A imigração e a luta de classes

Conforme demonstrado no texto Terra de oportunidades?, publicado na edição nº 224, o proletariado imigrante, oriundo sobretudo dos países de terceiro mundo, sofre uma exploração desumana por parte da burguesia das potências imperialistas. A burguesia desses países buscam submetê-lo a níveis de exploração do trabalho além do permitido pelas leis e a diversos abusos. Entretanto, como nos ensina a ciência marxista, o acirramento das contradições entre as classes dominantes e oprimidas tende a levar ambas ao enfrentamento, e no caso dos imigrantes, as contradições são ainda maiores. Visto isso, é possível identificar a agudização da luta de classes entre a burguesia imperialista e o proletariado imigrante nos países de primeiro mundo, algo que contribuirá para a vindoura revolução mundial.

Reuters
Imigrantes atacados na fronteira
No USA, a repressão e a luta dos imigrantes cresce; na foto, imigrantes atacados na fronteira

O USA tem um grande histórico de protestos de imigrantes, que se intensificam quando, através de leis de caráter cada vez mais chauvinista, seus direitos são atacados. Em 2006, quando reformas migratórias que consideravam todo imigrante ilegal um criminoso estavam para ser aprovadas, dezenas de milhares de imigrantes iniciaram uma grande marcha, inicialmente em Chicago, contra tais medidas, conforme noticiado pelo jornal Chicago Tribune.

Naquela ocasião, os protestos se estenderam por todo o país, chegando a reunir cerca de 1 milhão e 250 mil pessoas, sobretudo da comunidade latino-americana, episódio que ficou conhecido como La Gran Marcha.

De acordo com Tom Cream, em declaração para o jornal Socialist Alternative: “Isso representou o início do primeiro movimento social de massa real neste país em uma geração. A escala dos protestos pegou a maioria dos organizadores completamente de surpresa. Não foi nada menos que a insurreição de uma das seções mais exploradas e oprimidas da população, remanescente do movimento dos Direitos Civis dos anos 1950 e 60. Também demonstrou a imensa quantidade de material social logo abaixo da superfície da sociedade norte-americana, bem como a rapidez com que podem ocorrer desenvolvimentos reais na classe operária”.

Já em 2016, no contexto da vitória eleitoral do presidente Donald Trump, houve vários protestos de imigrantes contra sua postura chauvinista. Conforme noticiado pelo jornal Sentinel Colorado: “Imigrantes e seus defensores acrescentaram suas vozes no domingo junto àqueles que estiveram marchando e protestando contra vitória presidencial de Donald Trump. Os organizadores disseram que o protesto em Manhattan foi contra o apoio de Trump à deportação e outras medidas. Os manifestantes levaram cartazes em inglês e espanhol dizendo coisas como Hate won’t make us great, e gritavam: We are here to stay”.

Mais recentemente, em 2017, após a suspensão do programa de proteção aos estrangeiros levada a cabo por Donald Trump, foram registrados vários protestos de imigrantes em Nova York, Washington, Miami e Los Angeles.

No entanto, não são apenas lutas espontâneas as que surgem. No USA surgiram várias organizações que propagandeiam, especialmente entre o proletariado imigrante, a ideologia do maoísmo e a necessidade de uma guerra popular no país. Dentre essas organizações está o Comitê pela Reconstituição do Partido Comunista do USA.

Luta de classes acirra-se na Europa

Passando para a Europa, também verificamos demonstrações de ódio de classe.

Em março de 2017, centenas de proletários imigrantes asiáticos protestaram nas ruas de Paris contra a repressão policial desencadeada contra eles. Pelo que relata o jornal The Sun, os motins foram impulsionados pelo assassinato de Shaoyo Liu, imigrante chinês de 56 anos, executado pelo reacionário Estado francês sob a alegação de que ele havia avançado contra três policiais, versão esta denunciada por familiares e testemunhas. Citando a reportagem do The Sun: “’Ele não feriu ninguém’, disse o advogado da família, Calvin Job, acrescentando que o homem estava ‘limpando um peixe com uma tesoura’ quando a polícia derrubou a porta e ‘disparou sem avisar’”. O protesto após a sua morte, como era de se esperar, foi reprimido com  gás lacrimogêneo e cassetetes.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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