Maracutaia na ‘Lava Jato’

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A divulgação das mensagens trocadas entre o então juiz Sérgio Moro, hoje Ministro da Justiça, e procuradores do Ministério Público Federal (MPF) durante processos da Operação “Lava-jato” somente confirmam as análises do jornal A Nova Democracia desde o surgimento desta operação, de que esta era parte de um plano do núcleo do establishment (composto por grandes banqueiros e donos de corporações do agronegócio, pelo Alto Comando das Forças Armadas – ACFA –, pela cabeça dos monopólios de imprensa e pelo seleto grupo de procuradores e da Polícia Federal, treinados pelo FBI) compaginado com os planos do imperialismo ianque de aprofundar a militarização da América Latina. Com isso pôs-se em marcha um golpe militar contrarrevolucionário preventivo ao inevitável levantamento das massas, que vem sendo aplicado passo a passo dentro do próprio ordenamento legal.

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A Operação “Lava Jato”, posta em marcha pelo imperialismo ianque e em estreito contato com o ACFA, foi planificada diante da total falência do sistema político brasileiro, cuja falta de credibilidade popular favorece as condições para o levante das massas, como os que acabavam de ocorrer em 2013 e acendeu a luz vermelha do perigo de revolução para os guardiães desse sistema de exploração e opressão. Tal situação, pondo em risco o monopólio do poder das classes dominantes, devia ser prevenida, e esta foi a função da ofensiva contrarrevolucionária desencadeada com a Operação.

Um seleto grupo de procuradores com formação em escolas ianques, onde foram devidamente amestrados, foi incumbido de pôr em prática a Operação de salvação da velha ordem ameaçada. Aproveitando-se do sentimento anticorrupção das massas e escondendo o caráter reacionário do Estado latifundiário-burocrático serviçal do imperialismo, principalmente ianque, o objetivo era cortar na própria carne das classes dominantes locais e do Congresso Nacional, prender velhos caciques escolados, entranhados nas estruturas de poder do velho Estado reacionário, dando uma impressão de saneamento das instituições do Estado já desacreditadas para as massas e apresentar para as eleições de 2018 uma “cara nova”, que não representasse o mundo político oficial, que conseguisse aplicar as políticas necessárias para o imperialismo, principalmente ianque (para o que o PT já não mais servia), dando condições políticas mais favoráveis para uma reestruturação do Estado reacionário e assim sair da crise econômica, impulsionar o capitalismo burocrático e conjurar o perigo da revolução.

Em meio a ferrenhas disputas de grupos de poder, deu-se início à Operação em 2014, com a investigação de denúncias de corrupção na Petrobras. Logo, houve uma reação desses grupos de poder encabeçados pelos velhos caciques que, temerários de perder espaço dentro do aparelho do velho Estado e contrários aos objetivos da “Lava Jato”, tomaram a iniciativa de jogar toda a culpa da crise e da corrupção no PT, colocando a cabeça da Dilma a prêmio no processo de impeachment, se desviando como alvo da opinião pública anticorrupção. Neste sentido, as pugnas dos grupos de poder e suas artimanhas para se manter no aparelho do Estado fez enfraquecer a Operação.

Aproveitando-se da desbragada administração petista e sua política de “presidencialismo de coalizão”, com a entrega de ministérios e estatais com “porteira fechada” a partidos para formação de sua base aliada, o MPF, devidamente instrumentalizado pelo FBI, foi cumprindo as diretrizes da ofensiva.

Tendo ocorrido o impeachment de Dilma como manobra do mundo político oficial, e o PMDB assumindo a presidência, a Operação “Lava Jato” concentrou como alvo, preferencialmente, o PT e seus aliados e sua lambança no aparelho de Estado (em verdadeiro contubérnio com meia dúzia de empreiteiras já viciadas em privatizar ações do Estado). Assim, não foi custoso aos órgãos acusadores angariarem provas de malversação dos recursos da União em ações espúrias.

