Não foi acidente! Massacre em presídios do Amazonas é política de Estado

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No dia 26 de junho, um domingo, 55 detentos foram enforcados em diferentes prisões do Amazonas, numa das piores carnificinas dos últimos anos no Brasil. Isso, a menos de dois anos de um massacre de grandes proporções ocorrido no mesmo estado. Aos defensores da privatização como remédio para todos os males, deve-se dizer que no Amazonas a gestão da administração penitenciária é feita pela empresa Umanizzare (?), que afirma gastar R$ 4 mil mensais por cada detento sob a sua responsabilidade, ao passo que a média nacional é de R$ 2 mil.

Em cenas de horror, o governo local alugou um caminhão frigorífico para guardar os cadáveres, enquanto as famílias, entre o desespero e a indignação, esperavam a liberação dos corpos de seus parentes na porta do Instituto Médico Legal (IML). Trata-se de mais um crime de Estado contra o povo, dos tantos que se amontoam dia após dia neste país.

O que as “autoridades” desta republiqueta têm a dizer? A maioria simplesmente não diz nada, guardando um silêncio eloquente, cúmplice da barbárie. Outros, replicando as palavras de Raul Jungmann, ex-ministro da segurança pública de Temer, se referem às prisões como home office do crime “organizado”, verdadeira categoria mítica, que tem condão de explicar tudo e nada ao mesmo tempo.

Ora, os grandes e verdadeiros crimes contra o povo e a nação são organizados e implementados desde as altas cúpulas deste velho Estado reacionário. A maior parte deles, com o beneplácito da legalidade.

Porque só pode ser entendida como criminosa uma política que tem produzido encarceramento nas proporções escandalosas verificadas no País que é, ao mesmo tempo, massivo e seletivo: massivo pela explosão da população carcerária, que cresce em média 4% ao ano, enquanto o conjunto da população cresce a taxas inferiores a 1%; seletivo porque os tentáculos do encarceramento atingem sobretudo os jovens (mais da metade dos presos têm entre 18 e 29 anos), os negros (64%) e os não escolarizados (89% não concluíram o ensino básico, e apenas 1% têm graduação completa)1. Hoje, o Brasil tem mais de 700 mil presos e apenas 368 mil vagas, perfazendo um cenário de superlotação que já beira ao colapso. Neste ambiente, chacinas como as ocorridas no Amazonas não são “imprevisíveis”, como disse Sérgio Moro em Portugal, mas previsíveis e quase que inevitáveis.

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