Eratóstenes: o primeiro a medir a circunferência da Terra

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A Astronomia foi uma das primeiras ciências desenvolvidas pelo homem e a partir dela vários campos da Física e da Matemática tiveram origem. A noção de tempo e espaço, as bases para o desenvolvimento da astronáutica, os conceitos e ferramentas para a espectroscopia da luz, da fusão nuclear, da física das partículas elementares são alguns exemplos das contribuições dadas pela Astronomia para o desenvolvimento da percepção do homem acerca do Universo.

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A humanidade ao olhar para o céu identificou as constelações, os planetas e cometas. No entanto, um homem chamado Eratóstenes que nasceu no ano 275 a.C. na cidade de Cirene no norte da África e que foi astrônomo, historiador, geógrafo, filósofo, poeta, crítico de teatro, matemático, além de bibliotecário-chefe da grande Biblioteca de Alexandria, fez uma grande contribuição para nossa compreensão de mundo ao olhar para a Terra. O grande cientista e popularizador da ciência Carl Sagan assim relatou o experimento realizado por Eratóstenes: “Um dia ao ler um pergaminho da Biblioteca de Alexandria ele encontrou um relato bastante curioso: ao sul de Alexandria, na cidade de Siena (atual Assuã), no dia mais longo do ano, 21 de junho, a sombra de uma coluna ou uma vareta encurtava com a aproximação do meio-dia. Com o passar das horas os raios de Sol deslizavam pela parede de um poço que nos outros dias não era iluminado. Então precisamente ao meio-dia as colunas não projetavam sombra e o Sol brilhava diretamente no fundo do poço. Naquele momento o Sol estava exatamente a pino. Foi uma observação que uma outra pessoa teria facilmente ignorado: varetas, sombras, reflexos em poços, a posição do Sol, etc. Qual a importância que um assunto simples do dia-a-dia poderia ter? Mas Eratóstenes era um cientista e sua contemplação desses assuntos caseiros mudou o mundo, de certo modo fez o mundo. A presença de espírito de Eratóstenes em experimentar, de realmente perguntar: por que em Siena uma vareta projeta uma sombra perto do meio dia em 21 de junho? Eratóstenes se perguntou como podia no mesmo instante uma vareta em Siena não projetar sombra e uma vareta em Alexandria projetar uma sombra diferente. Se a Terra fosse plana as varetas em Siena e Alexandria não projetariam sombra ou projetariam sombras de mesmo tamanho no mesmo instante. A única resposta era que a superfície da Terra é curva. Não só isso, mas quanto maior a curva maior a diferença nos comprimentos das sombras. O Sol está tão distante que seus raios ficam paralelos quando atingem a Terra. As varetas em ângulos diferentes para os raios de Sol irão projetar sombras de comprimentos diferentes. Para a diferença observada nos comprimentos das sombras a distância entre Alexandria e Siena tinha que ser de 7 graus ao longo da superfície da Terra. Esses 7 graus é aproximadamente 1/50 da circunferência total da Terra (360 graus). Eratóstenes sabia que a distância entre Alexandria e Siena era de 800 km (ele contratou um homem para contar os passos dessa distância) e realizou o cálculo do comprimento da circunferência da Terra (800 x 50 = 40.000 km). As únicas ferramentas de Eratóstenes foram varetas, olhos, pés e cérebro mais o entusiasmo pela experimentação. Com essas ferramentas ele deduziu corretamente a circunferência da Terra com alta precisão, esse foi um ótimo cálculo para 2.200 anos atrás”1.

Falar de Eratóstenes é importantíssimo no momento em que hordas obscurantistas grassam na nossa sociedade o anticientificismo tentando arregimentar incautos com teorias esdrúxulas e anacrônicas como a da “Terra Plana”.  Outras ideias também são difundidas como, por exemplo: (i) a gravidade não existe; (ii) a Lua é auto-iluminada; (iii) o Sol e outros astros estão a apenas alguns milhares de quilômetros da Terra e descrevem órbitas paralelas à superfície da Terra; (iv) as viagens espaciais são impossíveis. Todas essas ideias vinculadas ao fundamentalismo cristão2. Os propagadores desses pensamentos chamam as teorias científicas de grandes conspirações, com isso espalham a confusão desviando a atenção do povo da maior de todas as conspirações que é a exploração da classe trabalhadora levada a cabo pela burguesia sob o regime capitalista. No Brasil, fascistas recalcados treinados pelo imperialismo ianque como Olavo de Carvalho e Abraham Weintraub, respectivamente ideólogo e gerente da educação do desgoverno Bolsonaro, são os porta-vozes dessas ideias. O capitão b%$&#@ suja e sua quadrilha de coturnos sabe que eles só se criam na ignorância, por isso a campanha contra as universidades e institutos federais e toda e qualquer iniciativa de educação libertadora. Esses canalhas devem ser combatidos com toda força pelas mulheres e homens progressistas e a principal arma para esse enfrentamento é a ciência. Contra o obscurantismo é necessário espalhar a luz do espírito questionador de Eratóstenes.

Importante citar neste artigo uma extraordinária iniciativa realizada pela Sociedade Astronômica Brasileira e outras instituições que é o Projeto Eratóstenes Brasil3. Todos os anos professores, alunos de qualquer idade e nível escolar, além de clubes de Astronomia, são convidados a participarem de atividades que reproduzem o experimento histórico de Eratóstenes, em parceria com outras escolas e grupos localizados no Brasil e em outros países da América Latina e do mundo.


Referências:

1. Carl Sagan – Cosmos – Eratóstenes. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=VE3S7KzIhJU
2. DA SILVEIRA, F. L. Sobre a forma da Terra. A Física na Escola (Online), v. 15, p. 4, 2017.
3.  Projeto Eratóstenes Brasil. Disponível em: http://bit.ly/2JnpZjU

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