As práticas corruptas e espúrias expostas pela Operação, na verdade, são o modus operandi do Estado num país semifeudal e semicolonial, sempre foram a característica do Estado brasileiro e seu capitalismo burocrático, pelo menos desde a fundação da República. Anteriormente, quando reveladas e questionadas, o Congresso Nacional sempre abria as Comissões Parlamentares de Inquérito (famosas CPIs) que normalmente acabavam em “pizza”. No entanto, com a “Lava Jato”, segundo o plano da ofensiva, a coisa deveria ser diferente: tratava-se de descartar os personagens mais desmoralizados do sistema político putrefato para manter a velha ordem, reacionarizando ainda mais o Estado, pois tratava-se de recuperar a imagem das velhas instituições já tão desacreditadas ao ponto de, inclusive, mexer com os interesses do USA no país pelo esgotamernto do capitalismo burocrático e pela iminência de uma grande explosão no levante de massas e o perigo de revolução.

No decorrer da Operação, com viagens periódicas ao USA, tanto o ex-juiz Sérgio Moro como vários membros do MPF prestavam contas e ao mesmo tempo se instruíam sobre novas ações, recebiam as diretrizes. A conversa entre ambos, surgida agora pelo escândalo do vazamento de seus celulares, revela toda a maquinação, embora ainda estejam escondidos os seus reais chefes, isto é, o imperialismo ianque através de suas agências e o ACFA, que garantiu tudo.

Foi essa ofensiva contrarrevolucionária, sob a forma do golpe militar passo a passo, que convergiu todo o núcleo duro do establishment nessa empreitada de lavar a fachada dessa velha democracia e puseram tanto Moro quanto Dalagnol e sua trupe como os “super-heróis brasileiros”, facultando-lhes o direito de agirem por cima da lei. Foi assim que a ordem institucional e legal foi deformada, sob a máscara de “instituições sólidas”, como parte do golpe militar.

O vazamento, ao que tudo indica, foi realizado com o intuito de expor a maquinação ilegal contra o ex-candidato petista e, consequentemente, pressionar o STF a decidir pela soltura de Luiz Inácio. No entanto, a repercussão e suas consequências põe mais lenha na fogueira nas pugnas no seio das classes dominantes, de seus grupos de poder e instituições.

Durante todo o mês de junho o STF discutirá em vários aspectos as implicações destes áudios no caso do petista, podendo inclusive soltá-lo. Uma eventual soltura dele alimentaria a retórica bolsonarista duma reedição do regime militar para salvar a velha ordem em decomposição. Tal fato agitaria ainda toda sua base fascista civil e nas tropas, elevando nestes meios a propaganda do seu projeto corporativo, o que, por sua vez, faz crescer a pressão sobre o ACFA, que receia perder o controle da tropa e mesmo da opinião pública. Por isso, Villas-Bôas e Mourão, após o vazamento dos áudios, trataram de diminuir o episódio e rechaçar veladamente a possibilidade da soltura de Luiz Inácio, dizendo que quem está por trás do vazamento está atacando e tentando esvaziar a “Lava Jato”. A situação faz crescer a crise militar como centro da crise institucional do velho Estado.

A retórica, difundida pela reação, de que desmascarar a ofensiva contrarrevolucionária e a “Lava Jato” só serve aos corruptos é um embuste e uma forma de aceitar que uma “Justiça” de classe, dominada e instrumentalizada pelo imperialismo, tenha o direito de ditar as cartas e quebrar o que resta de nossa soberania.

O ACFA, que desde o início esteve na coordenação de tudo e trabalha com vários cenários de desemboque da crise política, de olho no processo eleitoral, embora Bolsonaro não fosse seu candidato preferido, tratou de impor o Mourão como vice. E assim, o ACFA empalmou o governo Bolsonaro levando Moro junto como Ministro da Justiça, como exemplo de “justiceiro”. Acontece que a disputa entre direita (hegemonia no ACFA) e extrema-direita (grupo de Bolsonaro) ainda terá muitos desdobramentos e revelará mais ainda quão reacionários, antipovo e vende-pátria são ambos os grupos.

A revelação das maracutaias da Operação “Lava Jato” só confirma o apodrecimento e falência do velho Estado reacionário e que somente a derrubada revolucionária de toda velha ordem e a construção de uma Nova Democracia pode levar justiça para as mais amplas massas exploradas e oprimidas de nosso país.

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