Dia Nacional em Defesa da Educação e da Previdência mobiliza 200 cidades

A- A A+

No último dia 13 de agosto, o Dia Nacional em Defesa da Educação e da Previdência contou com ampla mobilização e manifestações ocorreram em mais de 200 cidades brasileiras. Estes atos, que foram a continuação das grandes manifestações de 15 e 30 de maio, tiveram como temas centrais as lutas contra a “reforma da Previdência” e as políticas de ataque à educação pública, como o programa “Future-se”. Além disso, foi um recado de rechaço da população brasileira às políticas antipovo do governo de Bolsonaro e dos generais do Alto Comando das Forças Armadas (ACFA).

Comitê de Apoio ao AND - Curitiba
Bloco da Executiva dos Estudantes de Pedagogia denuncia a criminosa privatização da Educação, Curitiba (PR), agosto de 2019 (foto: Comitê de Apoio ao AND - Curitiba)
Bloco da Executiva dos Estudantes de Pedagogia denuncia a criminosa privatização da Educação, Curitiba (PR), agosto de 2019

O programa “Future-se”, embora de modo velado, prevê a privatização prática de Universidades e institutos federais, e induzirá as instituições públicas a firmarem contratos de gestão com “Organizações Sociais” (OS), cujas atividades seriam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à cultura, etc. Tais OS irão receber repasse de recursos orçamentários públicos, cessão de servidores e permissão de uso de bens públicos.

A reportagem de AND e alguns Comitês de Apoio do jornal espalhados pelo Brasil acompanharam as mobilizações, principalmente dos setores mais consequentes e classistas que tomaram parte nelas, defendendo intransigentemente os direitos dos trabalhadores que estão sob ataque, sobretudo a aposentadoria dos mais pobres.

No Rio de Janeiro, mesmo debaixo de chuva, dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas do Centro. O ato se concentrou na Candelária reunindo professores, estudantes de universidades e escolas públicas e outras categorias de trabalhadores. Após a concentração, os manifestantes saíram em caminhada pela avenida Rio Branco até a avenida Chile, na região do Largo da Carioca. Ao longo do trajeto, foram vistos muitos cartazes e faixas denunciando as tentativas de privatização do ensino público e o assalto à aposentadoria.

Um bloco formado por cerca de 60 militantes do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), da Unidade Vermelha - Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR), do Movimento Feminino Popular (MFP), da Liga Operária e do Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate) levantou cartazes com as fotos dos jovens Gabriel Pereira Alves e Dyogo Coutinho, que foram assassinados no mês de agosto em operações de guerra, promovidas por policiais no Rio de Janeiro e Niterói.

Ellan Lustosa/AND
Milhares de pessoas compareceram ao ato no Rio de Janeiro (foto: Ellan Lustosa/AND)
Milhares de pessoas compareceram ao ato no Rio de Janeiro

Os militantes presentes cantaram palavras de ordem contra a Polícia Militar (PM), contra o governo de Bolsonaro e dos generais e em defesa da resistência popular nas favelas e no campo. Uma grande faixa foi erguida com a palavra de ordem Nem Bolsonaro, nem Mourão, nem Congresso de corruptos! Fora Forças Armadas reacionárias!

Em Porto Velho (RO), centenas de pessoas se concentraram na praça das Três Caixas D’água, entre elas estudantes e professores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e do Instituto Federal de Rondônia (IFRO); professores das redes públicas (estadual e municipal), pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aposentados e alguns dirigentes sindicais.

às 17h, ativistas do Comando Estudantil de Luta em Defesa da Educação Pública (CELDEP) e da Executiva Estadual de Estudantes de Pedagogia (ExROPe) convocaram os presentes a seguirem em ato pelas ruas da cidade, após a massa manifestar insatisfação com a apropriação da marcha por movimentos oportunistas que queriam convertê-la em ato “pró-lulismo”.

No ato também se denunciou o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS), a privatização dos Correios e a entrega das riquezas da Nação pelo fascista Bolsonaro e generais. Pautas locais também foram inseridas, como o precário sistema de transporte coletivo em Porto Velho e a famigerada cobrança de taxas e aluguel de espaços públicos que tramita nos Conselhos Superiores da Unir.

Comitê de Apoio ao AND – Curitiba
Manifestantes queimam bandeiras do USA e Israel, em Curitiba (foto: Comitê de Apoio ao AND – Curitiba)
Manifestantes queimam bandeiras do USA e Israel, em Curitiba

Em Curitiba (PR), por volta das 19h, cerca de 5 mil pessoas estavam reunidas na praça Santos Andrade, em frente ao Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná. A convocação foi realizada por sindicatos, organizações populares e estudantis, além da União Nacional dos Estudantes (UNE). Esta, no entanto, tentou transformar o ato em campanha pela liberdade de Luis Inácio, sendo amplamente rechaçada pelas massas que se reuniram contra os cortes nas universidades federais e contra o projeto “Future-se”. 

Os manifestantes decidiram sair em ato pelas ruas enquanto a UNE tentou travar o movimento com intermináveis discursos oportunistas. Aos gritos de Fora UNE!, milhares de estudantes manifestaram seu repúdio a tal política eleitoreira que coloca em segundo plano a luta em defesa da educação e contra os ataques aos direitos do povo.

Em contraposição, organizações estudantis combativas como a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), a Alvorada do Povo (AP) e a UV-LJR entoaram palavras de ordem em defesa da educação e da Greve Geral de Resistência Nacional. O bloco conformado por ativistas desses movimentos levantou uma faixa com uma consigna contra Bolsonaro, os generais e o Congresso. A ExNEPe levou uma faixa em que se lia: Contra a privatização do ensino público e a “reforma” da Previdência: Greve Geral de Resistência Nacional!

Os estudantes combativos de Curitiba também queimaram bandeiras do USA e de Israel entoando palavras de ordem contra a presença do imperialismo ianque na América Latina e do genocida e terrorista Estado de Israel em Gaza. Em Porto Alegre (RS), cerca de 30 mil manifestantes foram às ruas.

Em Belo Horizonte (MG), três assembleias – dos professores das redes municipal e estadual e dos eletricitários – foram realizadas ao mesmo tempo em diferentes pontos da cidade e, após concluídas, os trabalhadores mobilizados saíram em marchas que se unificaram em frente à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), onde os eletricitários entregaram uma série de exigências à direção da empresa.

A marcha unificada, engrossada pelos transeuntes e outros setores do povo a cada rua, ficou tão grande que a praça Sete, principal palco de manifestações da cidade, ficou pequena para a multidão. O ato seguiu até a praça da Estação.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja