O junino resiste!

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Enfrentando a onda de modismos, de música comercial, as festas juninas seguem resistindo, pelas capitais e interiores do Brasil, principalmente Nordeste e norte de Minas, e têm atraído a atenção dos jovens. Cantador mineiro, envolvido com cultura popular, Tau Brasil reuniu uma banda de jovens músicos, incluindo seu filho, Augusto, e viaja pelo país promovendo o forró e o festejo tradicional junino.

Tau Brasil e sua banda de jovens músicos
Tau Brasil e sua banda de jovens músicos

— Sou mineiro, mas tenho influências da música nordestina, porque Fronteira do Vale, onde nasci, fica bem na divisa do Vale do Jequitinhonha com o Mucuri, MG, e praticamente com a Bahia, é muito próximo. Quando criança, as tradições juninas na minha região eram muito fortes, e ainda permanecem — conta Tau.

— Na minha casa acendíamos fogueira, assávamos batata e mandioca, e tinha uma tradição de acender uma fogueira na porta de cada casa. Esse costume ainda está presente por lá. Me criei nesse ambiente da cultura popular, dos leilões e os sanfoneiros, do pandeiro, cavaquinho e violão — continua.

— Já adulto, aqui em Belo Horizonte, decidi montar uma banda de forró e viajar por toda aquela região, o que faço até hoje, de junho a agosto e em festas de padroeiros. Atualmente estou com uma moçada bem bacana na minha banda, um pessoal jovem que, além de ter formação acadêmica em música, é envolvido com a cultura popular — relata.

— A formação da banda é: sanfona, zabumba, triângulo, e também baixo, bateria e guitarra, tudo dentro da tradição cultural dos festejos juninos. E os meninos estão animados e com muita vontade de tocar — diz.

Tau Brasil inseriu seu filho, Augusto, na tradição junina, uma herança de cultura popular que vai de pai para filho.

— O Augusto me acompanha nas festas populares desde pequeno, ficava no colo da sua mãe observando tudo, enquanto eu fazia vários shows aqui em Belo Horizonte. Cresceu nesse ambiente e desenvolveu o seu próprio estilo de cantar e tocar forró, fez faculdade de música na UFMG, e veio para somar dentro da cultura popular — fala Tau.

— Costumo dizer que tive a sorte de já nascer no meio tradicional do forró, do São João, e a academia veio depois, foi um complemento para essa cultura que já estava presente em mim. É muito natural participar dessas festas, fazer todos os anos com muito amor e respeito à cultura, ser jovem e vivenciar a tradição, e poder influenciar outras pessoas — expõe Augusto.

— Pela grande massa de mídia que recebemos, a cultura de massa, muita gente não consegue acompanhar os movimentos populares, então estamos aí para distribuir esse tipo de informação, divulgar cultura popular. É bom demais sobreviver a isso tudo que está aí, e saber que estamos ajudando outras pessoas a conseguir também, é muito confortante — continua.

Prazer em trabalhar a tradição

— Temos essa missão muito grande, que é fazer com que as músicas da cultura popular chegue até as pessoas, fazer com que elas fiquem sabendo, porque não são culpadas por não conhecer a cultura do seu país, é que essas informações são difíceis de chegar. Quando fazemos isso com sabedoria, vontade de trabalhar, amor e competência, é muito satisfatório em vários sentidos, e é nosso dever — declara Augusto.

A comercialização dos festejos juninos e a invasão de modismos, estilos que nada têm a ver com a tradição, preocupam Tau Brasil.

— Fico muito triste quando olho para essa questão, e muito preocupado com as futuras gerações. Principalmente nos interiores do país, os prefeitos e secretários de cultura estão contratando bandas que se dizem tocadoras de música sertaneja e não bandas de forró, de quinze bandas que participam dos festejos, por exemplo, somente uma toca e canta um forrozinho — expõe Tau.

— Contudo, nas capitais essa realidade tem melhorado, muitos lugares estão contratando bandas de forró pé de serra, com proposta de resgate da cultura popular, parece que está havendo um retorno dessas bandas. Na minha região, infelizmente, esse tal estilo sertanejo e outros ritmos, que nem consigo denominar, estão prevalecendo — constata.

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