardar os discos. Colocava vários discos, ficava posicionando e reposicionando a agulha no vinil para tocar a música que mais gostava de ouvir — recorda Scheyla.

— Meu pai tinha  ali uma imensa variedade de estilos musicais, ele era marinheiro e isso se dava por conta das viagens que fazia pelo Brasil e exterior, o contato que tinha com outras pessoas. Era música brasileira, internacional e música instrumental, gêneros diversos: samba, MPB, serestas, rock progressivo etc — continua.

— Aquela rádio era um dos meus brinquedos favoritos, e além de ouvir eu gostava de repetir as canções. Tive oportunidades para cantar em público, mas foram tentativas não muito felizes, por exemplo, cantei a música folclórica “Se essa rua fosse minha” em uma escola, vestida de anjo, e assim que acabou os meninos debocharam de mim, falando que eu parecia um pavão misterioso — conta.

Scheyla lembra que era uma menina tímida e se retraiu ainda mais, não querendo cantar em público. Porém, algum tempo depois ingressou no coral da sua escola.

— Estudava em uma escola pública lá de Angra dos Reis e o professor e maestro era Gerard Galloway. Com ele tive contato com os primeiros ensinamentos teóricos sobre música, impostação de voz etc. e pude me desenvolver musicalmente, e participar de apresentações na cidade — fala.

— Por essa época também participei de um grupo de teatro em Angra dos Reis, que se propunha a fazer teatro de rua. Atuávamos como atores e cantores e assim fiz pequenas participações, mas que foram muito importantes para a minha construção artística. Com 21 anos passei em um concurso público e vim para o Rio de Janeiro trabalhar em outra área — continua.

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— Mas aquela semente que já tinha sido regada começou a remexer dentro mim, e entrei para uma companhia de dança afro primitiva. Quando essa companhia se desfez, o Luiz Monteiro, um dos integrantes na época e diretor artístico do meu trabalho atual, montou uma peça teatral que tinha música, me convidou, e assim em 1994 estreei como cantora solista, cantando “Carinhoso” — conta.

Talento, luta e influência

— Desde aquela época não me preocupava somente em cantar e sim interpretar uma música, minha atuação tinha que ter a minha cara, carregar dentro da letra e da música a minha história e o que eu queria dizer. E para desenvolver minha interpretação fiz cursos, que juntamente com a vivência no coral, a dança, foi definindo meu trabalho — relata Scheyla.

— Ingressei em uma escola de música e passei a participar de festivais, sempre ficando entre os primeiros colocados e vencendo vários. Essa era a maneira que encontrava de conciliar minha vida profissional no mundo corporativo com o mundo artístico, o que é muito difícil — expõe.

Companheiros de cena de um grupo de teatro de rua, que Scheyla participou posteriormente, a convenceram de cantar profissionalmente.

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Scheyla interpreta com técnica e emoção
Scheyla interpreta com técnica e emoção

— Encenávamos uma peça que fazia menção ao momento político do país, e era patrocinada pela Associação de Engenheiros da Petrobras — Aepet. Meus amigos do grupo me incentivaram a cantar não só ali, e assim comecei a cantar um repertório de bossa nova em um bar — conta.

— Cheguei a tocar em outro bar, mas, ainda não era aquele momento, porque passei a sofrer discriminação por parte de alguns profissionais por causa da minha idade. Estava com trinta e poucos anos e eles diziam que eu era velha para cantar, velha para ser produzida, para investirem em mim — fala.

 — Foi uma lambada na minha vida, parei com os bares, me apresentando somente nos festivais e eventos beneficentes, e cantando em casa. Até que entrei para o coral da empresa que trabalho desde quando vim para o Rio, um coral que tinha mais de 40 anos de existência, e que infelizmente, por conta da política atual, foi extinto — lamenta.

— O coral foi para mim uma tábua de salvação, artisticamente falando, porque me permitiu participar do lançamento do Sambabook da Dona Ivone Lara, em 2015, no teatro Rival, a convite de José Machado, maestro do coral. Ela subiu no palco e cantou conosco, então fui diretamente atingida pela sua presença e exemplo de vida — declara.

Começou uma nova fase na vida de Scheyla a partir desse contato com Dona Ivone Lara e sua história.

— Decidi abandonar qualquer tipo de crítica que fizessem a mim e seguir em frente minha carreira. O exemplo de sua vida, sua luta, me deu força para retornar com toda intensidade, para voltar a sonhar. Quando retiram nosso sonho retiram o nosso chão, e eu vi meu sonho retirado várias vezes — fala.

— Aprendi com Dona Ivone Lara que nunca devemos desistir dos nossos sonhos. Penso que muitos artistas desistem de seus sonhos por falta um momento desse que eu vivi, e hoje quero fazer uma resistência com o meu trabalho, incentivar as pessoas a não desistirem de seus sonhos, seja em que tempo for — continua.

— Gosto de passar uma mensagem através da música, emocionar a quem me ouve, causar uma reflexão. O que prefiro cantar varia de acordo com o que pretendo atingir com aquela canção naquele momento, e os gêneros são variados, mas ultimamente tenho cantado muito MPB, samba e choro — conta.

Atualmente Scheyla Borges se apresenta no espetáculo cênico musical “Carolina de Jesus — Uma Voz Soberana”.

— Em alguns momentos declamo uma poesia e em outros entram umas falas que conversam com a música, porque a música e a contação estão presentes no espetáculo de uma forma contínua e natural. Eu não interpreto um personagem e sim conto sua história, e as pessoas têm gostado muito desse elemento, que é a contação de história dentro da cena musical — conclui.

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.  é o contato da artista.

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