‘Eu quero justiça!’, diz irmã de jovem torturado pela PM no Chapadão

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No dia 26 de julho, durante uma operação de guerra realizada no Complexo do Chapadão, zona norte do Rio de Janeiro, policiais do 41º Batalhão da Polícia Militar, sem mandado de busca, invadiram uma residência e torturaram um rapaz chamado Bruno, de 34 anos, que sofre de autismo e esquizofrenia, utilizando um fio como chicote. Além disso, os policiais destruíram praticamente toda a casa em que ele morava com seu irmão. A denúncia foi divulgada no sítio do jornal A Nova Democracia no dia 4 de agosto.

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As costas de Bruno ficaram marcadas pelas chicotadas dadas pelos policiais militares
As costas de Bruno ficaram marcadas pelas chicotadas dadas pelos policiais militares

Dois dias depois, 8 de agosto, a reportagem do AND entrou em contato com Viviane, irmã de Bruno, que deu um depoimento sobre os crimes bárbaros cometidos contra seu familiar. Viviane contou sobre os problemas que o irmão enfrenta e relatou a ação covarde dos policiais.

— Completará dois meses que minha mãe faleceu e o Bruno morava com ela. A gente soube há pouco tempo que ele é autista e esquizofrênico. Quando minha mãe morreu ele foi morar com um outro irmão, Vinicius, que comprou uma casa na comunidade — inicia Viviane.

— Bruno nasceu com seis meses sem oxigênio, tem muitas sequelas. Até então meu pai e minha mãe não aceitavam que ele tinha problemas. Ele sempre ficou no “mundinho” dele, do jeito que ele vive hoje. Ele senta, fica olhando pra cima, não fala nada. Há uns dois anos convenci minha mãe a procurar ajuda. Só que o Bruno não aceita que tem problema e parou o tratamento. Aí quando minha mãe Sandra morreu, em 9 de junho, ele piorou muito — continua.

— No dia 26, uma sexta-feira, eu vi a operação policial se agitando para entrar. Era 9h20 da manhã, eu estava com uma amiga no mercado e meu irmão Vinicius me ligou falando que tinham entrado na casa dele e tinham quebrado tudo. Foi um vizinho que ligou para ele avisando que a polícia tinha entrado lá e feito isso. Aí o Vinicius saiu do trabalho, foi para casa, viu tudo quebrado, mas o Bruno não tinha falado ainda que sofreu tortura — continua.

— O Vinicius desceu e foi atrás da polícia. Ele conseguiu falar com uns policiais, pegou o número do “caveirão” e de uma das patrulhinhas. Pelo que fiquei sabendo, tinham seis policiais na casa do meu irmão, dois deles torturaram ativamente o Bruno. Deram na cara dele, pegaram eu acho que o fio do ventilador para bater nele, quebraram o muro e a casa toda. Entraram sem permissão, sem mandado e não acharam nada — diz.

Terrorismo de Estado

Viviane explicou que seu irmão, por conta dos problemas de saúde, tem dificuldade de se comunicar, já que a esquizofrenia é um transtorno psíquico caracterizado por alucinações e alterações do raciocínio lógico, sendo que seus quadros podem variar e, dependendo do grau, gera sintomas como delírios, discursos, pensamentos desorganizados e alterações comportamentais.

O caso de tortura contra Bruno foi apresentado pelo monopólio da imprensa como um “caso isolado” quando, pelo contrário, trata-se de uma rotina nas favelas e bairros pobres do Rio. As torturas, assassinatos, invasões de residências e outros tipos de crimes são diuturnamente praticados pelos aparatos policiais do velho Estado nesta guerra civil reacionária que é levada a cabo contra a população pobre.

— Meu irmão Vinicius falou com os policiais, que disseram pra ele: “Seu irmão não falou nada”, e perguntaram se ele não sabia falar. O Vinícius então respondeu: “Ele não fala porque tem problema, é esquizofrênico e autista, e agora está pior porque fazem dois meses que minha mãe morreu”. Até então meu irmão não sabia que tinha ocorrido a tortura — explicou.

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