A arte de construir instrumentos antigos

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Oriundo de uma família de músicos, João Batista de Almeida, conhecido como Jhonny Almeida, descobriu a arte de fabricar instrumentos musicais ainda na infância e hoje se dedica a construir instrumentos antigos, de forma artesanal. Carioca, filho de nordestinos, Jhonny viveu parte de sua vida no Nordeste, tendo vivenciado uma variedade de gêneros musicais, mas não se prendendo a nenhum. Ele prefere somente apreciar a sonoridade de cada instrumento.

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Jhonny Almeida e sua viola de roda
O luthier e sua viola de roda

— Nasci no Rio de Janeiro e minha mãe também é carioca, mas meu pai é de Juazeiro do Norte, no Ceará; minha avó é do Crato, cidade vizinha, no pé da Serra do Araripe. É uma grande mistura de culturas. Nasci e cresci em um berço musical intenso: meu pai e meus tios tocavam e cantavam, e minha avó paterna foi quem me ensinou os primeiros acordes de violão — conta Jhonny.

— Meu avô, padrasto do meu pai, era chorão, tocava bandolim. Já meu avô materno toca cavaquinho, meu tio canta e toca violão, e minha mãe canta muito afinado. A música das igrejas que minha família frequentava também tiveram grande importância: com oito anos de idade eu fazia parte dos corais e tocava um pandeirinho — continua.

A luteria também se faz presente na vida de Jhonny desde a sua infância.

— Sempre tive umas habilidades manuais, fabricava meus brinquedos, carrinhos de madeira e lata. Me lembro que quando morei no Maranhão, ainda na infância, fazia uns aviões pequenos e violãozinhos usando latas de inseticidas, madeira e umas duas linhas de pesca, e minha avó cantarolava “Asa Branca” e “Juazeiro”, ambas de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e eu tocava — fala.

— Mais tarde, a vontade de adquirir um instrumento e a falta de recurso financeiro para isso me fez começar o meu primeiro instrumento: certa vez entrei em uma loja, perguntei o preço de um violão para o vendedor e ele me respondeu: “O preço deste aí nem vou te falar”. Fiquei muito chateado, sabia que ele havia notado o modo que eu estava vestido e deduzido que não podia pagar pelo instrumento — relata.

— Esse episódio acabou me incentivando a começar a construir o meu primeiro violão, que hoje está na baixada fluminense com um amigo de infância. E foi durante a sua fabricação que virei realmente luthier, através de um amigo chamado Valdeci, lá de Mesquita, periferia do Rio, onde eu morava, que me apresentou para o Carlos Nascimento, chorão e luthier que fabricava cavaquinhos, bandolins — continua.

Satisfação e amor pelo que faz

— Seu Carlinhos, como era conhecido, tinha sua casa frequentada por importantes músicos da época, eu tinha vinte e poucos anos, hoje estou com 47.  Meu violão ainda estava pela metade, mas seu Carlinhos ficou entusiasmado e praticamente me adotou — conta Jhonny.

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