Latifúndio bolsonarista incendeia Amazônia e imperialismo se intromete

A- A A+

Nos dias 10 e 11 de agosto foi promovido o “Dia do fogo”, uma ação política dos latifundiários bolsonaristas que devastou produções dos camponeses e pequenos produtores e cobriu várias regiões do país com nuvens de fumaça.

Daniel Beltrá/Greenpeace
Queimada na Amazônia (foto: Daniel Beltrá/Greenpeace)
Movimento latifundista iniciou-se em Novo Progresso, interior do PA, ligado à extrema-direita e em apoio ao governo

Em entrevista ao jornal Folha do Progresso, do interior do Pará, os próprios latifundiários disseram que o objetivo foi promover queimadas em vastas regiões do país de modo coordenado em apoio ao governo. Mais especificamente, o objetivo foi destruir florestas e áreas de preservação para apropriar-se delas, e para justificar a militarização da região e sufocar a luta pela terra, coibi-la e reprimir os camponeses em luta pela Revolução Agrária.

As queimadas tomaram áreas na região do Pará, em toda a região Amazônica e até mesmo no Centro-Oeste e na tríplice fronteira com a Bolívia e o Paraguai.

Em Rondônia, no dia 13 de agosto, o fogo das queimadas foi-se alastrando ao longo da Linha TB-14 e atingiu dezenas de casas, incluindo o assentamento Galo Velho, no município de Machadinho do Oeste. Depois do fogo se extinguir, os camponeses retornaram ao local e encontraram, além de suas casas e pertences destruídos, um casal que morreu abraçado e carbonizado.

Intromissão imperialista e latifúndio

Diante da repercussão internacional negativa, chefes de países imperialistas, como Emmanuel Macron (França), sentiram-se encorajados a se intrometerem nos assuntos internos do país e chegaram a ameaçar aplicar boicote ao agronegócio e barrar o acordo Mercosul-União Europeia, devido aos incêndios. Chamando a Amazônia de “nossa casa”, Macron pintou-se como “ambientalista” enquanto saqueia as riquezas naturais dos países oprimidos.

Tais países imperialistas da Europa se opõem à expansão do latifúndio brasileiro não por interesses “humanistas”, mas por pretensões coloniais de apoderarem-se dos recursos naturais da Amazônia a médio e longo prazos.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Por outro lado, se opõem a isso porque,  após  o acordo firmado pelos dois blocos, a produção do latifúndio brasileiro terá o acesso ao mercado interno do velho continente facilitado, o que pode arruinar os subsidiados fazendeiros franceses – base social importante para a política interna francesa.

No Brasil, por sua vez, a divisão sobre o que fazer penetra inclusive nas fileiras do latifúndio. Uma parcela dos latifundiários, vinculados à extrema-direita, pressiona o governo a avançar sobre as florestas para enriquecerem-se mais ainda às custas do atraso do povo e da Nação, enquanto que outros importantes representantes dessa classe, mais ligados à direita, se posicionaram contrariamente ao avanço, por medo das implicações negativas nas exportações.

GLO na Amazônia

No dia 23, aproveitando-se e tentando dar uma resposta à pressão internacional, o governo de Bolsonaro e dos generais permitiu, via decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o emprego de tropas das Forças Armadas e de outras forças federais para “combater o incêndio” em toda a região da Amazônia Legal.

Até o fechamento desta edição, as tropas federais estão atuando na área rural do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Pará e Tocantins. O cenário de militarização da região também coloca em alerta os camponeses pobres, especialmente aqueles em luta pela terra.

Na Amazônia Legal estão os dois estados (Pará e Rondônia) onde mais pessoas morreram em conflitos entre camponeses e latifundiários nos últimos anos.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja