Milhões vão às ruas de todo Brasil na Greve Nacional da Educação

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A Greve Nacional da Educação de 15 de maio foi um dia histórico para a educação brasileira. Milhões de pessoas foram às ruas em mais de 220 cidades (segundo dados do próprio monopólio da imprensa), incluindo todas as capitais, contra o bloqueio de verbas de instituições federais de ensino anunciado pelo governo Bolsonaro – tutelado pelo Alto Comando das Forças Armadas – e outros de seus pacotes de ataques, como a “reforma” da Previdência.

Fotos: Banco de dados AND
20 mil pessoas marcham por greve geral em Curitiba.
20 mil pessoas marcham por greve geral em Curitiba.

As manifestações do dia 15 foram antecedidas por inúmeras assembleias e manifestações ocorridas nos dias anteriores, de Norte a Sul do país, como, por exemplo, o protesto dos estudantes secundaristas durante a visita de Bolsonaro ao Colégio Militar do Rio. Além disso, como parte da Greve Nacional, ocorreram cortes de estradas com barricadas em diversas regiões.

No total, o governo Bolsonaro e dos generais efetuou um bloqueio de R$ 7,4 bilhões sobre todo o Orçamento de 2019 do Ministério da Educação (MEC), que é de R$ 149 bilhões para despesas da educação básica até o ensino superior. Desse total, cerca de R$ 2 bilhões são para instituições federais de ensino superior.

Povo toma as ruas

Tamanhas foram as manifestações que fica difícil apontar quais foram as mais lotadas. As imagens veiculadas na imprensa mostram milhares e milhares de pessoas nas ruas de Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Belém, Rio de Janeiro etc. No estado de São Paulo, os protestos foram enormes não só na capital, mas também em Campinas, São Carlos, Bauru, Ribeirão Preto e outras cidades.

Em todos os lugares foram registrados vários cartazes com referência à fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub, sobre “balbúrdia” nas universidades. Os manifestantes foram enfáticos: “Balbúrdia é cortar verbas da educação”.

Cabe ressaltar que, além dos cortes, os protestos também foram marcados por palavras de ordem e milhares de faixas e cartazes contra a “reforma” da Previdência de Bolsonaro. Os setores mais combativos do movimento popular marcaram posição defendendo uma Greve Geral de Resistência Nacional não só contra a “reforma”, mas também em defesa da soberania do Brasil, que vem sendo pisoteada por Bolsonaro, e em rechaço ao golpe militar contrarrevolucionário preventivo em curso no país.

Rondônia

A manifestação em Porto Velho, capital de RO, reuniu mais de 5 mil pessoas, segundo o Comitê de Apoio ao AND na cidade. Marcaram presença no ato o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), o Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate), o Movimento feminino Popular (MFP), sindicatos como o Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Rondônia (Sintero), o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), o Sindicato dos Servidores Federais do Estado de Rondônia (Sindsef), a Fiocruz e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que se revezaram nas falas do microfone denunciando os cortes na educação e a proposta de “reforma” da Previdência. Estudantes da Universidade Federal de Rondônia (Unir) estiveram presentes com uma faixa. Em uma das faixas produzida por manifestantes lia-se: Barrar os cortes de verbas da educação pública com luta unificada e Greve Geral!.

Bandeira ianque é incendiada em Goiânia
Bandeira ianque é incendiada em Goiânia

Goiás

Na manifestação da capital Goiânia, os manifestantes, demonstrando sua indignação e repúdio ao governo Bolsonaro, atearam fogo nas bandeiras do USA e de Israel, denunciando as ações entreguistas deste governo. As massas entoaram a palavra de ordem: Fora ianques da América Latina! e Fora Israel da Palestina!. As informações são do Comitê de Apoio de Goiânia.

Rio Grande do Sul

O Comitê de Apoio ao AND de Porto Alegre, capital do estado, acompanhou o povo gaúcho na massiva manifestação, sendo que, na parte da manhã do dia 15, estudantes já haviam enfrentado repressão da Brigada Militar. Cinco apoiadores do AND distribuíram 300 panfletos intitulado 10 motivos para a Greve Geral, do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de BH e Região (Marreta). Edições antigas do jornal foram distribuídas e exemplares da então atual edição (nº 222) foram vendidos.

São Paulo

O Comitê de Apoio de Campinas relatou que, dentre as diversas organizações e movimentos presentes no ato, destacou-se um bloco formado por militantes da Alvorada do Povo (AP) e outros ativistas independentes, que levantaram duas grandes faixas com os dizeres: Preparar a Greve Geral de Resistência Nacional e Em defesa da Universidade Pública Autônoma e Democrática.

Em São Paulo, marcha reuniu centenas de milhares contra ataques do governo
Em São Paulo, marcha reuniu centenas de milhares contra ataques do governo

Paraná

Segundo informações do Comitê de Apoio ao AND de Curitiba, pela manhã, cerca de 20 mil pessoas se reuniram na praça Santos Andrade, em frente ao Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, e saíram em ato percorrendo as principais vias do centro da cidade até a frente do Palácio Iguaçu, sede do governo do estado. Estiveram presentes dezenas de organizações sindicais e estudantis, dentre elas a AP e a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), além de blocos de estudantes independentes representando seus cursos universitários e instituições.

Norte de Minas

O Comitê de Apoio ao AND de Montes Claros informou que dois atos se uniram por volta das 17 horas, formando uma grande manifestação que paralisou o trânsito da cidade por cerca de duas horas. Estudantes universitários e secundaristas, professores e diretores do Sindicato dos Tecelões e dos Correios, junto a ativistas do MEPR e da Liga Operária formaram um bloco combativo erguendo as faixas: Preparar Greve Geral de Resistência Nacional!, Viva a Revolução Agrária! Morte ao Latifúndio! e Abaixo a privatização da universidade brasileira!. Muitas pessoas que estavam pelo centro comercial da cidade se somaram à manifestação e a população manifestava o seu apoio repetindo palavras de ordem como Não vai ter cortes, vai ter luta! e A nossa luta unificou, é estudante junto com trabalhador!

Espírito Santo

Em Vitória, capital do estado, o Comitê de Apoio informou que ocorreram duas manifestações. Uma delas, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Universidade Federal do Espírito Santo (Sintufes), Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes), o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo, grêmios e estudantes do Instituto Federal do Espírito Santo, além de centrais e outros sindicatos, aglutinou aproximadamente 10 mil manifestantes. Vários movimentos estiveram presentes, dentre eles o “Movimento Antifascista”. Os manifestantes fizeram um chamado à Greve Geral do dia 14 de junho e repudiaram os ataques à educação e à Previdência. Foi realizada uma brigada de divulgação e venda do jornal A Nova Democracia no final.

Rio Grande do Norte

Na capital potiguar, dezenas de milhares de estudantes secundaristas, universitários, professores e trabalhadores ocuparam a avenida Senador Salgado Filho, com concentração em frente ao campus central do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, denunciando o desmonte da educação pública. Estiveram presentes de forma ativa os militantes do MEPR e do Coletivo Estudantes do Povo (CEP). Setores do oportunismo fizeram acordo com os órgãos de repressão e de trânsito para ocupar apenas uma via da principal avenida da cidade, mas a proposta foi logo rechaçada pelos manifestantes, que rapidamente ultrapassaram a barreira da Polícia Militar (PM) e fecharam todas as vias.

Três manifestantes foram detidos acusados de depredar a sede do PSL (partido do fascista Bolsonaro), o que fora utilizado pelo monopólio da imprensa como pretexto criminalizante. Os manifestantes gritaram a plenos pulmões: Presos políticos, liberdade já! Lutar é justo! Vocês vão nos pagar!.

