Latifúndio sofre mais uma derrota, dessa vez em Alagoas

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Camponeses conquistam eletrificação
na Área Renato Nathan

Após anos de dura luta, os camponeses da Área Revolucionária Renato Nathan, em Messias, Alagoas, conquistaram a instalação de energia elétrica para suas casas. Nesta área, que historicamente havia sido grilada pela Usina Utinga Leão, atualmente vivem centenas de famílias camponesas que sustentam uma das áreas mais produtivas do estado.

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Após 16 anos de luta, camponeses conquistam eletrificação; a luta prossegue por regularizar as terras
Após 16 anos de luta, camponeses conquistam eletrificação; a luta prossegue por regularizar as terras

A eletrificação da área, como parte da luta pela Revolução Agrária, é um importante passo para que as famílias camponesas possam melhorar suas condições de vida e aumentar sua produção, incentivando e apoiando materialmente outros camponeses para conquistarem também suas terras, destruindo o latifúndio palmo a palmo. No dia 12 de junho ocorreu o ato em comemoração dessa conquista, além de uma homenagem ao companheiro José Adeilton, o Del do Lajeiro, que nesta data comemoraria seus 57 anos.

‘O Lajeiro’

No início, por volta de 2003, a semente da luta no Lajeiro foi plantada por famílias de posseiros que viviam e trabalhavam no local. Estas foram as primeiras famílias a enfrentar a Usina Utinga na conquista dessa terra. Entre 2003 e 2008, novas famílias se instalaram no local, buscando na ocupação das terras griladas pela usina uma forma de sustento para seus filhos.

Em meio à crise, em 2009, as fazendas usurpadas pela Utinga foram ocupadas por vários movimentos de luta pela terra em Flexeiras, Murici, Rio Largo e Messias. Sob a sua bandeira, a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) organizou os camponeses na ocupação do Lajeiro junto aos primeiros sitiantes. Ao final daquele ano, com dezenas de famílias acampadas, a área encarou sua primeira ordem injusta e ilegal de reintegração de posse.

Com essa falsa ordem de despejo, as dezenas de ocupações nas terras griladas pela usina foram desfeitas. Alguns movimentos levaram os camponeses para a beira da pista, mas a bandeira da LCP seguiu firme no Lajeiro. A fama do Lajeiro como único movimento a enfrentar a Usina se espalhou, e mais famílias chegaram.

Em 2012, a área se expandiu e ocorreu a primeira parte do Corte Popular, finalizando com uma grande festa de entrega dos certificados de posse e batismo da área como Área Revolucionária Renato Nathan, em homenagem ao grande herói da luta camponesa, assassinado pelo latifúndio em Rondônia no mesmo ano.

Os camponeses seguiram firmes na luta, superando ameaças de reintegração que eram praticamente diárias, e entre 2014 e 2015 realizaram sua segunda expansão, completando o objetivo de ocupar toda a área abandonada e usurpada pela usina há anos. Neste período, em meio a ameaças da Utinga, a sede de alvenaria foi construída. A firmeza na luta e na bandeira impulsionou a construção de casas de alvenaria nos lotes. No final do ano de 2015 realizou-se a segunda parte do Corte Popular e a entrega dos certificados.

A luta do Lajeiro se espalhou e a justeza de sua resistência contra Usina Utinga traz consigo importantes apoiadores, destacadamente professores progressistas da Universidade Federal de Alagoas e estudantes democráticos. Houve diversas visitas, palestras, atos, plenárias e manifestações na Área, realizadas por  estes verdadeiros apoiadores da luta dos camponeses, contribuindo com a construção do Novo Brasil.

A luta pela eletrificação

Desde o início da ocupação, há mais de 15 anos, a eletrificação sempre foi um objetivo, mas antes de tudo precisava-se consolidar uma situação estável na Área, com aumento do número de casas, elevação da produção e de estabilizar quantidade de famílias, bem como era necessária uma boa articulação jurídica.

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