Operações levam terror do velho Estado contra os pobres

Homens encapuzados, com roupas camufladas, portando armas de guerra, arrombando portas, agredindo e matando; helicópteros atirando a qualquer hora; veículos blindados espalhando o terror, destruindo tudo que encontram pela frente. Essa tem sido a rotina imposta pelos governos de turno do velho Estado aos mais de três milhões de trabalhadores pobres que vivem nas favelas e bairros pobres do Rio de Janeiro. No mês de julho não foi diferente. Operações policiais em todas as regiões do estado da Guanabara deixaram uma pilha de corpos e um rastro de terror e destruição por onde passaram.

Folha de S. Paulo
Trabalhador sendo revistado por soldados do Exército, foto ilustrativa, 2018
Trabalhador sendo revistado por soldados do Exército, foto ilustrativa, 2018

Logo no início do mês, policiais do 41º batalhão da Polícia Militar (PM), logo pela manhã, iniciaram uma operação no Complexo do Chapadão, zona norte do Rio. A menina Jamily, de apenas seis anos, brincava dentro de casa quando foi atingida por vários disparos de fuzil. Segundo a avó da menina, Dona Aline, ela não foi à aula, no Colégio Municipal Alziro Jarur, justamente por conta dos tiros e dançava balé no quintal quando foi atingida por ao menos cinco disparos. Ela foi socorrida por moradores e levada para o Hospital Souza Aguiar, onde segue internada em observação. Segundo parentes, a menina Jamily não corre risco de vida.

Operações de guerra na CDD

Também na primeira semana de julho, veículos do monopólio dos meios de comunicação exibiram exaustivamente em seus noticiários imagens feitas pelo helicóptero da Rede Globo mostrando traficantes varejistas da Cidade de Deus escondidos atrás de uma casamata – uma espécie de barricada – disparando contra policiais. Apresentadores desses noticiários esbravejavam por sangue e vingança durante toda a programação dessas emissoras, conhecidas propagadoras de campanhas de ódio contra o povo. Nos dias seguintes e até o fechamento desta edição de AND, milhares de trabalhadores pobres que vivem na Cidade de Deus seguiam encurralados pelas forças de repressão do velho Estado.

As operações começaram no dia 8 de julho. No dia 9, a polícia fez sua primeira vítima. Um homem identificado como Andrew da Silva Moreira, de 34 anos, foi baleado na barriga e levado para o Hospital Lourenço Jorge. Nos dias 12, 14 e 17 outras operações foram realizadas e nelas ao menos mais sete pessoas foram baleadas e quatro delas morreram. Revoltados, moradores fizeram apelos nas páginas dos Coletivos CDD Acontece e Bota a Cara CDD, em que também desabafaram sobre a revolta que sentem.

“Aqui a nossa vida não vale mais nada. Essa semana ainda não consegui sair para trabalhar e corro o risco de ser mandada embora. A polícia entra aqui e trata todo mundo como bandido. Quem não leva um tiro perde o emprego ou perde a escola, ou então perde uma consulta no médico. Todo mundo perde alguma coisa.”, desabafa uma moradora.

“Aqui em casa a gente faz tudo no chão. Assiste TV no chão, come sentado no chão, parece bicho. O tempo todo rezando para ficar vivo.”, revela outro morador em um comentário.

Ataques simultâneos em favelas

No dia 10, ao menos 14 favelas e bairros pobres da capital, Costa Verde e região metropolitana do Rio foram atacadas simultaneamente pelas polícias do governo Witzel. Operações da PM foram realizadas no bairro Areal, em Angra dos Reis; nas favelas Lagoa do Sapo e Orfanato, em Japeri; na Favela da Linha, em São Gonçalo; e nas favelas Jardim Gramacho e Beira-Mar, em Duque de Caxias. Na capital, a PM fez operações no Complexo do Chapadão, Morros do Turano e Prazeres e no Juramentinho.

Em São Gonçalo, um senhor de 68 anos foi atingido na porta de casa, na favela Menino de Deus, no bairro do Rocha. Luiz Sérgio de Menezes foi atingido no braço e na perna e socorrido às pressas por moradores para o Pronto Socorro Central de São Gonçalo. Ele foi medicado e não corre risco de vida.

Já no morro do Caramujo, em Niterói, a ação da polícia deixou três pessoas mortas e quatro feridas. Até o fechamento dessa edição, os corpos dos três homens mortos não tiveram suas identidades divulgadas pela secretaria de saúde ou pelo instituto médico legal.

Helicóptero blindado e ‘caveirões’

No dia 15, moradores dos Morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro passaram novos momentos de terror durante operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Ao menos quatro pessoas foram mortas na ação.

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