'Guerra comercial': USA busca abrir mercado chinês para atuação de seus monopólios

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O presidente ianque Donald Trump declarou estado de emergência nacional para barrar a suposta espionagem de uma das maiores empresas chinesas de telecomunicações, a Huawei, no dia 15 de maio.

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Medidas de Donald Trump contra Huawei aumenta pugna interimperialista; China pode retaliar
Medidas de Donald Trump contra Huawei aumenta pugna interimperialista; China pode retaliar

O clima tenso entre os dois países imperialistas, ao que parece, está longe de acabar. De acordo com a Casa Branca, as motivações de Trump são “proteger a América de adversários estrangeiros que estão ativamente e cada vez mais criando e explorando vulnerabilidades nas infraestruturas de equipamentos de informação e comunicação”.

Além disso, Trump teria a pretensão de “dar poderes à Secretaria do Comércio para proibir transações que botem inaceitavelmente em risco a segurança nacional”. De acordo com o monopólio de imprensa BBC, o USA também restringiu agências federais de usarem os produtos da Huawei e encoraja seus aliados a fazerem o mesmo.

A medida de Trump impede que monopólios ianques utilizem tecnologia de “adversários estrangeiros” sem a permissão do governo, incluído aí o monopólio chinês Huawei. Quase ao mesmo tempo, o Departamento de Comércio ianque incluiu a Huawei e suas filiais na regulamentação especial de exportações, impondo-lhes sobretaxas.

Consequentemente, o monopólio social-imperialista chinês deixará de receber a colaboração de vários monopólios ianques da internet, como Google, Intel, Qualcomm e outros. O fim da colaboração com a Google afeta, em especial, a megaempresa chinesa, já que, a partir de então, suas mercadorias não poderão funcionar com o sistema Android, predominante no mundo, tendo que ser substituído por versões de software livre, sem os aplicativos mais utilizados.

Os ataques ianques afetam diretamente a empresa, econômica e politicamente, que nega ter qualquer relação de espionagem no país. A filha do fundador da Huawei, Meng Wanzhou, já havia sido presa em 1º de dezembro em Vancouver (Canadá), por pedido do USA, sob as acusações de lavagem de dinheiro, fraude bancária e roubo de segredos de comércio.

Diante da acusação de espionagem, os social-imperialistas chineses ironizam: “Os norte-americanos estão brigando com o resto do mundo para ver quem ganha o Oscar de melhor roteiro, por isso, os relatos se tornam cada vez mais mirabolantes”.

Sobre o modus operandi ianque, Ren Zhengfei, fundador da Huawei, anuncia que “o USA gosta de aplicar sanções aos outros; quando há algum problema, eles usam esse tipo de método de combate”.

Essas declarações elevam, de ambos os lados, a rivalidade comercial dos países a um novo nível. Diante da crise mundial, as contradições entre os países imperialistas se acirram, continuamente, procurando pelo lucro máximo e pelo controle dos mercados.

Abrir economia e derrubar o regime

Na declaração emitida no dia 1º de maio, Partidos e organizações marxistas-leninistas-maoistas analisaram a “guerra comercial”.

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“Os imperialistas ianques, atuando com arrogância e atitude imperial, com sua política de America First, desataram a chamada ‘guerra comercial’ mediante a qual, sob a ameaça de ‘elevação das tarifas’ para as importações, perseguem o objetivo de impor regras mais favoráveis ao capital financeiro ianque na Europa, Japão etc., e no caso da China, perseguem o objetivo de fazê-la escancarar sua economia para penetrar mais profunda e extensamente o seu domínio na economia do país. Tudo sob a bandeira da ‘liberalização’ da economia da China, para obrigá-la a seguir os moldes ocidentais de capitalismo, impulsionando a sua tendência a modalidades demoburguesas e o deslocamento da fração burocrática fascista. Avança mais rápido o processo de decomposição do revisionismo até sua bancarrota final”, expõem os maoistas. E prosseguem:

“Contra essas medidas nenhum dos seus rivais podem fazer nada, dada a hegemonia do capital financeiro ianque, expressa na predominância do sistema financeiro do USA, cuja principal praça bancária e financeira do mundo é Nova Iorque, seguida por Londres, expressando ainda a  dominação do dólar como moeda mundial. As sanções econômicas impostas pelos imperialistas ianques expressam a hegemonia do capital financeiro ianque sobre todos os demais, sustentada por seu enorme aparato diplomático e militar de alcance global”.

Por isso, os Partidos afirmam que a “guerra comercial” impulsionada pelo USA expressa sua dominação mundial: “Os social-imperialistas chineses, que desenvolvem a restauração associados ao imperialismo ianque, hoje pagam a fatura e são os principais compradores da dívida do Tesouro do USA, sujeitos a uma submissão humilhante ante os imperialistas ianques; foram obrigados a estabelecer uma nova lei de inversões estrangeiras para permitir maior entrada e campo de ação aos imperialistas”.

Já a Associação de Nova Democracia Nuevo Peru, sediada em Hamburgo (Alemanha), analisou o último decreto de Trump, que impede os monopólios ianques de fazer qualquer tipo de negócios com o monopólio chinês da internet sem a autorização do governo ianque.

“A última medida – aplicada sob o pretexto de um perigo de espionagem, práticas contra a propriedade intelectual – é direcionada contra o comércio da China, especialmente contra a Huawei. O ataque é para mostrar quem é quem, quem pode impor condições, e visa obrigar o governo social-imperialista chinês a permitir o acesso livre aos grandes monopólios ianques da internet.”.

O objetivo dos ianques com as tarifas e as sanções “é obrigar os social-imperialistas chineses a abrirem sua economia, neste caso específico, para que abram o mercado doméstico de consumidores chineses à indústria da internet ianque. Tudo isto em meio das negociações para um novo acordo comercial”.

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