Bahia

Em Salvador, o ato da Greve Nacional da Educação, no último dia 15 de maio, contou com a participação de mais de 50 mil pessoas, que se reuniram na Praça do Campo Grande e marcharam até a Praça Castro Alves, no centro da cidade. O Comitê de Apoio ao AND acompanhou um bloco de estudantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e professores da rede estadual que levaram uma faixa conclamando: Greve Geral de Resistência Nacional.

Amazonas

Segundo o Comitê de Apoio de Manaus, estudantes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) realizaram um combativo ato em defesa da universidade pública por volta das 6h da manhã na Avenida Rodrigo Otávio. Mesmo sob forte chuva, aos poucos o número de estudantes e professores aumentou.

Ceará

Em Fortaleza, o Comitê de Apoio ao AND esteve presente no ato massivo que teve início às 08 horas da manhã na Praça da Bandeira, localizada no Centro da cidade. A justa manifestação contou com a participação de diversos setores da classe operária, camponeses, indígenas, servidores públicos de diversas áreas, estudantes universitários de variados cursos e estudantes secundaristas, além de crianças e mulheres grávidas, que continuaram no ato mesmo com a chuva que logo cessou para dar espaço ao calor típico de Fortaleza.

Mato Grosso do Sul

Na manhã do dia 15, trabalhadores e estudantes vindos da capital e interior do MS se aglomeraram e interditaram as faixas da Avenida Costa e Silva, em frente a UFMS, campus Campo Grande, seguindo em direção ao Terminal Morenão finalizando no “paliteiro” - monumento símbolo do campus universitário. Nos dias 13, 14 e 15, os estudantes já haviam ocupado o bloco VI da UFMS. O Comitê de Apoio ao AND da capital sul-mato-grossense acompanhou todas essas mobilizações.

Pará

Em Belém, o ato em defesa do ensino público e contra o corte de verbas concentrou-se na Praça da República e seguiu até a Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA), contando com cerca de 40 mil manifestantes, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Pará (SINTEPP). O Comitê de Apoio do AND esteve presente distribuindo em torno de 150 edições anteriores e vendendo cerca de 75 jornais da edição atual.

Campinas (SP)
Campinas (SP)

Rio de Janeiro

O dia 15 de maio foi histórico no Rio de Janeiro. O ato da Greve Nacional da Educação reuniu aproximadamente 300 mil pessoas, que se concentraram no fim da tarde na Candelária com suas faixas, cartazes, bandeiras e palavras de ordem.

As imagens aéreas que circularam nos veículos de comunicação mostraram a avenida Presidente Vargas completamente lotada. Jovens, adultos, idosos, professores, estudantes e trabalhadores das mais diversas categorias marcaram presença numa grande demonstração popular contra o bloqueio de verbas do governo Bolsonaro/Alto Comando.

Dentre os diversos movimentos e organizações presentes, um bloco formado por militantes do MEPR, do Moclate, do MFP e da Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária levantou uma grande faixa com a inscrição Contra as “reformas”, Greve Geral Já!.

Em determinado momento, quando a manifestação já havia chegado na Central do Brasil, teve início um confronto com a PM, que lançou bombas de efeito moral contra a multidão. A juventude se manteve na linha de frente e enfrentou a tropa com pedras e fogos de artifício.

Os manifestantes ainda realizaram uma combativa ação jogando tinta vermelha no Pantheon de Caxias, no Comando Militar do Leste do Exército reacionário. Fogos de artifício foram lançados contra os militares. Além disso, uma pichação foi feita: 80 tiros Exército assassino!.

O Pantheon de Caxias é um mausoléu que foi inaugurado em 1949 em comemoração aos 150 anos de nascimento do genocida Duque de Caxias, que teve seu corpo trasladado para lá com grande solenidade. Este Pantheon simboliza o que há de mais sanguinário na história do Brasil e foi desmoralizado pela juventude combatente, que rechaçou categoricamente o assassinato do músico Evaldo Rosa por militares do Exército na Zona Norte da cidade. Os confrontos continuaram e um ônibus foi incendiado pelos manifestantes.

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